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Empresas portuguesas em risco de atrasos graves disparam para 66 mil, diz Informa D&B

Empresas portuguesas em risco de atrasos graves disparam para 66 mil, diz Informa D&B

Apenas uma em cada cinco empresas em Portugal paga a fornecedores dentro do prazo acordado, o penúltimo pior registo a nível mundial e a maior distância de sempre face à média europeia, revela um estudo hoje divulgado.
Segundo a 12.ª edição do estudo sobre o “Comportamento de Pagamento das Empresas em Portugal”, elaborado pela Informa D&B e com dados relativos a maio de 2026, apenas 20,2% das empresas nacionais cumprem os prazos de pagamento estabelecidos com os seus fornecedores.
A grande maioria das organizações em Portugal (65,2%) liquida os seus compromissos com um atraso de até 30 dias. Por sua vez, 9% das empresas registam atrasos entre 30 a 90 dias, enquanto 5,6% pagam com mais de 90 dias de atraso — um registo que chegou a registar melhorias durante o período da pandemia de covid-19, mas que tem demonstrado estabilidade desde 2022.
Portugal na cauda do mundo e em distanciamento histórico face à média europeia
A nível internacional, o cenário agrava-se. De acordo com o relatório da Cribis (produzido em parceria com a Dun & Bradstreet Worldwide Network e referente a dezembro de 2025, que analisa o comportamento de pagamentos em 37 países), Portugal posiciona-se no penúltimo lugar do ‘ranking’ global de cumprimento. No lote de países analisados, apenas a Bulgária apresenta um desempenho pior, com 19% de empresas cumpridoras, contra os 20% registados por Portugal.
Em sentido inverso, a Dinamarca lidera a lista dos melhores pagadores do mundo, com 95% das empresas a cumprirem rigorosamente os prazos estabelecidos, seguida pela Polónia (87%), Nova Zelândia (83%), Rússia (81%) e Hungria (76%). No extremo oposto, além de Portugal e da Bulgária, os piores registos mundiais pertencem a Israel (30%), Hong Kong (27%) e aos Emirados Árabes Unidos (22%).
A análise histórica da Informa D&B e da Cribis demonstra que Portugal se está a afastar progressivamente do desempenho médio da União Europeia (UE).
Após a introdução da Diretiva Europeia de Pagamentos, transposta para a legislação nacional em 2013, a média de empresas cumpridoras no bloco europeu iniciou uma rota ascendente, atingindo os 52% no final de 2025. Em contrapartida, Portugal estagnou no mesmo período, fixando-se nos 20%. Esta divergência resultou num diferencial de 32 pontos percentuais, assinalando a maior diferença de sempre registada entre o mercado nacional e a média comunitária.
Grandes empresas são as que menos cumprem
O incumprimento dos prazos de pagamento é transversal a todo o tecido empresarial, afetando todas as regiões e setores de atividade económica, embora se verifiquem assimetrias.
O setor do Alojamento e Restauração destaca-se pela negativa, registando o maior atraso médio (30 dias) e sendo o setor com a menor taxa de cumprimento do país (apenas 11% de empresas cumprem o prazo acordado). No extremo oposto, o setor Grossista é o que apresenta o menor atraso médio no pagamento aos fornecedores, com 19 dias.
Na análise por dimensão de empresa, o estudo conclui que a taxa de cumprimento tende a aumentar à medida que diminui a dimensão da organização. O pior desempenho cabe às grandes empresas, onde apenas 4% cumprem os prazos acordados. No entanto, o relatório salienta que, apesar do menor cumprimento pontual, as grandes empresas são também aquelas que apresentam uma menor incidência de atrasos de caráter significativo, traduzindo-se num perfil de pagamentos “mais previsível” e com menor risco de perdas severas para os credores.
Empresas em risco de atrasos graves disparam para 66 mil
O relatório alerta ainda para o agravamento do perfil de risco de incumprimento severo no último ano.
De acordo com o indicador de ‘Risco Delinquency’ da Informa D&B — que estima a probabilidade de uma empresa pagar com atrasos superiores a 90 dias nos 12 meses seguintes —, existem atualmente cerca de 66 mil empresas em Portugal expostas a um risco “médio-alto ou elevado” de registar atrasos graves a pelo menos um dos seus credores.
Este número representa cerca de 12% do tecido empresarial ativo com indicador de pagamentos e traduz um aumento expressivo face ao período homólogo, quando se contabilizavam 43 mil empresas nesta situação de risco acrescido.

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