PSI contraria bolsas da Europa e fecha com perdas moderadas devido à queda da Galp
A bolsa de Lisboa encerrou a sessão de terça-feira em terreno negativo, contrariando a tendência positiva registada na maioria das principais praças europeias, numa altura em que os investidores continuam a acompanhar de perto a evolução do conflito no Médio Oriente e o arranque da época de apresentação de resultados nos Estados Unidos.
O PSI recuou 0,08%, fixando-se nos 9.126,85 pontos, com nove das 16 cotadas a fecharem em baixa. A Galp foi a principal responsável pelo desempenho negativo do índice, ao perder 2,22% para 22,42 euros. As ações da petrolífera chegaram a negociar em alta durante a sessão, mas inverteram a tendência e fecharam em queda, apesar de o Brent ter voltado a valorizar mais de 2%, aproximando-se dos 85 dólares por barril, num contexto marcado pela escalada das tensões no Médio Oriente. Mais tarde, o crude intensificou os ganhos, chegando a superar os 87 dólares por barril, depois de os Estados Unidos anunciarem ataques à cidade portuária iraniana de Bushehr, onde se localiza a única central nuclear do país.
Também o setor do retalho pressionou o PSI, embora de forma mais moderada. A Jerónimo Martins cedeu 0,12%, para 16,44 euros, enquanto a Sonae desvalorizou 0,47%, para 2,115 euros.
Entre as restantes cotadas com maiores quedas destacaram-se a Navigator, que perdeu 1,08%, e a Teixeira Duarte, que recuou 1,03%.
Em sentido oposto, a EDP e a EDP Renováveis limitaram as perdas do índice. A elétrica ganhou 1,13%, para 4,564 euros, liderando as subidas da sessão, enquanto a EDPR avançou 0,79%, para 13,98 euros. O BCP também terminou em alta, com uma valorização de 1,11%, para 1,049 euros, depois de ter sido anunciado que integra o projeto-piloto do euro digital.
Os analistas da MTrader destacam que “o PSI contrariou a tendência, com os ganhos de EDP, EDPR e BCP a serem insuficientes para anular o efeito negativo na maioria das cotadas, onde a Galp (-2,2%) foi quem mais recuou” e lembram que “amanhã, antes da abertura do mercado europeu, a ASML, gigante de equipamentos para a indústria de semicondutores, apresenta contas que podem mexer com o sentimento logo no início da sessão”.
Na Europa, o sentimento foi mais favorável, com o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 a avançar 0,14%, impulsionado sobretudo pelos ganhos das empresas dos setores das matérias-primas e da energia.
O EuroStoxx 50 avançou 0,15%, para 6.280,19 pontos.
Os analistas da MTrader realçam que “as bolsas europeias encerraram globalmente em alta”.
“A revelação de que a inflação nos EUA desceu mais que o esperado em junho entusiasmou os investidores, uma vez que alimenta expectativas de menor agressividade do Banco Central em potenciais subidas de juro, o que exerce um impacto positivo em especial nos setores cíclicos, como o Tecnológico. Isto no dia em que arrancou oficialmente a earnings season norte-americana, relativa às contas do 2.ºtrimestre, com a Banca a mostrar muita força nas receitas de negociação de ações”, refere a MTrader.
“Os preços do petróleo aliviaram durante a tarde, depois de Donald Trump ter recuado no seu plano de impor uma taxa de 20% sobre as remessas de carga pelo Estreito de Ormuz, que substituiu por acordos comerciais e de investimento por parte de diversos estados do Golfo nos EUA”, acrescentam os analistas do Millennium BCP.
O FTSE 100 subiu 0,30% para 10.529,4 pontos; o CAC fechou a ganhar ligeiramente (+0,03% para 6.202,4 pontos); o DAX avançou 0,13% para 25.147,03 pontos; o italiano FTSE MIB valorizou 0,10% para 52.862,5 pontos; e o IBEX fechou a subir 0,11% para 19.356,6 pontos.
No mercado obrigacionista, as yields da dívida soberana portuguesa registaram ligeiras subidas ao longo da curva. As obrigações do Tesouro a dois anos negociavam com uma yield de 2,75%, enquanto a taxa das obrigações a 10 anos se situava em 3,48%.
Desde o início do ano, o PSI acumula uma valorização de 10,45%, negociando atualmente a um rácio preço/lucros de 15,04 vezes e oferecendo uma dividend yield de 3,68%.
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