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60 mil milhões de euros de investimento em energias renováveis estão bloqueados em Portugal

60 mil milhões de euros de investimento em energias renováveis estão bloqueados em Portugal

Um total de 60 mil milhões de euros de investimento em energias renováveis estão bloqueados em Portugal. O setor pede licenciamentos mais rápidos para acelerar a execução dos projetos.
“Cerca de 60 mil milhões de euros em intenções de investimento permanecem bloqueados, sobretudo devido aos prazos de licenciamento, à insuficiente capacidade da rede e à ausência de novos leilões desde 2022”, segundo um estudo divulgado esta quarta-feira pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.
O estudo “Carga Fiscal das Energias Renováveis em Portugal” foi desenvolvido pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e pela Lobo Carmona para a APREN.
Para concretizar estes investimentos, o estudo defende a redução dos prazos de licenciamento para menos de três anos, “aproximando Portugal das melhores práticas europeias através da simplificação dos procedimentos e da centralização de pareceres”.
Outra medida proposta é o relançamentos dos leilões “com um calendário previsível, assegurando estabilidade regulatória e maior visibilidade para os investidores”.
E também o reforço do “investimento na rede de transporte, criando capacidade para integrar os 22,2 GW adicionais previstos nas metas nacionais”.
Na vertente fiscal, o setor entregou 1,1 mil milhões de euros ao Estado em 2024, mas este valor poderia duplicar para 2,8 mil milhões de euros com, precisamente, o desbloqueio dos investimentos.
“Cada ano de atraso representa uma perda estimada de cerca de 1,7 mil milhões de euros de receita fiscal potencial para o Estado”, pode-se ler.
“A carga fiscal total suportada pelas empresas representa cerca de 35% dos seus lucros, apesar de o setor já pagar uma taxa efetiva de IRC superior à média nacional”, sublinha o documento.
Em destaque pela negativa, está a manutenção da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE), uma “contribuição permanente sobre o valor líquido dos ativos que penaliza o investimento independentemente da rentabilidade dos projetos”.
Assim, “Portugal é atualmente o único país europeu que mantém uma contribuição permanente desta natureza sobre os produtores de energia renovável, criando um enquadramento fiscal mais oneroso e menos competitivo face ao observado noutros mercados europeus”.
O setor das energias renováveis “gerou 1,11 mil milhões de euros de Contribuição Fiscal Total (TTC) para o Estado, correspondendo a cerca de 1,16% da receita fiscal nacional. No mesmo ano, contribuiu com 5,34 mil milhões de euros para o PIB, sustentou 62.434 empregos, evitou 2,1 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis e permitiu evitar cerca de 11,7 milhões de toneladas de emissões de CO₂”.
“O estudo demonstra que Portugal é hoje um caso praticamente único na Europa. As energias renováveis já são um dos setores que mais contribuem para a economia e para as receitas públicas, mas continuam sujeitas a uma carga fiscal e parafiscal que não encontra paralelo conhecido noutros países europeus. Se queremos acelerar a transição energética, atrair investimento e reforçar a competitividade do país, é essencial alinhar o enquadramento português com as melhores práticas europeias”, disse Susana Serôdio, Coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN.
O estudo defende oito eixos prioritários para reforçar a competitividade do setor e acelerar a concretização das metas nacionais de descarbonização:
• Eliminar a CESE, eliminando um mecanismo de tributação permanente sem paralelo conhecido na União Europeia;
• Reduzir os prazos de licenciamento para menos de três anos, aproximando Portugal das melhores práticas europeias através da simplificação dos procedimentos e da centralização de pareceres;
• Relançar os leilões com um calendário previsível, assegurando estabilidade regulatória e maior visibilidade para os investidores;
• Reforçar o investimento na rede de transporte, criando capacidade para integrar os 22,2 GW adicionais previstos nas metas nacionais;
• Promover contratos de longo prazo (PPA), reforçando mecanismos de mercado que proporcionem estabilidade de preços e facilitem o financiamento dos projetos;
• Rever a estrutura das tarifas elétricas, clarificando a afetação dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) e dos custos de política energética;
• Clarificar que o equipamento produtivo ou ativos sob o regime de concessão não são prédio tributável;
• Reforçar a redistribuição da receita fiscal gerada pelo setor em benefício dos territórios anfitriões, promovendo uma repartição mais equilibrada dos benefícios económicos da transição energética, e trazendo equidade fiscal ao setor face a outros de igual importância.

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