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Projeto europeu de 5,5 milhões quer acelerar produção sustentável de ingredientes naturais

Projeto europeu de 5,5 milhões quer acelerar produção sustentável de ingredientes naturais

Um consórcio europeu coordenado pela empresa portuguesa SilicoLife vai desenvolver, durante os próximos quatro anos, uma plataforma baseada em inteligência artificial (IA) e biotecnologia para acelerar a produção sustentável de ingredientes naturais utilizados nos setores dos suplementos alimentares, cosméticos, medicamentos e fragrâncias.
O projeto ORIGIN (Optimized Routing and Industrial Generation of Ingredients from Nature), financiado em 5,5 milhões de euros pelo programa Horizonte Europa, pretende reduzir o tempo necessário para desenvolver novos ingredientes de vários anos para dois a três anos, recorrendo à fermentação de precisão e a ferramentas de IA.
Segundo os promotores, muitos compostos naturais usados atualmente são obtidos através da colheita de plantas como Rhodiola rosea, Panax ginseng e Ginkgo biloba, uma prática que pode ameaçar a biodiversidade, originar matérias-primas com qualidade variável e aumentar o risco de adulteração dos produtos. A fermentação de precisão, que utiliza microrganismos para produzir estas moléculas em biorreatores, surge como uma alternativa mais sustentável, embora os processos de desenvolvimento continuem a ser demorados.
O coordenador do projeto e diretor de Inovação da SilicoLife, Paulo Maia, afirmou que a iniciativa pretende reforçar a competitividade europeia através da integração de inteligência artificial, biotecnologia, fermentação e sustentabilidade numa plataforma comum para a produção de ingredientes naturais de elevado valor.
“O ORIGIN não se resume apenas a melhores moléculas. Trata-se de construir capacidade tecnológica, resiliência e liderança industrial na Europa”, afirmou, citado em comunicado.
O projeto prevê, entre outras atividades, a identificação de novas enzimas microbianas a partir de uma base de dados genómica com mais de 10 mil milhões de sequências, a otimização de vias de produção com recurso à inteligência artificial e a validação dessas soluções em diferentes microrganismos industriais.
A Universidade NOVA de Lisboa participa no consórcio através de três grupos de investigação do ITQB Nova, além de atividades nas áreas da ciência cidadã e da comunicação.
Segundo a vice-reitora da Universidade NOVA de Lisboa e investigadora principal no ITQB Nova, Isabel Rocha, a participação representa uma oportunidade para desenvolver e implementar ferramentas avançadas e biotecnologia de ponta com impacto científico, social e económico.
O consórcio ORIGIN integra sete parceiros de seis países: a SilicoLife e a Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, a Universidade Técnica da Dinamarca, o CSIC, em Espanha, a BaseCamp Research, no Reino Unido, a EPFL, na Suíça, e a dsm-firmenich, nos Países Baixos.

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