Governador diz que opção por edifício único com valor de 166 milhões foi tomada por unanimidade
O Governador Álvaro Santos Pereira alterou o projeto de Mário Centeno para a sede do Banco de Portugal (BdP). A decisão de alterar o contrato que tinha sido feito com a Fidelidade e que leva o BdP a ficar apenas com o edifício A1, em vez de dois edifícios como estava no projeto aprovado no mandato de Mário Centeno, foi tomada por unanimidade no Conselho de Administração, assegurou o Governador.
O anúncio foi feito pelo governador no parlamento. Álvaro Santos Pereira argumentou que fatores como a política de teletrabalho levaram a uma reformulação do projeto inicial. “Acreditamos que existe outra solução dentro do complexo de Entrecampos mais adequado às necessidades futuras do Banco de Portugal”, afirmou o Governador.
“Mais concretamente, o edifício principal (…) permitirá albergar todos os nossos trabalhadores em Lisboa, com exceção de serviços de tesouraria e de museu, que irão continuar na sede histórica. Este edifício será ainda complementado com um novo auditório para cerca de 400 pessoas”.
“Estimamos que esta nova solução, irá permitir poupar entre 35 milhões e 40 milhões de euros, em comparação com a opção inicialmente acordada com o promotor do empreendimento”, revelou.
Segundo o governador, este novo edifício terá um custo de cerca de 165,87 milhões de euros e será financiado através da alienação de imóveis do Banco de Portugal. Esta operação permitirá gerar poupanças anuais de 11 milhões de euros em custos operacionais ao longo dos próximos 20 anos.
Álvaro Santos Pereira defendeu ainda a intenção do Banco de Portugal de “regressar ao território”, reforçando as agências regionais do banco central o que acompanhará a contratação de mais colaboradores.
Governador realça “unanimidade” na decisão de ficar somente com o edifício A1 do complexo de Entrecampos
“Houve unanimidade nas duas decisões por parte do Conselho de Administração. Vejo uma evolução na decisão. As circunstâncias mudaram, as necessidades evoluíram e por isso o Conselho de Administração toma uma decisão unanime. Foram decisões com estudos técnicos e, independentemente de ser tomada no momento em que foi tomada, foram decisões ponderadas. Temos dos melhores técnicos do país, são decisões que são ponderadas do ponto de vista técnico de uma forma muito incisiva”, disse Álvaro Santos Pereira.
Recorde-se que o Conselho de Administração do Banco de Portugal é praticamente o mesmo do anterior Governador Mário Centeno.
O governador do Banco de Portugal assegurou esta quinta-feira, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), que a nova solução para a sede do banco central em Lisboa, que passa pela aquisição de um único edifício junto à Fidelidade, é “mais barata, mais segura” do que o projeto anterior, pois, garantiu “não haverá partilha de espaços com outras entidades”.
Em audição parlamentar marcada por trocas acesas entre deputados de vários partidos, o governador explicou que a decisão, tomada por unanimidade pelo atual Conselho de Administração, resulta de uma “evolução das circunstâncias” desde a aprovação do projeto anterior — que previa dois edifícios (A2 e A3) — nomeadamente a experiência de um ano de trabalho em regime de open space no edifício Álvaro Pais, a maior flexibilização do teletrabalho e o avanço da mobilidade regional dos trabalhadores.
O novo edifício, identificado como A1, terá capacidade para acolher a totalidade dos 1.433 trabalhadores que, segundo dados de outubro de 2025, exercem funções em Lisboa, mesmo num cenário mais exigente com cerca de 150 gabinetes individuais para direção, direção adjunta e coordenadores. O governador insistiu que “não há dúvidas nenhumas” de que a solução tem capacidade para albergar todos os efetivos, independentemente da mobilidade regional.
Sobre este último ponto, o governador revelou que um inquérito interno identificou 160 trabalhadores interessados em, a curto ou médio prazo, passar a exercer funções fora de Lisboa — em cidades como Coimbra, Porto, Castelo Branco, Évora, Braga, Faro ou nas regiões autónomas —, dos quais cerca de 50 manifestam já essa vontade de forma mais concreta.
As obras necessárias para acomodar estes 50 trabalhadores na rede regional estão orçamentadas em 59 mil euros, segundo o governador.
Quanto aos custos, o responsável confirmou que o acordo de core and shell alcançado com a Fidelidade ascende a 165,87 milhões de euros, a que acresce um fit-out estimado entre 52 e 62 milhões de euros — valor inferior aos 63 a 73 milhões previstos no projeto anterior, com dois edifícios. O governador sublinhou que só haverá lugar a perda do sinal de 57 milhões de euros num “cenário limite”, caso o Banco de Portugal decida sair do contrato de promessa de compra e venda; nas negociações em curso com a Fidelidade, remetidas para um memorando de entendimento que antecede um aditamento ao Contrato de Promessa de Compra e Venda (CPCV), essa indemnização não está prevista.
“Estamos a trabalhar no memorando de entendimento que será um aditamento ao Contrato de Promessa de Compra e Venda (CPCV)
O governador defendeu ainda que a nova solução reforça a segurança, uma vez que o edifício A1 terá “verticalidade total”, sem lojas ou espaços geridos por terceiros — ao contrário do projeto anterior, que previa espaços comerciais e estacionamento partilhados no A3. O auditório, com capacidade para 400 pessoas (o dobro do anteriormente previsto), ficará fisicamente separado do edifício principal, por opção deliberada de segurança, numa praça que o Banco de Portugal espera venha a ser batizada pela Câmara Municipal de Lisboa.
Recorde-se que o Banco de Portugal (BdP), ainda no tempo de Mário Centeno, anunciou no início do ano que estabeleceu um memorando de entendimento com a seguradora Fidelidade para a construção da sua nova sede em Entrecampos, em Lisboa, no antigo espaço da Feira Popular. Este negócio foi anunciado com um valor de 191,99 milhões de euros.
BCE respondeu que a IGF, por depender do Ministério das Finanças, não tem competência para auditar o banco central
Questionado sobre um pedido de auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF), o governador esclareceu que o Banco de Portugal facultou a informação solicitada pelo gabinete do Ministro das Finanças, mas que, perante um pedido adicional que se assemelhava a uma auditoria, consultou o Banco Central Europeu (BCE). Segundo o governador do BdP, o BCE respondeu que a IGF, por depender do Ministério das Finanças, não tem competência para auditar o banco central, ao abrigo dos Tratados da União Europeia e das regras do Eurossistema. O Banco de Portugal manifestou-se disponível para prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas, caso tal seja considerado necessário.
Sobre o terreno do Alto dos Moinhos, o governador confirmou que o processo de licenciamento, iniciado em 2017, continua por concluir e que o Banco de Portugal tenciona alienar esse ativo, bem como o imóvel na Almirante Reis, assim que possível. Quanto ao edifício histórico do Rossio, disse que ainda é cedo para uma decisão sobre o seu destino, adiantando apenas que as rendas praticadas, nomeadamente “a de um café ali instalado, foram atualizadas”.
A audição ficou marcada por confrontos entre a maioria e a oposição. O deputado socialista Carlos Pereira acusou o governador de “amadorismo” na apresentação de números, questionando se os custos com a manutenção da tesouraria na Rua do Ouro e com investimentos na rede regional foram devidamente contabilizados, e criticou a alteração de posição do Conselho de Administração relativamente ao projeto anterior. Já o deputado do CDS Paulo Núncio somou os valores apresentados — 165 milhões de core and shell, até 62 milhões de fit-out e os eventuais 57 milhões de perda de sinal — para estimar um custo total próximo dos 300 milhões de euros,
Álvaro Santos Pereira disse peremptoriamente que “não há perda de sinal”.
O deputado do Chega, Eduardo Teixeira, exaltou o facto de a operação representar uma poupança global na ordem dos 55 milhões de euros ao longo de 20 anos, face a uma poupança anual estimada em 11 milhões de euros.
O governador reiterou que os três edifícios do complexo — A1, A2 e A3 — já se encontram em construção, atualmente ao nível do primeiro e segundo pisos, segundo verificou em visita recente ao local.
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