Empresários alemães alertam que proposta de corte fiscal arrisca “nova década perdida”
Os empresários alemães estão descontentes com a proposta de simplificação e corte fiscal apresentada pelo governo liderado por Friedrich Merz, alertando que os 10 mil milhões de euros previstos em baixas de impostos poderão não ser suficientes para dar o impulso de que a economia necessita.
O ‘Financial Times’ consultou vários diretores executivos e líderes empresariais germânicos a propósito da proposta do Executivo para reduzir impostos, um objetivo que estes empresários partilham, mas onde gostariam de ver maior ambição. Em concreto, o risco de nova “década perdida” é real, apontam.
Do lado da Siemens, o diretor executivo, Roland Busch, fala na “necessidade de mais reformas”, apontando os elevados custos do trabalho para lá do salário (sobretudo as contribuições para o sistema de segurança social) como “uma desvantagem competitiva significativa”.
Já Oliver Steil, diretor do TeamViewer, reconheceu o “sinal positivo” que a proposta transmite, mas teme que “partes não sejam grandes o suficiente para terem um impacto”.
Outros líderes empresariais falaram sob anonimato, apontando a decisões de investimento adiadas ou canceladas e à possibilidade de mudarem as suas sedes de país.
Merz e a sua coligação apresentaram recentemente os planos para cortar 10 mil milhões de euros em impostos, ou o equivalente a 0,21% do PIB alemão em 2025. À altura, o chanceler falou num “grande dia para a Alemanha”, projetando ganhos consideráveis com as alterações.
De notar que, ajustado à inflação, o PIB da maior economia europeia mantém-se ao mesmo nível que em 2019, antes da pandemia. Em particular, a indústria, outrora o grande destaque do motor económico do bloco europeu, vive uma longa crise motivada por anos de desinvestimento, um modelo esgotado e a concorrência crescente de outras potências industriais, com a China à cabeça.
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