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Mercados sob pressão geopolítica renovada no Médio Oriente

Mercados sob pressão geopolítica renovada no Médio Oriente

Os investidores iniciam a sessão de quinta-feira com um sentimento de maior aversão ao risco, depois de uma quarta-feira marcada por fortes oscilações nos mercados globais, impulsionadas pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e pela subida acentuada do petróleo. A atenção continuará centrada na evolução do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irão, bem como no impacto que um petróleo mais caro poderá ter sobre a inflação e a política monetária.
Os mercados enfrentam assim uma pressão renovada devido à escalada geopolítica no Médio Oriente. As tensões EUA-Irão aumentaram após ataques retaliatórios americanos (em resposta a ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz, rota crítica para cerca de 20% do petróleo mundial) e declarações de Donald Trump a indicar que o cessar-fogo está “over”. Isto a par com a revogação de isenções para exportações iranianas, impulsiona o preço do petróleo e gera aversão ao risco.
Esta quinta-feira esperam-se mercados cautelosos, com foco na geopolítica (petróleo em alta, ações voláteis) e olhos nos dados macro dos EUA. Estes serão os catalisadores principais.
Os mercados entram na quinta-feira com um equilíbrio delicado entre dois fatores: por um lado, a resiliência da economia norte-americana e dos resultados empresariais; por outro, o risco de que uma escalada no Médio Oriente reacenda pressões inflacionistas através da energia, obrigando os bancos centrais a manter uma política monetária mais restritiva durante mais tempo. Enquanto persistir a incerteza geopolítica, é expectável que a volatilidade permaneça elevada.
Na sessão de quarta-feira, os principais índices norte-americanos terminaram em terreno negativo, com o índice industrial Dow Jones a sofrer as perdas mais acentuadas, enquanto o S&P 500 recuou ligeiramente e o Nasdaq conseguiu recuperar parte das perdas perto do fecho. O movimento refletiu a subida dos preços do crude e a preocupação de que um novo choque energético possa atrasar a descida das taxas de juro pela Reserva Federal.
Em geral as ações ligadas ao setor energético beneficiaram da valorização do petróleo e o setor tecnológico voltou a ser penalizado, sobretudo fabricantes de semicondutores, numa continuação da correção das ações ligadas à inteligência artificial.
Também as bolsas europeias encerraram quarta-feira em baixa, acompanhando o sentimento negativo vindo de Wall Street e da Ásia. Os investidores reduziram exposição aos ativos de maior risco perante o receio de uma escalada militar no Médio Oriente.
Na quinta-feira, o desempenho das praças europeias deverá continuar dependente da evolução do preço do petróleo; de eventuais desenvolvimentos militares na região do Golfo; da evolução das yields das obrigações soberanas, que subiram com o regresso dos receios inflacionistas.
O Brent registou uma forte valorização durante quarta-feira, aproximando-se dos 79 dólares por barril, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, considerar que o entendimento temporário com o Irão estava “terminado”, na sequência de novos ataques norte-americanos e do endurecimento das sanções contra Teerão.
Os mercados receiam perturbações na circulação de petróleo através do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de crude. Qualquer novo incidente poderá provocar nova volatilidade nos preços da energia.
Sobre o petróleo, a OPEC+ aumentou as quotas de produção, mas o risco de disrupção no supply domina. Pelo que persiste uma pressão inflacionista via energia, um risco de atraso no cortes de juros nos EUA e uma maior volatilidade em ativos de risco.
Já na guerra da Ucrânia as noticias vindas da NATO não apontam para um processo de paz.

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