China: Crescimento mais fraco desde pandemia abre a porta a mais estímulos
A economia chinesa cresceu no segundo trimestre deste ano ao ritmo mais baixo desde a pandemia, isto numa perspetiva homóloga e apesar dos números fortes do comércio internacional, produção industrial e retalho. O consumo continua a pesar na performance da segunda maior economia do mundo, mas foi o investimento que mais desiludiu, renovando as questões sobre a verdadeira magnitude e ímpeto da recuperação chinesa. Ainda assim, o primeiro semestre continua em linha para atingir o objetivo de crescimento anual.
O segundo trimestre viu um avanço de 4,3% em termos homólogos, ou seja, registou o crescimento homólogo mais fraco desde o último trimestre de 2022, falhando também a expectativa de mercado que apontava para 4,5%. Em cadeia, o resultado foi menos negativo, com um crescimento de 0,9%, em linha com as estimativas do mercado, mas abaixo dos 1,3% do primeiro trimestre.
Ainda assim, também em cadeia este foi o resultado mais fraco desde o segundo trimestre de 2024, sublinhando a fraqueza que vive atualmente a segunda maior economia do mundo.
Com um objetivo de crescimento para este ano cifrado entre 4,5% e 5%, esta leitura fica fora deste intervalo, que corresponde também ao limiar inferior a partir do qual o banco central chinês abre a porta a estímulos. Nesta linha, o banco ING relembra que, apesar de o primeiro semestre ter registado 4,7% e, portanto, se manter em linha com o objetivo, há reunião do Politburo no final do mês, para quando os mercados têm vindo a antecipar o anúncio de medidas de recuperação.
Assim, a expectativa passa por, “do lado orçamental, um alívio modesto, provavelmente dirigido a suportar o consumo e acelerar aprovações já existentes para emissões especiais de dívida dos governos locais e projetos de infraestrutura”, enquanto, “do lado monetário, a inflação baixa, mas positiva não deve impedir mais alívios do Banco Popular da China, caso o considerem necessário”.
No detalhe, salta à vista o consumo interno deprimido e o investimento privado. A confiança dos consumidores permanece fraca, com sectores chave como o automóvel a verem recuos nas vendas (na mais recente leitura dos dados do retalho, as vendas automóveis haviam caído 16,1%).
Outro ponto de preocupação continua a ser o mercado imobiliário, que arrasta consigo categorias como o mobiliário, decoração, construção e eletrodomésticos, todos com variações negativas.
Em sentido inverso, a produção industrial deu sinais positivos, acelerando de um crescimento homólogo de 4,5% em maio para 5,3% em junho, mas esta trajetória tem sido sustentada sobretudo pela procura externa. Categorias como a ferrovia, barcos e aeronaves (18,2% de subida) ou computadores e equipamentos eletrónicos e de comunicação (15,7%) destacam-se pela positiva, mas com um crescimento motivado quase exclusivamente pelo exterior.
De destacar também o máximo dos últimos 17 meses na produção de semicondutores, que avançou 25,4%, sublinhando não só a importância da procura externa, mas também “a decisão estratégica chinesa focada na modernização industrial”.
Também o comércio internacional conferia otimismo, com um máximo dos últimos 53 meses nas exportações, fruto de um disparo de 27% em junho, isto na comparação com igual período do ano passado. Olhando para os primeiros seis meses, as exportações chinesas aceleraram 17,6%. Do lado das importações, também se verificou um máximo desde junho de 2021, mas mesmo assim o superavit comercial chegou ao nível mais alto desde janeiro do ano passado, com 125,6 mil milhões de dólares (109,8 mil milhões de euros).
Do lado do investimento, o cenário negativo mantém-se. Depois de cair 4,1% em termos homólogos até maio, a formação bruta de capital fixo caiu 5,7% nos primeiros seis meses do ano, o nível mais baixo desde maio de 2020. E a deterioração é transversal: o investimento privado caía 7,1% até maio, mas até junho recuou 8,5%, enquanto o público piorou de uma queda de 0,4% para 2,3%.
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