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Estratégia “Água Que Une” vai investir 129 milhões até 2030 para aproveitamento hidroagrícola do rio Mira

Estratégia “Água Que Une” vai investir 129 milhões até 2030 para aproveitamento hidroagrícola do rio Mira

Macário Correia, presidente da AdP AQUA, teve no 8º Colóquio Hortofrutícola da Lusomorango, que se realizou esta sexta-feira em Odemira, a primeira oportunidade para explicar como é que o programa “Água que Une” vai beneficiar o perímetro de rega do Mira. Recorde-se que a AdP AQUA será a empresa responsável pela gestão, execução e coordenação desta estratégia de âmbito nacional.

Assim, está prevista a modernização e reabilitação total do aproveitamento hidroagrícola do Mira, o que vai permitir a redução de perdas e reabilitação integral do sistema adutor da barragem de Santa Clara e blocos de rega para aumento de eficiência e automação de equipamentos. Assim, está previsto um investimento de 129 milhões de euros até 2030. Outra medida desta estratégia passa pela criação de uma interligação entre o Alqueva e o Mira, uma obra de 27 milhões de euros a executar até 2030 pelo setor agrícola.

Além disso, a estratégia “Água que Une” integra ainda o estudo do regime de caudais ecológicos e de viabilidade técnica de adaptação de órgãos para libertação de caudal ecológico na barragem de Santa Clara e Corte Brique, num investimento estimado em 500 mil euros, que será executado até 2030. Além disso, será feita uma nova captação na albufeira de Santa Clara para o setor agrícola no valor de 5 milhões de euros a executar até 2032. Esta obra vai permitir a modernização do sistema de bombagem e permitir rebaixar a cota de captação da albufeira até aos 90 metros. O objetivo passa por garantir maior previsibilidade para os agricultores, com segurança de fornecimento mesmo com a albufeira a níveis mais baixos.

Macário Correia explicou que a empresa que gere tem uma encomenda que passa por 294 medidas para realizar pelo país mas o que está com projeto de execução e para avançar com obra “ainda é pouco”. “Outras ideias não têm projetos de execução nem avaliações ambientais, mas é bom que tenha existido essa estratégia e essa reflexão”, explicou.

Apesar do documento “ser consensual”, o antigo autarca lamentou que essa não seja uma realidade “para uns grupos organizados que estão preparados para agir em qualquer barragem onde se mexa”. Nesse universo de trabalho, Macário Correia destacou: “Temos 30 barragens para intervir e uma dúzia para fazer de novo, mas tenho a convicção que não há nenhuma que seja feita como antigamente (pela engenharia cívil), agora todas serão feitas por decisão judicial”, ironizou. E carregou no tom: “Portanto, quem vai decidir as barragens que se vão fazer serão os tribunais. Não haverá nenhuma barragem que não seja decidida em tribunal e se não for nas comarcas nacionais será nas instâncias europeias. Qualquer obra hidráulica relevante terá que passar pelo crivo judicial”.

Mira é “exemplo de sucesso” para o país

No painel “Produzir e Crescer com Ambição e Sustentabilidade”, Gonçalo Rodrigues, ex-secretário de Estado da Agricultura, enfatizou que “aqui no Mira, temos um exemplo de sucesso, de algo que funciona e há vontade para investir”. O ex-governante considera que “aqui há possibilidade de criar coesão territorial e que possamos ter água, que o conhecimento seja cada vez mais desenvolvido mas às vezes falta vontade política”. E deixou uma ressalva: “Temos que olhar para o território e perceber que nem todos os agricultores têm capacidade para investir e por isso é necessária uma alavanca que estimule esse desenvolvimento e a valorização da nossa agricultura”.

José Calado, diretor regional do Alentejo do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, deu nota de que “a biodiversidade é dinâmica e isso é, por vezes, muito complicado de entender pelos decisores”. “Não posso acrescentar uma ferramenta legal que possa prejudicar essa dinâmica. Isso não cria confiança. O que cria confiança é definir o ordenamento do território, algo que é muito difícil, com confiança e processos mais ágeis. tenho que ter um pilar técnico que se junte aos outros pilares”, explicou.

Margarida Oliveira, presidente do INIAV, congratulou o avanço do plano “Água que Une”: “Todos os países tinham uma estratégia para a água e nós estávamos a ficar para trás”. Esta dirigente explicou um pouco o trabalho da entidade que dirige: “No INIAV temos melhorado geneticamente aquilo que estamos a produzir para nos tornarmos mais competitivos e portanto, a biotecnologia tem que ser estratégica do ponto de vista do agroalimentar”. Contrariando algumas ideias pré-concebidas, Margarida Oliveira explicou que “os agricultores têm uma preocupação tremenda com o uso da água” e deixou um repto: “Temos que dar dados fidedignos que credibilizem os planos que estamos a apresentar e que a investigação acompanhe estes processos”. Por fim, deixou uma nota de preocupação quanto ao fator humano: “Não podemos pensar num salto competitivo sem a qualificação dos recursos humanos porque há uma desertificação de talento no setor do agro alimentar, uma autêntica erosão”.

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