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JP Morgan vê empresas a continuarem a investir em capex e acredita que IA vai ser “transformadora”

JP Morgan vê empresas a continuarem a investir em capex e acredita que IA vai ser “transformadora”

O JP Morgan no seu Guide to the Markets, para o terceiro trimestre, considera que as empresas devem continuar a apostar na subida das suas despesas de investimento (capex), e acredita que a inteligência artificial (IA) será transformadora apesar da tecnologia estar numa fase inicial.
A diretora do JP Morgan Asset Management para Portugal e Espanha, Lucía Gutiérrez-Mellado, identificou temas que podem impactar a segunda metade do ano. Aqui inclui-se o impacto da guerra no Médio Oriente, os motores de gastos fiscais e de investimento em capex seguem funcionando, como os mercados estão a ser impulsionados pelo investimento relacionado com a inteligência artificial, e ainda o posicionamento das carteiras.
Durante a apresentação do Guide to the Markets Lucía Gutiérrez-Mellado salientou, referindo-se ao petróleo, que o preço desta matéria-prima “estão a cair” tão rápido como subiram, consoante o aumento ou diminuição na tensão no Médio Oriente.
Para Lucía Gutiérrez-Mellado a descida no preço do petróleo é uma “boa notícia” para os níveis de inflação. Apesar do preço do petróleo estar a subir nos últimos dias (tendo atingido um máximo de quatro semanas recentemente), depois da retoma dos ataques entre Estados Unidos e Irão e das restrições norte-americanas aos portos iranianos, este continua a transacionar abaixo dos 100 dólares (barreira que já foi ultrapassado durante o conflito no Médio Oriente que se iniciou em fevereiro). Esta quinta-feira o brent está a negociar nos 84,71 dólares e o crude está nos 79,52 dólares.
“O preço do petróleo é um equilíbrio entre oferta e procura. Do lado da procura o mercado está a começar a assumir que a China não necessita de tanto petróleo. A China está a consumir petróleo de outra maneira. De uma forma mais eficiente e não está tão depende te do preço do petróleo. Do lado da oferta questionava-se sobre o que os países da zona do Médio Oriente iriam fazer quando se levantassem as restrições ao Estreito de Ormuz. Existiu uma sobreprodução. Isto levou à queda do preço do petróleo“, salientou.
O banco vê também o consumo como um dos motores para o crescimento económico. “A economia europeia por exemplo depende muito do consumo. Desde o ano passado existiam condições para a recuperação do consumo. Os norte-americanos estavam a ter um comportamento distinto ao nosso [Europa]. [Os Estados Unidos] saíram da pandemia da Covid-19 e começaram a consumir e a gastar as suas reservas. A Europa teve uma atitude de mais cautela”, explicou.
JP Morgan não vê necessidade de subida das taxas de juro
Entre as preocupações atuais dos consumidores, salientou Lucía Gutiérrez-Mellado, estão fatores como a inflação e possíveis subidas agressivas [nas taxas de juro] pelos bancos centrais.
Quanto ao mercado de trabalho o JP Morgan “não vê” tanta tensão quando comparado com 2022. “Isso deveria ajudar os bancos centrais a não aplicar uma política monetária mais restritiva, tranquilizando os consumidores”, considerou a diretora do JP Morgan Asset Management para Portugal e Espanha.
Lucía Gutiérrez-Mellado considerou que “não vê necessidade” do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal norte-americana (Fed), nesta fase, subirem as taxas de juros.
Gastos e investimento na defesa, segurança e tecnologia devem continuar
Lucía Gutiérrez-Mellado disse ainda que nos últimos anos se tem assistido a um fenómeno que se traduz na subida dos gastos fiscais por parte dos governos. “Estamos um mundo menos global. Este movimento [foi impulsionado] pela pandemia e pelas guerras entre Ucrânia e Rússia e no Médio Oriente. Em várias matérias tem-se caminhado para a independência. Aqui inclui-se a defesa, a segurança, a tecnologia. Pensamos que a tendência de gastos e de investimentos nestas áreas devem continuar”, acrescentou.
A diretora do JP Morgan Asset Management para Portugal e Espanha referiu que um dos motores do crescimento nos Estados Unidos tem sido o investimento em capex [despesas de investimento] . “O [capex] estava muito concentrado na inteligência artificial mas agora outros setores estão a aumentar as suas despesas de investimento”, explica.
“Essa despesa em capex deve continuar”, afirmou. “Acreditamos que a inteligência artificial vai ser transformadora apesar de estarmos numa etapa muito inicial”, defendeu.
Lucía Gutiérrez-Mellado referiu que as empresas hiperescaladoras (lote onde se encaixam cotadas como a Google, Meta, Microsoft, Amazon, Nvidia) têm liderado essa subida no capex. Contudo, sublinhou Lucía Gutiérrez-Mellado agora o mercado está a perguntar de que forma é que a subida do capex, nessas hiperescaladoras, se traduz em mais procura e nos resultados empresariais.
Os dados do JP Morgan indicam que os lucros por ação, das hiperescaladoras tem crescido a um ritmo mais lento, desde 2024, embora sublinhe que se mantenham a um nível elevado, enquanto que no setor dos semicondutores acontece o inverso
Apesar dessa liderança das hiperescaladoras, Lucía Gutiérrez-Mellado referiu que se tem assistido ao crescimento nos lucros em todos os setores do mercado. Para a diretora do JP Morgan Asset Management para Portugal e Espanha “isso é muito importante”.
Lucía Gutiérrez-Mellado referiu que durante muito tempo os lucros estavam muito ligados às empresas de inteligência artificial. “Isso já não se está a passar. Isso está a se estender a outros setores. Nós [JP Morgan] temos carteiras bem diversificadas e temos exposição a empresas de valor e de crescimento”, referiu.
Lucía Gutiérrez-Mellado referiu ainda que recentemente o JP Morgan aumentou a sua exposição a títulos de renda fixa de governo europeus. “Parece que o mercado foi muito agressivo [nas expetativas] de subidas de juro na Europa. Aumentamos a exposição a high yield. E em título de com notação de investment grade estamos neutros”, explicou.

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