Moody’s revê pressupostos para obrigações hipotecárias portuguesas sem alterar ratings
A Moody’s Ratings reviu os pressupostos utilizados na avaliação do risco de mercado dos empréstimos à habitação de taxa mista que integram os programas portugueses de obrigações hipotecárias cobertas (covered bonds), refletindo a crescente importância deste tipo de crédito no mercado nacional, anunciou a agência de notação financeira esta sexta-feira.
A agência reduziu os pressupostos relativos ao período médio de revisão da taxa de juro (average reset period) aplicados aos empréstimos de taxa mista, considerando que a evolução do mercado hipotecário português diminuiu a duração média do risco de taxa de juro associado a estes ativos e, consequentemente, reduziu os riscos de mercado das carteiras que servem de garantia às emissões.
“As premissas atualizadas refletem, entre outros fatores, a evolução do mercado hipotecário, demonstrada pelo aumento da exposição de empréstimos com taxas mistas no stock de empréstimos hipotecários residenciais em aberto e a sua crescente relevância nas carteiras de cobertura portuguesas nos últimos anos. Estes factores reduziram a vida média do risco de taxa de juro associado aos empréstimos à habitação com taxas mistas nas carteiras de cobertura, diminuindo os riscos de mercado”, lê-se no comunicado da Moody’s.
Segundo a Moody’s, os empréstimos de taxa mista representam atualmente mais de 40% do stock de crédito à habitação em Portugal, uma proporção que deverá manter-se relevante nas carteiras de cobertura (cover pools), à medida que os bancos continuam a incorporar novos créditos nestes programas.
A agência acrescenta que este cenário é sustentado pelo facto de os empréstimos de taxa mista terem representado, em média, mais de 70% da nova produção de crédito à habitação em Portugal durante 2025 e nos primeiros meses de 2026.
A Moody’s considera que estas alterações têm caráter duradouro, uma vez que a predominância deste tipo de financiamento deverá persistir no mercado português.
A agência sublinhou que esta atualização metodológica não constitui uma ação de rating e não implica alterações às classificações de risco dos programas portugueses de obrigações hipotecárias abrangidos.
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