Mercado espera volatilidade com defesa e energia a segurarem índices e tech sob pressão. SpaceX caiu 6,8% na estreia no Nasdaq
Wall Street fechou a sessão desta terça-feira em queda. O S&P 500 fechou nos 7.513,20 pontos a recuar 0,59%; o Dow Jones fechou nos 52.949,50 pontos a cair 0,41%; e o Nasdaq Composite perdeu 1,16% fechando nos 25.818,7 pontos. Já o Nasdaq 100 que recebeu a SpaceX de Elon Musk fechou a cair 1,78% para os 29.231,60 pontos. A SpaceX caiu 6,8% na estreia no Nasdaq 100.
Já o Russell 2000 fechou nos 2.981,59 pontos, a descer 1,23%.
O setor de tecnologia caiu significativamente esta terça-feira. A ASML tombou 7,3% e arrastou o setor europeu. Esta quarta-feira, dia 8 de julho, o foco segue nas empresas de chips: Micron, Marvell e Intel tiveram fortes ganhos recentes com IA, mas há receio de valorizações exageradas.
O mercado espera a manutenção dos juros da Fed na reunião de junho, mas inflação nos EUA subiu para 4,2% em maio. Uma Fed mais dura ainda é um risco para os mercados.
O mercado precifica pelo menos uma subida de 25 pb até fim do ano. Dados de inflação de maio revelaram 4,2%. Os pedidos de subsídio desemprego revelados na próxima quinta-feira ganham peso.
Futuros de Wall Street devem abrir condicionados por petróleo e declarações sobre Irão. A marcar do dia está assim a tensão EUA-Irão que continua a ditar o risco de mercado. Um cessar-fogo frágil foi anunciado em abril, mas houve novas trocas de ataques. O Estreito de Ormuz ficou fechado 4 meses e impactou nos preços energia. O Estreito de Ormuz reabriu mas o tráfego ainda é limitado. Qualquer escalada pressiona a cotação do petróleo e das ações.
Para esta quarta-feira os catalisadores são a conferência de imprensa Trump/Zelensky; o petróleo WTI que esta terça-feira agravou 1,10% para 91,59 dólares o barril. É esperada alguma rotação, com o dinheiro a sair de chips e a entrar em defesa pelos contratos da NATO.
Na Europa, o Stoxx 600 fechou esta terça feira a cair 0,65% para os 646,29 pontos. O DAX recuou 1,37%, o CAC40 perdeu 0,51%; o IBEX desceu 0,22%; o italiano FTSE MIB caiu 0,95%; e o holandês também cedeu 0,32%.
Já o PSI subiu em contraciclo (+0,35%). Também o britânico FTSE 100 subiu 0,13%.
Saíram esta terça-feira os pedidos à indústria alemã que caíram 3,8% em abril versus os -2,2% esperados.
Para esta quarta-feira os catalisadores serão a declaração final da NATO às 09h00 e as ações das empresas de tech pressionadas. A ASML fechou a cair -7,3% e arrastou setor para uma queda de -3,6%.
“As bolsas europeias encerram em queda, arrastadas pela correção expressiva no setor Tecnológico. A reação muito negativa às contas preliminares da coreana Samsung, uma gigante mundial de chips de memória, arrastou o setor de semicondutores, que engloba cotadas como ASML, Siltronic, Infineon, Aixtron e BE Semiconductor, fornecedoras da Samsung”, destacaram os analistas da MTrader.
O Brent a 94,49 dólares (+1,54%) não dá tréguas à macroeconomia.
Recorde-se que o Mecanismo Europeu de Estabilidade avisou que a venda de ativos dos EUA e a guerra no Oriente Médio podem levar a zona euro à recessão em 2027 e inflação a 5%. Exposição da Europa aos EUA subiu para 47% do PIB.
NATO em Ancara
Donald Trump chegou terça-feira e reuniu com Recep Tayyip Erdoğan, Presidente da Turquia.
Aos jornalistas em Ancara disse que “a resolução da guerra na Ucrânia está mais próxima do que as pessoas imaginam”. Falou com o Presidente da Rússa, Vladimir Putin, e vai falar com Zelenskiy esta quarta-feira, para “tentar pôr fim à guerra”. O Kremlin diz que vai “acompanhar de perto” a cimeira. Peskov disse esperar que esforços dos EUA para paz “acabem por ter sucesso”.
Por outro lado, Mark Rutte anunciou dezenas de mil milhões em contratos esta terça-feira: drones Northrop Grumman para europeus, caças Saab para a NATO, e produção conjunta EUA-Alemanha de mísseis para a Ucrânia. Objetivo: mostrar a Trump que Europa está a gastar mais com defesa. Foi aprovado um texto pelos embaixadores prevê que líderes reafirmem “compromisso inabalável” com Artigo 5º e 70 mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia em 2026. Em 2025, Europa e Canadá já aumentaram 139 mil milhões de dólares em defesa.
Vladimir Zelensky não participa na sessão plenária da cimeira da NATO em Ancara, nos dias 7 e 8 de julho, porque a Ucrânia não é membro da NATO e segundo notícias internacionais foi para evitar o risco de desentendimentos com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Como isto afeta os mercados? Após anúncio dos contratos, pode haver rotação. Mas setor caiu -2,5% hoje com “sell the news”. Lockheed, BAE, Rheinmetall em foco.
O cenário Bull surge se Trump anuncia passo concreto para paz, aí o S&P 500 pode caminhar rumo aos 7.600 pontos e o Stoxx 600 recupera 1%. No encontro Trump, Zelensky e Erdogan, se houver aperto de mão e a menção a “cessar-fogo”, os futuros devem disparar.
O cenário Bear pode surgir com escalada no Irão ou com Trump a criticar a NATO.
Volatilidade deve continuar elevada — o VIX subiu para 20,65 pontos.
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