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“Acreditamos que o mundo precisa de líderes mais éticos”, diz novo ‘chair’ da Amrop

“Acreditamos que o mundo precisa de líderes mais éticos”, diz novo ‘chair’ da Amrop

Encarrega-se de identificar no mercado, há quase 50 anos, os executivos que virão a ocupar os lugares de liderança nas grandes organizações. Recentemente, em Cascais, também a Amrop renovou a sua liderança. O managing partner da consultora na Suíça, Fredy Hausammann, falou com o Jornal Económico (JE) após a assembleia-geral onde foi eleito chair de uma entidade que, sublinhou, tem a “grande responsabilidade de ajudar a identificar e colocar alguns dos líderes mais importantes das nossas economias”.
Uma liderança mais ética, assente na chamado wise leadership, é uma das chaves para o sucesso, afirmou Fredy Hausammann, que ocupou funções de gestão em Corporate Banking e Risk Management na UBS em Zurique e Londres.
Como é que o perfil dos líderes globais mudou nos últimos anos?
Se olharmos para o C-level e os conselho de administração, a mudança tem sido influenciado por uma maior profissionalização de todos os sistemas de governance.
Regras mais apertadas e mais rigor a nível dos conselhos de administração. Significa mais especialização. É preciso ter um bom track record na especialização ou na indústria em que se está e uma reputação sólida em termos de funções de host leadership.
A reputação e a ética na liderança tornaram-se muito mais importantes, combinando-as com um sistema de governance mais profissional.
 
Quais são as competências que as empresas procuram hoje? O que destaca?
Não mudou muito. Ainda são precisos conhecimentos de finanças, riscos, mercados, produtos. O que mudou, claro, é que tudo é fortemente influenciado pela tecnologia, então é necessário que todas as lideranças sejam tech-savvy (entendidos em tecnologia). Todo o board das empresas tem de perceber como usá-la, tornando-se mais eficiente e rentável. A tecnologia realmente mudou as regras do jogo nos últimos anos.
 
 Juntou-se à Amrop em 1998. Comparando com essa época, como é que este cenário evoluiu? 
O mundo inteiro era muito menos global nessa altura. A globalização mudou os requisitos. Os líderes precisam de ter um conhecimento muito sólido de todas as partes do mundo. Se produzem na China ou vendem nos EUA, têm realmente de entender esses mercados, as suas oportunidades e riscos.
Quando cheguei [à Amrop], o mercado e os negócios eram muito menos globais, e por isso havia menos complexidade. Então a complexidade aumentou dramaticamente.
Se olharmos para a logística e locais de produção, e dentro destas tensões geopolíticas, estar demasiado dependente de um lugar é um problema.
Então é preciso entender a geopolítica, os riscos, as oportunidades e a logística. Basicamente, esses cargos de liderança seniores tornaram-se muito mais complexos com o tempo.
 
Como é que se balanceiam características das lideranças moderna e tradicional?
A tradicional é mais diretiva, mais hierárquica. E moderna mais inclusiva, em que todos participam no processo de liderança. Acho que é sobre encontrar o equilíbrio certo.
Algumas dessas metodologias de liderança tradicional ainda são muito relevantes. As pessoas querem diretrizes, orientações e clareza. Por outro lado, todos os talentos precisam de ser incluídos para tirar o melhor partido da empresa. E essa é a peça da inclusão. A receita é a mistura certa entre os estilos de liderança tradicionais e os estilos de liderança modernos.
 
Sobre governance e reputação, como podem os líderes proteger e gerir a reputação das empresas não só diariamente como em tempos de crise?
Sentimos que são realmente três as coisas que fazem com que as empresas sejam bem-sucedidas ao longo do tempo: um modelo sólido de governance, a qualidade do diretor e a qualidade do CEO. Qualidade não é apenas competência e experiência, mas muito mais os seus valores.
Acreditamos que o mundo precisa de líderes mais éticos. Porque todos os grandes acidentes aconteceram por causa das éticas que não estavam certas.  E isso é realmente a chave para o sucesso.
 
Sobre Portugal, o que o torna um mercado atrativo de talento global?
Não sou um especialista em Portugal, mas acho que no país há muito talento, ótimas universidades, muitas pessoas com uma elevada qualificação. Acho que há uma cultura de hard working. E muito talento. Têm grandes líderes em muitas das indústrias. E a localização. Conseguiram atrair muitas empresas que têm locais de produção em Portugal. Há muitos ingredientes para o sucesso aqui em Portugal.
 
Com a IA cada vez mais integrada em vários níveis globalmente, qual o significado de liderar com empatia?
De novo, é uma combinação. Acho que a empatia, o contacto pessoal e a compreensão mútua são ainda mais importantes agora com a tecnologia. As pessoas também ficam cansadas ou saturadas com ela. Uma utilização inteligente da tecnologia e, de novo, ética da tecnologia. É ainda mais importante ter empatia na liderança.
 
Que tipo de liderança será essencial para os próximos anos?
Acho que será aquela a que chamamos wise leadership (liderança inteligente). Significa liderança responsável, em que se toma responsabilidade por todas as ações da empresa que se lidera. E uma responsabilidade a longo prazo, não só orientada para os lucros, mas com uma visão a longo prazo, incluindo verdadeiramente os interesses de todos os principais stakeholders.
Então, de novo, uma liderança ética, e também inteligente. Acho que isso vai ser exigido pela sociedade. É um fator-chave para o sucesso no futuro.
 
Para finalizar, qual a sua estratégia para o mandato que acaba de iniciar?
Temos de fazer exatamente o que mencionei anteriormente. Assegurar que a nossa governance funciona bem, o que acontece neste momento, mas temos de fomentá-la. E que temos uma liderança ética, um elemento muito importante para uma empresa de executive search.
Não se trata apenas de criarmos o máximo volume de negócios e faturação e possível. Temos uma grande responsabilidade porque nós [Amrop] ajudamos a identificar e colocar alguns dos líderes mais importantes das nossas economias. Por isso temos de assumir a responsabilidade de fazer recrutamentos que podem exercer uma liderança sustentável e ética. Torna o local de trabalho um lugar melhor; e temos essa responsabilidade de também instalar uma liderança ética. 
 
 
A Amrop World Conference 2026 decorreu entre os dias 27 e 31 de maio, em Portugal. A assembleia-geral decorreu na sexta-feira, dia 29, com a presença dos representantes das várias dezenas de delegações globais. Em Portugal, a Amrop é liderada por Maria da Glória Ribeiro. 

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