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Estado da nação: Não há nenhum caos nos exames em Portugal, diz primeiro-ministro

Estado da nação: Não há nenhum caos nos exames em Portugal, diz primeiro-ministro

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou hoje que exista “um caos” no processo de classificação digital dos exames nacionais, adiantando que estão corrigidas 99,5% das provas até ao momento.
“Não há nenhum caos nos exames em Portugal, lamento dizer. Não há um caos, há problemas, que nós gostaríamos que não existissem, é verdade”, afirmou Luís Montenegro, em resposta ao Livre no debate sobre o estado da nação, que decorre na Assembleia da República.
Depois da co-porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes ter instado o chefe do executivo a pedir desculpa a estudantes e comunidade escolar, Luís Montenegro adiantou que até ao momento estão corrigidas 99,5% das provas, cujo prazo de divulgação das notas termina na sexta-feira.
Hoje de manhã, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, disse que estavam classificados 99,3% dos itens, mas as principais dificuldades mantêm-se às disciplinas de Português e Matemática.
O chefe do executivo reconheceu falhas “de natureza técnica, eventualmente da gestão do processo”, que ainda estão a ser apuradas e levaram a um adiamento da publicação dos resultados.
Contudo, Montenegro insistiu na plataforma digital, realçando que este modelo “vai ser mais fiável quando funcionar em pleno, mais rigoroso, mais transparente”.
Apesar de admitir que este modelo não tem a adesão total de todas as entidades envolvidas, incluindo “dentro do próprio Ministério da Educação, serviços ou comunidade académica”, Montenegro manifestou-se convicto de que “motiva a adesão da esmagadora maioria do corpo docente”.
“E eu estou mesmo convencido, da comunidade académica”, acrescentou, sublinhando que “cabe ao Governo estabelecer um objetivo e lutar por ele”.
“Estamos a lutar pelo objetivo, que é o objetivo de assegurar aos estudantes uma avaliação rigorosa, uma avaliação que corresponda, precisamente, ao reconhecimento do seu esforço, do seu conhecimento e à justiça relativa entre todos aqueles, nomeadamente, que se candidatam ao ensino superior”, afirmou.
Montenegro disse ainda que o executivo sabia que esta transformação seria “muito delicada” e que nem tudo correu bem, mas voltou a afastar qualquer situação de caos.
“Mais perto do caos foi a situação em que nós encontramos a escola pública quando chegámos”, responsabilizando a solução parlamentar que juntou a esquerda e ficou conhecida como “geringonça”.
Antes, Isabel Mendes Lopes tinha acusado o Governo de “um caos de que não há memória” na classificação dos exames, o que gerou “uma enorme falta de confiança no sistema, algo absolutamente imperdoável”.
A também líder parlamentar criticou ainda o executivo por “desvalorizar o problema que o próprio criou” e ainda ter “a lata de dizer que há professores com resistência no processo”.
A co-porta-voz do Livre considerou que o “caos nos exames é apenas o sintoma mais visível” da reforma do Estado do Governo, que disse estar a ser feita “sem ouvir as pessoas”.
Um dos dossiês mencionados por Isabel Mendes Lopes foi a nova lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), promulgada pelo Presidente da República, mas cuja reapreciação parlamentar já foi requerida por Livre, PCP e BE.

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