Moçambique: condições das empresas melhoraram em junho apesar de fragilidade
As condições das empresas em Moçambique melhoraram em junho, após dois meses consecutivos de contração, com expansão de produção e novas encomendas, apesar a situação permanecer “frágil”, segundo o índice PMI do Standard Bank.
O estudo mensal, a que a Lusa teve hoje acesso, concluiu que a recuperação registada em junho “foi sustentada por expansões modestas na produção e novas encomendas, assinalando as primeiras melhorias desde março” último.
“No entanto, a retoma manteve-se frágil, limitada por desafios persistentes, incluindo a escassez de combustível e as crescentes pressões sobre os preços, que provocaram o aumento mais acentuado dos encargos com a produção em quase quatro anos”, sublinha o estudo.
Em junho, o PMI Moçambique situou-se no nível neutro de 50,0, “registando um ligeiro aumento” face a maio, o que indica que “as condições das empresas estabilizaram, depois de terem sido registadas ligeiras deteriorações nos dois meses anteriores”.
O índice PMI inverteu em janeiro último o crescimento do final de 2025, ao descer para 50 pontos e em fevereiro voltou a recuperar, subindo para 50,2, mantendo-se no mesmo valor em março e recuando para 49,8 pontos em abril. Seguiu-se uma ligeira recuperação em maio, para 49,9, repetido em junho.
Indicadores do PMI acima de 50 pontos apontam para uma melhoria nas condições das empresas em relação ao mês anterior, enquanto indicadores abaixo desse valor mostram uma deterioração.
“O regresso do índice ao equilíbrio refletiu tendências opostas em junho, com melhorias ligeiras na produção e nas novas encomendas a serem anuladas por inventários mais reduzidos e por uma ligeira diminuição dos constrangimentos na cadeia de abastecimento. Em contrapartida, a afluência de novos negócios voltou a registar crescimento, pela primeira vez em três meses, tendo os inquiridos referido a obtenção de novos clientes, os lançamentos de produtos e a renovação de ‘stocks’ como os principais fatores”, lê-se
Os volumes de produção também aumentaram, neste caso “impulsionados pela abertura de sucursais e por alterações operacionais estratégicas”, embora “o ritmo de crescimento tenha sido pouco significativo”.
“O emprego foi outra métrica que registou uma melhoria em junho, tendo as empresas criado mais postos de trabalho pelo décimo terceiro mês consecutivo e a um ritmo ligeiramente mais acelerado. Contudo, a taxa de crescimento permaneceu relativamente moderada”, refere ainda.
Citado no estudo, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, sublinha, sobre os dados de junho, que os preços da produção no país “aumentaram de forma expressiva”, refletindo “uma combinação do impacto do aumento do preço dos combustíveis em maio e dos episódios de escassez de combustíveis em maio e junho, o que constrange o crescimento da produção”.
Refere igualmente que o estudo de junho “sinaliza uma melhoria no sentimento empresarial, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a registar um aumento para o valor mais elevado dos últimos três anos”.
“Este resultado do inquérito mensal pode bem refletir expectativas de que o avanço dos vários projetos de gás natural liquefeito (GNL) contribua para um aumento da procura agregada nos próximos 12 meses”, aponta ainda Mussá.
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