Fórum vê economia com mais dinamismo na segunda metade do ano
O crescimento português este ano arrisca ficar abaixo de 2%, alerta o Fórum para a Competitividade apesar da estabilização da cotação internacional do petróleo e da melhoria de perspetivas para a segunda metade do ano. Por outro lado, o saldo orçamental nulo previsto pelo Governo para este ano torna-se cada vez mais exigente e difícil de alcançar.
A nota de conjuntura de junho, publicada pelo Fórum esta sexta-feira, aponta para um avanço “tímido” em cadeia no segundo trimestre, isto depois da estagnação registada no primeiro, o que não permite grande otimismo para o resto do ano. Ainda assim, registou-se uma melhoria do clima económico e do indicador de atividade, refletindo uma certa estabilização da economia após um primeiro semestre turbulento.
“Após as fortes perturbações do primeiro trimestre, o comboio de tempestades e o início do conflito no Médio Oriente, o segundo trimestre revelou-se mais benigno, com um crescente otimismo sobre a normalização da circulação pelo estreito de Ormuz, patente na descida dos preços dos combustíveis e na melhoria da confiança dos consumidores e empresários”, lê-se na nota.
Portanto, o Fórum para a Competitividade estima que o PIB do segundo trimestre tenha avançado “entre 0,2% e 0,4% em cadeia, a que corresponde uma variação homóloga entre 1,8% e 2,0%”.
Para o resto do ano, “as perspetivas são mais favoráveis, ainda que haja um período de recuperação das disrupções causadas pela guerra”. Um sinal positivo é a melhoria generalizada da confiança dos agentes na sequência da normalização da situação no Estreito de Ormuz.
Para além disso, e “a nível nacional, a reconstrução das zonas mais afetadas pelas tempestades deverá ajudar a compensar, ainda que parcialmente, os efeitos negativos do início do ano”.
“Assim, com o abrandamento das tensões no golfo Pérsico, o crescimento do PIB português em 2026 poderá ficar pouco abaixo dos 2%”, resume o documento.
Já no que diz respeito à vertente orçamental, a previsão do Ministério das Finanças para um saldo equilibrado no final do ano está a tornar-se cada vez mais desafiante, alerta o Fórum.
Em primeiro lugar, o saldo positivo de 638 milhões de euros registado em contabilidade pública até maio do ano passado inverteu-se para um défice de 1.762 milhões de euros; depois, há uma pressão considerável originária nos pagamentos pelas entidades do SNS, “na sequência dos reforços de capital concedidos para a regularização de dívidas”, e nas moratórias e a isenção de pagamento de TSU para as empresas afetadas pelo comboio de tempestades do início do ano.
“Temos, mais uma vez, um crescimento da receita (4,4%) muito inferior ao da despesa (9,7%). A despesa total até está a crescer abaixo do orçamentado, embora a despesa corrente esteja acima do projetado, passando-se o inverso com a despesa de capital. No caso da receita, quer a corrente, mas sobretudo a de capital estão mais fracas do que o previsto para o conjunto do ano, com a exceção persistente das contribuições para a Segurança Social, que aumentaram 7,1% quando se espera 5,0% em 2026”, detalha a nota.
Ainda assim, o défice de 0,7% apurado para o primeiro trimestre “é calculado pelo INE com base no PIB trimestral”, pelo que, “se usarmos uma estimativa razoável do PIB anual, ficamos com um défice de cerca de 0,16% do PIB”.
“Ou seja, para se atingir um saldo de zero, basta um excedente equivalente no resto do ano”, completa. “Em resumo, embora os resultados do primeiro trimestre não sejam favoráveis, eles, por si só, não colocam ainda em causa a meta orçamental anual. No entanto, também tornam a execução do resto do ano mais exigente”.
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