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Vila Real: Mais investimento em segurança e novos espaços estudados para o paddock

Vila Real: Mais investimento em segurança e novos espaços estudados para o paddock

A 55ª edição do Circuito Internacional de Vila Real voltou a ter casa cheia, boas corridas, animação, numa grande festa que vai para lá do aspeto desportivo. Todos os anos uma cidade do interior do país transforma-se para receber centenas de pilotos que percorrem as ruas transformadas em pista de competição. Um desafio tremendo, mas que todos os anos continua a ser superado com nota elevada. Alexandre Favaios, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, falou ao AutoSport e referiu o investimento contínuo em segurança passiva e os desafios logísticos de organizar um evento internacional num circuito urbano.
No que diz respeito ao investimento, não foram feitas muitas alterações ao orçamento que é considerado habitual para esta festa, com uma ressalva: foram aplicados 200 mil euros em reforço da segurança passiva, um compromisso do município que está a ser cumprido:
“Genericamente, o compromisso com as instâncias que organizam este evento era de um investimento progressivo ao nível da segurança passiva” disse Alexandre Favaios. “Em termos de restantes aspetos, manteve-se genericamente o investimento que já tínhamos tido nas últimas edições. No entanto, houve um reforço de cerca de 200.000 euros ao nível da segurança passiva, para permitir a mudança de alguns prumos, agora mais altos, e rede também com outra dimensão, que permitam, naquelas zonas do circuito onde o risco de acidente é maior e onde existem habitações ou pessoas, garantir condições adicionais de segurança. Este investimento vai continuar ao longo dos próximos anos, permitindo introduzir melhorias contínuas no nosso circuito e continuar a acolher da melhor forma os que nos visitam, os pilotos, mas também aqueles que assistem a este fantástico fim de semana.”

Que futuro para Vila Real?
Com este investimento confirmado, o futuro do Circuito de Vila Real parece estar garantido a médio prazo. Mas que rumo seguirá? O TCR World Tour, garantido até 2027, traz algumas das máquinas mais adequadas para este tipo de traçado. Mais ainda, nomes como Thed Bjork, Norbert Michelisz, Yann Ehrlancher são quase da casa, com uma ligação à cidade que não acontece noutras provas. Ao mesmo tempo, a competição trouxe 16 carros. Desses 16, praticamente metade são pilotos que fazem provas pontualmente e um deles, Daniel Teixeira, foi uma adição de última hora, mais para ajudar a compor a grelha do que uma participação planeada e pensada para o efeito. De tal forma que o piloto praticamente nem alinhou, dados os desafios técnicos que enfrentou e o foco nas competições nacionais. Assim surge sempre a questão: que competição internacional deve vir para Vila Real? Se os campeonatos nacionais e ibéricos estão consolidados e de boa saúde, a organização local nunca escondeu o desejo de continuar a receber uma competição internacional. O presidente não se quis alongar muito nesse tema, preferindo enaltecer o trabalho feito e que se continuará a fazer para trazer as melhores soluções:
“O futuro será precisamente continuarmos a conseguir fazer deste um grande evento, percebendo que aquilo que hoje é a dinâmica do circuito internacional obriga a um esforço muito grande, não apenas financeiro, mas também de organização. Estamos a falar de um circuito urbano numa cidade consolidada, onde conseguir encontrar as melhores condições para todos é sempre um grande desafio. Neste momento os caminhos principais são mesmo esses: continuar a melhorar as condições do nosso circuito. Acho que já atingimos um patamar significativo no que se refere à nossa capacidade de organização.”

Novos espaços para os paddocks em estudo
Se a questão do que será o futuro desportivo de Vila Real continua em aberto, no que diz respeito às infraestruturas, há já ideias a ser estudadas. A vitalidade das competições nacionais motiva um reforço das listas de inscritos. E com mais carros, é preciso mais espaço. Como tal, o município, a APCIVR e o CAVR estudam já soluções para que se adequem ao presente e ao futuro:
“Aquilo que vamos percebendo é que temos necessidade de encontrar espaços alternativos, principalmente para os paddocks” confirmou Alexandre Favaios. “De ano para ano as diferentes grelhas vão aumentando, a atratividade do circuito é muito elevada, e nesta cidade consolidada criamos naturalmente um conjunto de constrangimentos para a nossa população, para os residentes. Temos que ir encontrando soluções alternativas que permitam acomodar todos da melhor forma possível. Este é o nosso foco nos próximos anos. Já há coisas planeadas, estamos a estudar precisamente localizações alternativas e complementares para permitir que todos sejam acolhidos com as melhores condições.”

Retorno económico e mediático
As corridas são muito mais do que carros a altas velocidades. Muitas vezes permitem acelerar também o motor económico da região que os recebe. E Vila Real acelera muito com as corridas, com números que confirmam a aposta da câmara nesta festa que promove a região e traz retorno direto significativo. Mas para Favaios, esses números nem são os mais importantes em toda a equação das corridas da “Bila”:
“O último estudo que foi feito remete para um investimento direto na ordem dos 15 milhões de euros na região. Isto claramente é um facto muito importante, mas permita-me que lhe diga: não é apenas este impacto económico. Acho que a grande valia do circuito internacional de Vila Real é a projeção do nosso concelho, a nossa capacidade de organizar e de fazer bem. Uma cidade mediana de Portugal conseguir projetar o país para o mundo é muito relevante. Isto não se mede muitas vezes em números, mede-se depois naquilo que é fator de atração, num conjunto de intenções que se vão materializando e que certamente esta nossa capacidade de organizar o circuito é, sem dúvida, um elemento facilitador.”

Boas relações, quem sabe rumo a outros voos
As relações com a FPAK estão bem e recomendam-se, com Alexandre Favaios a realçar o trabalho de todos os intervenientes para que esta festa aconteça:
“As relações com a FPAK são impecáveis. Estamos sempre disponíveis para introduzir melhorias e fazer ajustamentos. Apesar de alguns constrangimentos perfeitamente normais e compreensíveis, os pilotos sentem-se bem, sentem-se acarinhados em Vila Real, e é isso que queremos continuar a manter. Com todas as instâncias, com a FPAK, com os nossos promotores, acho que conseguimos ter aqui uma grande equipa, que agora, devidamente oleada, pode continuar a ter sucesso e, quem sabe, apontar a outros voos.”
Vila Real olha já para o futuro, o que é ótimo. A festa da velocidade nacional continua bem viva, e os locais continuam, na sua larga maioria, a acolher o evento de braços abertos. Os próximos meses serão importantes para a definição do rumo, mas ficou claro que a vontade é de continuar a investir e fazer cada vez mais e melhor.
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