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Joel Vasconcelos: “Garantir água é criar riqueza, emprego, investimento e desenvolvimento para o país”

Joel Vasconcelos: “Garantir água é criar riqueza, emprego, investimento e desenvolvimento para o país”

A Lusomorango tornou-se um dos maiores casos de sucesso da agricultura portuguesa. Quais foram os principais fatores que permitiram aos pequenos frutos passar de nicho agrícola a um dos segmentos mais exportadores do país?
O crescimento dos pequenos frutos em Portugal resulta da conjugação de vários fatores. Desde logo, da visão e capacidade de investimento dos produtores portugueses, que souberam identificar uma oportunidade de mercado e apostar em culturas de elevado valor acrescentado. Depois, da existência de condições climáticas únicas no nosso país, particularmente na região do Sudoeste Alentejano, que permitem produzir fruta de elevada qualidade durante praticamente todo o ano, respondendo às exigências dos mercados e consumidores internacionais. No caso da Lusomorango, percebemos há cerca de 20 anos que, isoladamente, os produtores dificilmente conseguiriam ganhar escala, garantir regularidade de fornecimento ou responder aos elevados padrões de qualidade, certificação, rastreabilidade e logística exigidos pela grande distribuição europeia. A Organização de Produtores permitiu precisamente isso: juntar dimensão, profissionalizar processos, investir em tecnologia e apresentar ao mercado uma oferta consistente. Em 2025 integrámos também o ranking das 1.000 Maiores Empresas Portuguesas, um reconhecimento do percurso de crescimento e solidez da organização.
 A questão da água é apontada como o maior desafio para o futuro do Sudoeste Alentejano. O que está realmente em causa para o setor se não forem encontradas soluções estruturais para o armazenamento e gestão hídrica?
O que está em causa é muito mais do que a agricultura. Está em causa a capacidade de manter vivo um território, fixar população, preservar empresas, criar emprego e assegurar produção alimentar nacional. A água é, sem dúvida, o principal desafio estrutural que enfrentamos. Os produtores fizeram a sua parte: entre 2019 e 2023, a agricultura no Perímetro de Rega do Mira reduziu o consumo de água em 72%, resultado de um enorme investimento em agricultura de precisão, sistemas de rega mais eficientes, sensores, monitorização permanente e melhores práticas agrícolas. Estamos perante uma fileira estratégica para a economia portuguesa, que em 2025 gerou mais de 1.000 M€ de VAB e 34 mil empregos, segundo a EY-Parthenon. Garantir água é criar riqueza, emprego, investimento e desenvolvimento para o país.
A Lusomorango tem investido fortemente em inovação e agricultura de precisão. Até que ponto estas tecnologias poderão transformar o trabalho agrícola nos próximos anos?
A inovação faz parte do ADN da Lusomorango. Encaramos a inovação como uma ferramenta para responder a três grandes desafios: a escassez de mão de obra, a pressão sobre os recursos naturais e a necessidade de produzir melhor, com menor impacto ambiental. Em 2023 criámos, em parceria com o INIAV IP, a Driscoll’s e a Maravilha Farms, o Centro de Investigação para a Sustentabilidade (CIS), no Polo de Inovação da Fataca, em Odemira. Trata-se de um verdadeiro laboratório vivo onde produtores, empresas e investigadores desenvolvem soluções aplicadas aos desafios reais da agricultura, e cujo trabalho foi reconhecido em 2025 com o Prémio de Sustentabilidade do COTHN. O programa prevê ainda reforçar a investigação, incluindo a criação de um Centro de Investigação de Pequenos Frutos em Almeirim. Mas acima de tudo, acreditamos que a inovação só faz sentido quando resolve problemas concretos da agricultura e contribui para tornar o setor mais eficiente, mais sustentável e mais competitivo.
O setor depende cada vez mais de trabalhadores estrangeiros. Como é possível conciliar as necessidades de mão de obra da agricultura com uma integração social e laboral digna e sustentável?
Em primeiro lugar: Portugal precisa de pessoas, de trabalhadores, de mais mão de obra. A economia, no seu todo, e a agricultura muito particularmente. E essas pessoas devem ser respeitadas, integradas e valorizadas. O verdadeiro desafio já não é apenas recrutar trabalhadores. É conseguir garantir estabilidade, integração e previsibilidade. Mas a integração vai muito para além da contratação. Não pode ser apenas laboral; tem de ser também social, comunitária e territorial. É essencial garantir condições dignas de habitação, acesso à saúde, educação para as famílias, mobilidade e plena integração nas comunidades onde estas pessoas vivem e trabalham. O crescimento económico só faz sentido quando é acompanhado por responsabilidade social. Quem produz alimentos para mercados internacionais exigentes também tem de ser exemplar na forma como trata as pessoas que tornam essa produção possível.
Qual é a visão da Lusomorango para a próxima década e como gostaria de ver o setor dos pequenos frutos em Portugal no horizonte de 2035?
A nossa visão para a próxima década é clara: queremos que a Lusomorango continue a ser uma organização de produtores competitiva, inovadora e sustentável, profundamente ligada ao território e capaz de gerar valor para Portugal. Para isso precisamos de água, pessoas e simplificação dos procedimentos da administração pública. Recentemente vimos aprovado o maior Programa Operacional alguma vez atribuído a uma Organização de Produtores em Portugal: 28,1 M€ para o período 2026-2028, podendo este montante aumentar até 25% durante a sua execução. Em 2035, queremos ser reconhecidos por produzir mais com menos recursos, proteger a água e a biodiversidade, integrar pessoas com dignidade e transformar conheci
 
Este conteúdo foi produzido em parceria com a Lusomorango.

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