Revisão da população reduz taxa de criminalidade dos últimos anos
A taxa de criminalidade em Portugal foi de 32 crimes por cada mil habitantes em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), uma subida face a 2024 (31,2), mas que fica abaixo de 2023 (33,2). Estes últimos dois valores (tal como os dos dois anos anteriores) são já reflexo da revisão do INE — antes, estavam em causa mais cerca de dois crimes por mil habitantes (33 e 35, respetivamente, segundo as contas do Jornal Económico).
Com este valor, a incidência da criminalidade do ano passado é a quinta mais baixa desde 1998. E a taxa de 2024 passa a ser a terceira, incluindo os anos de 2020 (28,7 crimes) e 2021 (28,4) — períodos em que houve confinamentos (com menos oportunidades para várias tipologias de crime). Sem esse período de excepção, o valor de 2024 teria sido o mais baixo em pelo menos 28 anos. E a taxa de 2025 seria a terceira mais baixa.
Historicamente, a incidência da criminalidade em Portugal nos últimos anos já se encontrava em níveis reduzidos. Mesmo antes desta revisão populacional, o pico de 2023 era inferior a qualquer taxa entre 1999 e 2013.
Os valores mais elevados foram registados entre 2008 e 2010 (na casa dos 40 crimes), período que coincide com a crise financeira global. Nos anos seguintes, durante a Troika, houve uma progressiva redução, com quatro descidas consecutivas a partir de 2011 (até atingir 33,8 em 2014), num contexto de queda da população (menos 163 mil pessoas em quatro anos). E depois estabilizou: em seis dos últimos oito anos (com exceção do período da pandemia), andou sempre entre 31 e 32 crimes por mil habitantes.
A análise por categoria não altera as conclusões. Nos crimes contra a integridade física, a taxa de criminalidade está em cinco por 1.000 habitantes, o valor mais baixo desde pelo menos 2011. O mesmo se aplica aos furtos de veículo e em veículo motorizado (2,4) e aos furtos e roubos por esticão e na via pública (0,6) — neste caso, ao mesmo nível do período 2021-2023. Os crimes contra o património (16,2) só não são o valor mais reduzido porque na pandemia foi inferior (de 2020 a 2022 oscilou entre 14 e 15 por mil habitantes).
As duas únicas categorias em que a taxa de criminalidade não está em níveis historicamente baixos dizem respeito ao comportamento na estrada: a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l é de dois por cada mil (tinha sido inferior entre 2017 e 2021 e em 2024) e a condução sem habilitação (1,3), que supera nove dos últimos 15 anos.
Criminalidade sobe menos do que população
Comparando com os dados imediatamente anteriores à pandemia, houve um aumento de 9% na criminalidade registada entre 2019 e 2025: mais 30 mil, para um total de 365 mil crimes, segundo as contas do JE, com base no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), publicado no final de março. Só que, sabe-se agora, este aumento ocorreu enquanto a população crescia 10,1%, cerca de um milhão de pessoas desde 2019, sobretudo imigrantes.
Numa altura em que os cidadãos estrangeiros representam 14% da população, a incidência da criminalidade é uma das mais baixas em quase três décadas, comparando bem com o pré-pandemia (32,3 crimes por mil habitantes em 2019) e com o registo de há uma década (os mesmos 32 crimes em 2016). Nesses anos, porém, os cidadãos estrangeiros representavam apenas entre 3% e 4% dos residentes. Ou seja, o peso dos imigrantes duplicou no país, mas os níveis de criminalidade mantiveram-se estáveis em relação à população.
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