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Moçambique deve focar-se na “cooperação económica e comercial” com Portugal, diz Daniel Chapo

Moçambique deve focar-se na “cooperação económica e comercial” com Portugal, diz Daniel Chapo

O Presidente de Moçambique defendeu hoje que o país deve focar-se na “cooperação económica e comercial virada para resultados” com Portugal, defendendo uma parceria estratégica entre os dois países que têm “uma relação excelente”.
“Temos de focar-nos na cooperação económica e comercial virada para resultados, e transformar as relações comerciais em parcerias estratégicas; temos a vantagem da amizade, da cooperação, da história e a língua comum, que é extremamente importante como instrumento de cooperação”, disse Daniel Chapo no EurAfrican Forum, organizado pelo Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorre hoje e na quinta-feira em Carcavelos, nos arredores de Lisboa, sob o lema ‘África em Ascensão: Prosperidade através da Cooperação Global’.
Numa conversa com o Presidente de Portugal, António José Seguro, o líder moçambicano destacou as “relações excelentes” entre os dois países, convidou os empresários portugueses a investirem no país, salientando as enormes oportunidades nas áreas dos recursos extrativos, mas também na agricultura, turismo e energia.
“Este é o momento certo para investirem, para se posicionarem com um relação sólida no momento da implantação dos projetos, porque na implementação já pode ser tarde, já não há muita obra para fazer”, acrescentou.
Na conversa de quase uma hora e meia, que frequentemente decorreu em tom informal entre os dois governantes, Daniel Chapo agradeceu a Portugal pela ajuda em vários domínios, desde a segurança na província de Cabo Delgado até ao combate aos efeitos das cheias e ciclones que afetaram o país nos últimos meses, salientando que as alterações climáticas são um problema transversal a vários países.
“Temos de ter infraestruturas resilientes aos desastres naturais em Portugal e em Moçambique, e começarmos a fazer o desenvolvimento estratégico sempre a pensar nas mudanças climáticas, que são uma realidade”, salientou o governante moçambicano.
“Enquanto Governo, temos de integrar o desafio das alterações climáticas nos projetos e na visão estratégica para os próximos anos, construindo infraestruturas resilientes, mas também na área do ordenamento territorial, não permitindo construções em locais onde pode haver cheias e inundações e reordenamento os assentamentos informais, que são alguns dos vários desafios que existem na área das alterações climáticas”, acrescentou.
Para Daniel Chapo, os dois países são “duas famílias com relações históricas e lutas comuns”, o que permitiu que haja 13 mil moçambicanos em Portugal e 40 mil portugueses em Moçambique, num contexto em que há 1.100 empresas portuguesas neste país lusófono africano, que tem Portugal como sétimo maior fornecedor.
A cooperação entre os dois países, salientou, “tem de estar concentrada na cooperação económica e comercial, e orientada para os resultados”, o que poderá ser mais fácil com a implementação de linha de crédito de 500 milhões de euros que deverá estar operacionalizada “muito em breve”, concluiu.
Daniel Chapo começou na terça-feira uma visita oficial a Portugal, que inclui, além da participação no EurAfrican Forum, um encontro com o Presidente da República de Portugal, hoje à tarde, no Palácio de Belém, e uma deslocação ao parlamento, na quinta-feira, onde está prevista uma reunião com o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Do programa oficial divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal consta ainda o jantar oficial oferecido pela Presidência, na quinta-feira, e um almoço, na sexta-feira, com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

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