Aeroportos caóticos, Bruxelas ignora apelos
Portugal é um dos nove países que assinam uma carta dirigida à Comissão Euro peia a pedir o prolonga mento das exceções ao novo sistema de fronteiras inteligentes para além de setembro, data em que as atuais regras deixam de permitir qualquer tipo de flexibilidade.
O documento é subscrito pela Alemanha, França, Itália, Grécia, Países Baixos, Malta e Suíça (não-membro da UE, mas parte de Schengen), e alerta que o fim da flexibilidade é “fonte de preocupação séria e legítima, partilhada pelos Estados-membros e por todo o setor dos trans portes”.
“Experiências até à data demonstram que surgem dificuldades significativas em circunstâncias excecionais, e esses riscos não devem ser subestimados”, lê-se na carta, num apelo comunitário que ganha força com os avisos vindos do terreno.
O Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês) arrancou em outubro, mas os problemas agravaram-se desde a entrada em pleno funcionamento, em abril. Portugal tem sido dos países mais afetados, até porque além dos problemas técnicos confrontou-se com dificuldades em gerir os horários das polícias colocadas nas fronteiras.
Alexander Zinell, diretor-executivo da Fraport Greece, que gere 14 aeroportos gregos — incluindo Corfu, Rodes, Creta e Miconos —, disse ao “Finantial Times” que o sistema tem “falhas fundamentais” e precisa de ser “completa mente reformulado.”
O obrigatório registo biométrico à chegada, com impressões digitais e fotografia em cabinas automáticas, está a gerar filas intermináveis e a deixar passageiros à espera no calor intenso, por vezes sobre o asfalto. Na Grécia, foram mesmo montadas tendas para proteger do sol quem aguarda. Vários aviões partiram sem passageiros que se encontravam retidos no controlo fronteiriço.
Para evitar o colapso, a polícia grega suspendeu temporariamente os controlos biométricos a cidadãos britânicos — a esmagadora maioria dos turistas não comunitários —, uma exceção que vigorará durante o verão e que Zinell descreve como a única coisa a impedir o colapso.
“Estas são apenas correções temporárias, o sistema precisa de ser reformula do”, disse defendendo uma recon figuração que permita o pré-registo antes do voo, à semelhança do Reino Unido, Canadá e EUA. “É absurdo construir mais edifícios para um sistema eletrónico que, em teoria, pode ser feito online.”
A presidente da Comissão Euro peia, Ursula von der Leyen, reconheceu na semana passada “problemas técnicos”, mas Bruxelas resiste a suspender o EES ou a prolongar as exceções.
Um responsável comunitário justifica: a suspensão total nalguns pontos de entrada compromete a reconciliação entre entradas e saídas, arriscando transformar turistas em “permanência ilegal” e negando-lhes futuras entradas.
A par do EES, a Comissão já decidiu adiar para o próximo ano o sistema de pré-autorização de viagens à imagem do norte-americano, aguardando mais testes técnicos. Para Zinell, a recusa em mostrar flexibilidade é “negar a realidade, o que é “simplesmente inviável.”
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