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Petróleo continua no centro das atenções enquanto mercados aguardam inflação dos EUA

Petróleo continua no centro das atenções enquanto mercados aguardam inflação dos EUA

Os mercados financeiros entram na sessão de terça-feira com os investidores divididos entre a deterioração do contexto geopolítico no Médio Oriente e o arranque da época de resultados do segundo trimestre nos Estados Unidos, numa sessão que deverá ser marcada pela prudência.
As bolsas europeias foram atenuando o pessimismo de início de sessão e alguns índices de ações acabaram por encerrar em território positivo, a exemplo do português PSI. Apesar da escalada dos preços do petróleo, em reação às novas tensões no Médio Oriente, com notas de que o Estreito de Ormuz se encontra encerrado, há uma espécie de wait & see nos mercados, uma vez que esta semana arranca a earnings season relativa às contas do 2.ºtrimestre.
Na segunda-feira, as bolsas europeias recuperaram parte das perdas registadas no arranque da sessão, terminando de forma mista. O PSI conseguiu fechar em alta, enquanto outros índices reduziram significativamente as quedas iniciais, numa reação que refletiu alguma contenção dos investidores apesar da escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão.
O principal fator de risco continua a ser o Médio Oriente. Depois dos ataques norte-americanos a alvos militares iranianos durante o fim de semana, Teerão respondeu com mísseis e drones contra instalações militares dos EUA na região e voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz está encerrado. Washington, porém, garante que a principal rota marítima para o transporte de petróleo continua operacional. A incerteza sobre a situação mantém os mercados em alerta, dado que cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e gás natural liquefeito passa por este estreito.
O impacto mais visível foi sentido no mercado petrolífero. O Brent voltou a negociar em alta, refletindo o aumento do prémio de risco geopolítico, enquanto os investidores continuam a avaliar até que ponto poderá haver perturbações efetivas na oferta mundial de crude.
A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em setembro terminou esta segunda-feira no mercado de futuros de Londres em alta de 9,59%, para os 83,30 dólares.
Caso não existam novos desenvolvimentos militares durante a noite, o petróleo poderá estabilizar após a forte valorização registada desde o fim de semana. Pelo contrário, qualquer sinal de interrupção física do tráfego marítimo em Ormuz poderá desencadear uma nova escalada dos preços.
Na Europa, a abertura deverá continuar condicionada pela evolução do petróleo e pelas notícias provenientes do Médio Oriente. O setor da energia poderá manter-se entre os mais beneficiados, enquanto companhias mais expostas aos custos energéticos, transportes e indústria poderão permanecer sob pressão.
Em Wall Street, o foco deverá repartir-se entre a geopolítica e a divulgação da inflação norte-americana de junho (CPI), um dos indicadores mais relevantes da semana para a Reserva Federal. O consenso espera que a inflação continue a mostrar alguma pressão, num contexto em que a subida do petróleo aumenta os receios de um novo impulso inflacionista nos próximos meses.
Os mercados estão agora a precificar dois aumentos das taxas de juro, o que poderá sustentar tanto os rendimentos como o dólar.
Os investidores procurarão perceber se os preços da energia começam a comprometer o cenário de cortes das taxas de juro por parte da Fed ainda este ano. As atas mais recentes da Reserva Federal e do Banco Central Europeu já evidenciaram uma preocupação persistente com a inflação, e uma leitura acima do esperado poderá levar os mercados a reduzir as expectativas de flexibilização da política monetária.
Ao mesmo tempo, ganha importância o arranque da época de resultados trimestrais nos Estados Unidos, que deverá começar a acelerar com a divulgação das contas de vários grandes bancos.
As perspetivas apresentadas pelas empresas relativamente ao impacto da incerteza económica, das tarifas e dos custos energéticos poderão tornar-se tão relevantes como os próprios resultados.
Assim, a sessão de terça-feira deverá ser marcada por três fatores principais. Por um lado a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irão e eventuais notícias sobre o Estreito de Ormuz; por outro o comportamento dos preços do petróleo, que continuam a ser o principal indicador do risco geopolítico; e por fim pela divulgação da inflação norte-americana, que poderá redefinir as expectativas para a política monetária da Reserva Federal e influenciar o rumo das bolsas em ambos os lados do Atlântico.
Depois da volatilidade observada no início da semana, o cenário dominante continua a ser de cautela, com os investidores a privilegiarem uma postura de “wait and see” até haver maior clareza tanto sobre a evolução do conflito no Médio Oriente como sobre a trajetória da inflação nos Estados Unidos.
Olhando para o futuro, os preços do petróleo poderão continuar a subir se o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz se mantiver restrito. Qualquer deterioração significativa da segurança regional poderá levar os preços do crude a aproximarem-se dos seus máximos anteriores. No entanto, o regresso às negociações diplomáticas e o fim formal das operações militares podem impulsionar a recuperação da actividade de transporte marítimo, defende Frank Walbaum, analista de mercado da Naga.com.

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