Eixo Alemanha, Reino Unido e França investe 46 mil milhões em defesa
A Alemanha, o Reino Unido e a França uniram-se a outras nações europeias para investir mais 46 mil milhões de euros no desenvolvimento conjunto de armas de precisão de longo alcance para a NATO. Esta iniciativa liderada pelo governo britânico foi formalmente anunciada na cimeira da NATO em Ancara. O plano estende-se pelos próximos 10 anos e visa capacitar a Europa com armas de ataque profundo (‘deep-strike’) sem depender diretamente do apoio ou de tecnologia dos Estados Unidos.
Individualmente, a Alemanha vai investir mais 50 mil milhões de euros em projetos de defesa. A Bundeswehr, o exército germânico, está a comprar tanques de combate, obuses, e munições para sistemas de defesa aérea e satélites, entre outros equipamentos, num esforço de financiamento da ordem dos 50 mil milhões de euros, já aprovados pela Comissão de Orçamento do Parlamento Federal. Trata-se de um total de 30 projetos de aquisição.
Os projetos mais importantes incluem o sistema de satélites de radar Spock, que será fornecido pela alemã Rheinmetall, até 876 veículos blindados com rodas 6×6 do fabricante finlandês Patria em várias versões e até 500 obuses de rodas RCH155, que serão fabricados por uma empresa comum entre a Rheinmetall e a KNDS. As comissões da Defesa e do Orçamento aprovaram também a aquisição de mísseis guiados para os sistemas de defesa aérea Patriot (dois mil milhões de euros) e Iris-T SLM, um novo lote de veículos de combate de infantaria Puma, veículos de comando Eagle e drones de reconhecimento Quantum Systems. Mais de quatro mil milhões de euros foram alocados à aquisição de veículos de combate de infantaria Puma adicionais (2ª série).
A aquisição de vestuário e equipamento para 460 mil soldados, que corresponde ao futuro número de efetivos da Bundeswehr, também representará uma parte significativa. Além disso, cerca de 80 mil funcionários civis da Bundeswehr também deverão ser equipados com equipamento de proteção.
“Estamos a falar a sério quando dizemos que estamos a equipar a nossa Bundeswehr para ser poderosa e resistente, e o mais rapidamente possível”, afirmou o ministro da Defesa Boris Pistorius (SPD). De acordo com o Ministério da Defesa, foram iniciados este ano grandes projetos de armamento com um volume total de 82,98 mil milhões de euros. Nos últimos três anos, foi investido um total de 188,4 mil milhões de euros na indústria da defesa.
O porta-voz da política orçamental do grupo parlamentar dos Verdes no Bundestag, Sebastian Schäfer, explicou, citado pela agência Euronewa, que as “compras de Natal do Ministério da Defesa” mostram claramente “porque é que o Tribunal Federal de Contas tem avisado repetidamente que recursos financeiros ilimitados não devem levar a aquisições sem sentido”. Como exemplo, Sebastian Schäfer citou a encomenda de mais veículos de combate de infantaria Puma: “A Bundeswehr está agora a encomendar 200 Pumas adicionais, apesar da prontidão operacional dos sistemas existentes ser baixa”.
Foram 50 mil milhões de euros de despesas, pagamentos antecipados à indústria no valor de cinco mil milhões de euros “com justificações por vezes frágeis” e inúmeras autorizações de autorização por descobrir, disse Schäfer.
Os contratos de construção, os planos de cooperação e os projetos de desenvolvimento têm muitas vezes várias centenas de páginas, que têm de ser processadas e verificadas pelos políticos da defesa e pelos responsáveis orçamentais num espaço de tempo muito curto. “Isto não é possível de uma forma séria”, esclareceu Schäfer. Todos os projetos são financiados por empréstimos e os riscos financeiros associados às aquisições são consideráveis.
Há também críticas à definição de prioridades. Os críticos questionam se faz sentido adquirir vestuário e equipamento para 460 mil soldados agora, quando o objetivo do número de tropas ainda está a vários anos de distância. Recorde-se que a Alemanha aprovou recentemente o projeto de orçamento para 2027 elevando os gastos em defesa para 109,7 mil milhões de euros.
Mesmo antes da apresentação do projeto, protagonizado pelo primeiro-ministro cessante Keir Starmer, o projeto já está envolvido em polémica. De facto, o provável novo primeiro-ministro Andy Brunham, disse que talvez não fosse boa ideia Starmer avançar com um projeto que não vai ser gerido por si nem por um gabinete de sua ‘autoria’.
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