Mercados aguardam reabertura de Wall Street com atenção à OPEP+ e aos resultados do 2.º trimestre
Os mercados financeiros arrancam a semana com Wall Street a reabrir esta segunda-feira depois do feriado do 4 de julho, numa sessão em que os investidores vão reagir ao aumento de produção anunciado pela OPEP+ no fim de semana e continuam atentos ao arranque da época de resultados do segundo trimestre nos EUA.
Os índices norte-americanos estiveram fechados na sexta-feira devido ao feriado da Independência, pelo que a última sessão de referência foi a de quinta-feira, dia 2. O Dow Jones encerrou a sessão de quinta-feira em máximos históricos e está agora a negociar perto dos 52.900 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,80%, para 25.832 pontos, e o S&P 500 recuou 0,01%, para 7.482 pontos. Ao longo da semana, o Dow Jones ganhou 1,99%, o Nasdaq avançou 2,11% e o S&P 500 valorizou 1,75%, naquela que foi a quarta semana consecutiva de ganhos para o Dow, a maior sequência desde outubro de 2024.
No plano macroeconómico, a criação de emprego nos EUA voltou a desacelerar mais do que o esperado em junho, com a economia a somar 57 mil postos de trabalho fora do setor agrícola, depois de um valor de maio revisto em baixa para 129 mil, ainda que a taxa de desemprego tenha recuado para 4,2%, sinal de que o mercado laboral se mantém globalmente estável.
O relatório do emprego dos EUA, publicado quinta-feira ao início da tarde, mostrou assim um mercado de trabalho muito mais arrefecido do que o antecipado, o que reduziu a pressão sobre a Fed para subir juros no curto prazo.
Esta segunda-feira, o foco estará em perceber se os futuros dos índices confirmam a tendência positiva de fecho de semana ou se o mercado opta por realizações depois do rali dos últimos meses, numa altura em que as bolsas negoceiam perto de máximos históricos e se aproxima o início da divulgação de resultados trimestrais.
As curvas de juros soberanos acentuaram-se em ambos os lados do Atlântico, impulsionadas pela queda dos rendimentos de curto prazo. As expectativas de novos aumentos das taxas de juro por parte do BCE também diminuíram, com os mercados a deixarem de precificar totalmente uma subida das taxas de juro nos próximos 12 meses. No mercado cambial, o dólar desvalorizou face a outras moedas, enquanto o euro apreciou 0,5%.
Mercados europeus à espera da reação do preço do petróleo à decisão da OPEP+
Na Europa, onde a negociação decorreu normalmente na sexta-feira apesar do feriado norte-americano, as principais praças fecharam a semana em terreno positivo, apoiadas pela recuperação dos valores tecnológicos e por indicadores de atividade acima do esperado.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,25%, para 10.679,03 pontos; em Frankfurt, o DAX subiu 0,85%, para 25.797,48 pontos; em Paris, o CAC 40 ganhou 0,39%, para 8.508,07 pontos; em Milão, o FTSE MIB avançou 0,75%, para 52.818,85 pontos; e em Madrid, o Ibex 35 subiu 0,93%, para 19.854,90 pontos. Em Lisboa, o PSI destacou-se com um ganho de 1,40%, para 9.328,28 pontos, com 10 das suas 16 cotadas a valorizarem mais de 1,3%.
O suporte veio também do lado macroeconómico, já que os PMI de serviços de junho da Alemanha, da zona euro e do Reino Unido foram revistos em alta face às leituras preliminares, reforçando a perceção de resiliência da atividade económica europeia.
Para hoje, o tom dependerá em boa parte da abertura de Wall Street e da reação do preço do petróleo à decisão da OPEP+ do fim de semana, com o setor energético europeu sob particular escrutínio.
OPEP+ aumenta produção em agosto
No plano energético, a OPEP+ voltou a surpreender pela continuidade: sete países da aliança liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — decidiram, este domingo, aumentar a produção de petróleo a partir de agosto pelo quinto mês consecutivo, em 188 mil barris por dia, mantendo o ritmo já aplicado em junho e julho.
O grupo reiterou o compromisso com a estabilidade do mercado, sublinhando que manterá uma abordagem cautelosa e total flexibilidade para aumentar, pausar ou reverter a retirada dos cortes voluntários consoante a evolução da procura e da oferta, e estendeu até ao final de dezembro de 2026 o prazo para os países compensarem os volumes produzidos acima das quotas desde janeiro de 2024.
Analistas mostram-se, no entanto, céticos quanto ao impacto real da medida: Jorge Leon, da Rystad Energy, considera que o mercado não sofre de escassez de anúncios de quotas, mas sim de escassez de barris físicos que possam efetivamente chegar ao mercado, pelo que o aumento funcionaria mais como sinal político do que como reforço efetivo de oferta.
Do lado dos preços, o brent tem negociado perto dos 72 dólares por barril, em níveis semelhantes aos anteriores ao eclodir do conflito no Médio Oriente, no final de fevereiro, pelo que a reação desta segunda-feira à notícia da OPEP+ será um dos pontos a acompanhar nas cotações da energia.
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