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Café tem maior subida diária desde o início do século

Café tem maior subida diária desde o início do século

O café registou na passada segunda-feira a maior subida diária desde o início deste século. Durante a sessão os contratos de [café] arábica chegaram a valorizar quase 18% e encerram o dia com uma subida de 15%, passando a barreira dos 350 cêntimos por libra pela primeira vez desde janeiro, a maior variação de preço num único dia desde 2000, assinalou a corretora XTB. O clima foi o fator que contribuiu para este disparo na matéria-prima.
“As condições meteorológicas estão mais uma vez a ditar a dinâmica do mercado, impulsionando os preços do café até aos 350 cêntimos por libra, atingindo quase os níveis mais elevados deste ano. Há exatamente um ano, na sequência da queda dos preços do café Arábica – para valores inferiores a 300 cêntimos por libra – foi possível debater o fim dos preços elevados no mercado do café. Embora os preços nas lojas e nos cafés se mantivessem elevados, as perspetivas relativas à evolução dos fundamentos globais, deram aos consumidores a esperança de que a situação pudesse melhorar. Em outubro de 2025, foi observado outro pico próximo dos 440 cêntimos por libra, mas, desde então, o preço desceu para 250 cêntimos por libra na viragem de maio para junho, antecipando colheitas recorde no Brasil”, salientou a corretora esta terça-feira.
A XTB assinalou que na região brasileira de Minas Gerais, que é responsável pela maior parte da produção mundial de arábica, surgiram primeiro fortes chuvas em junho de 2026. “Na semana que terminou a 28 de junho, a precipitação foi quase 2000% superior à média histórica, o que impediu completamente a entrada de maquinaria nos campos e deteriorou gravemente a qualidade dos grãos, atrasando as colheitas para 52% (em comparação com 60% no ano anterior e 55% face à média de cinco anos)”, explicou.
“A somar, verificou-se uma reviravolta drástica na direção oposta imediatamente a seguir, com uma ausência total de precipitação (exatamente 0 mm) no início de julho. Tendo em conta que as culturas de café não toleram bem as variações climáticas, uma reviravolta de 180 graus como esta, pode alterar drasticamente as perspetivas de colheita para esta e para a próxima época”, acrescentou a corretora.
Isto fez com que os preços dos contratos de Arábica para setembro valorizassem quase 18%, durante a sessão de segunda-feira, tendo chegado ao fim do dia com uma subida de 15%, “ultrapassando a barreira dos 350 cêntimos por libra pela primeira vez desde janeiro – a maior variação de preço num único dia” desde 2000.
“A variedade de café mais barata e mais forte, o [café] Robusta, não ficou atrás, subindo 8% e ultrapassando o nível de 4100 USD por tonelada. Vale a pena salientar que o fenómeno climático El Niño afeta o clima no Brasil de forma mista, mas tem um significado inequívoco para a produção de café no Sudeste Asiático. Secas severas provocam uma queda clara na produção de Robusta. Em resposta às perspetivas meteorológicas em mudança, os fundos de investimento começaram a apressar-se a cobrir posições curtas, reagindo à confirmação oficial da anomalia climática do El Niño no Pacífico. Atualmente, os meteorologistas atribuem uma probabilidade de 67% à chegada de uma versão devastadora do Super El Niño, que ameaça a floração adequada dos cafeeiros”, referiu a corretora.
A XTB salienta que distribuidores e proprietários de cafés não querem assumir estes aumentos por conta própria. “Os stocks de Arábica certificada monitorizados pela Intercontinental Exchange (bolsa de mercados financeiros e de matérias-primas, ou ICE na sigla inglesa) diminuíram para o seu nível mais baixo em mais de dois anos; existe simplesmente uma escassez de mercadorias físicas no mercado. Embora os dados do USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos] mostrem um excedente ao longo de vários anos, os stocks globais estão em constante diminuição”, acrescentou.
“No Vietname (um importante produtor de Robusta), os agricultores enfrentam uma seca precoce e uma pressão drástica sobre os custos anuais. Os preços dos fertilizantes e dos combustíveis registaram um aumento de 30% em relação ao ano anterior, e os custos com a mão-de-obra subiram mais 33%”, disse a corretora.
Crescimento do café pode continuar até final do ano
A corretora assinalou que as análises históricas dos últimos anos revelam que agosto é frequentemente um dos melhores meses do ano para os preços do café, e o potencial de crescimento, com base na média de cinco anos, “pode persistir” até ao final do ano.
“Para completar este quadro do mercado, vale a pena analisar outras matérias-primas agrícolas, uma vez que o café não é um caso isolado de preços elevados. Tal como mencionado na semana passada, o cacau, que após uma subida estrondosa nos preços em 2024 sofreu uma queda acentuada no início de abril de 2026 para o nível de 3000 dólares por tonelada (causada por uma destruição maciça da procura e pela alteração das receitas por parte dos fabricantes), disparou subitamente na viragem de junho para julho, atingindo os níveis mais elevados desde janeiro”, referiu a corretora.
“Exatamente durante a mesma sessão agitada de 6 de julho, o contrato de cacau para setembro em Nova Iorque subiu cerca de 13–14%, atingindo um pico de seis meses ao nível de 5700 dólares por tonelada. A razão é quase idêntica: chuvas excessivas na África Ocidental, que inundaram as vias de transporte e provocaram epidemias de doenças nas árvores, além de terem tido um impacto negativo no cacau ainda não vendido, que agora poderá não estar apto para quaisquer entregas”, acrescentou a corretora.

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