BdP: Economia portuguesa financiou exterior em 2,4% do PIB no primeiro trimestre
O Banco de Portugal divulgou hoje as contas nacionais financeiras referentes ao primeiro trimestre de 2026, que mostram que a economia portuguesa registou uma capacidade de financiamento do exterior de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano terminado naquele trimestre.
O valor representa uma redução de 0,3 pontos percentuais (pp) face ao período homólogo, segundo a nota de informação estatística do banco central.
Os particulares mantiveram-se como o segmento com maior capacidade de financiamento, atingindo 4,1% do PIB. Com este excedente, financiaram em termos líquidos todos os restantes setores residentes e o resto do mundo: o setor financeiro em 1,3% do PIB, o exterior em 1,2% do PIB, as empresas não financeiras em 0,9% do PIB e as administrações públicas em 0,7% do PIB.
Nas operações com o setor financeiro, destacaram-se o aumento do numerário e depósitos, 3,1% do PIB, e dos valores afetos a regimes de seguros, pensões e garantias, 1,6% do PIB. Estes movimentos foram parcialmente compensados pelo aumento dos empréstimos, 4,4% do PIB, sobretudo para habitação.
O Banco de Portugal sublinha que os valores referentes a regimes de seguros foram influenciados pelo aumento das reservas técnicas de seguros não vida, devido aos danos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal no início do ano.
Os particulares investiram ainda 3,1% do PIB em ações e outras participações de empresas não financeiras, do setor financeiro e do resto do mundo.
Empresas não financeiras únicas com necessidade de financiamento
As empresas não financeiras foram o único segmento residente com necessidade de financiamento, fixando-se em 3,5% do PIB no ano acabado no primeiro trimestre. Ainda assim, registaram uma melhoria de 0,4 pp face ao mesmo período de 2025.
O financiamento foi assegurado sobretudo pelo resto do mundo, 2,9% do PIB, com destaque para o investimento em ações, outras participações e títulos de dívida. Os particulares também financiaram as empresas não financeiras em 0,9% do PIB, principalmente via ações e outras participações.
Apesar do recurso a empréstimos, as aplicações em depósitos foram superiores, levando as empresas não financeiras a financiarem, em termos líquidos, o setor financeiro em 0,8% do PIB.
O setor financeiro apresentou uma capacidade de financiamento de 1,2% do PIB, menos 0,2 pp que no ano terminado no primeiro trimestre de 2025. Financiou, em termos líquidos, as entidades não residentes em 4,9% do PIB, com destaque para transações em títulos de dívida, 7,1% do PIB, e em empréstimos, 1,5% do PIB.
As administrações públicas registaram uma capacidade de financiamento de 0,7% do PIB, uma descida de 0,1 pp em termos homólogos. Em sentido inverso, financiaram o setor financeiro em 1,6% do PIB, sobretudo pela redução dos títulos de dívida pública em carteira deste setor, 1,9% do PIB.
O Banco de Portugal esclarece que, nesta nota, a informação apresentada refere-se ao ano terminado no trimestre, exceto se indicado o contrário. O conceito corresponde ao acumulado no trimestre em causa com os três trimestres anteriores, permitindo comparar fluxos anuais e eliminar efeitos de sazonalidade.
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