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Merz e Macron debatem um até agora inviável entendimento no setor da defesa

Merz e Macron debatem um até agora inviável entendimento no setor da defesa

Os líderes da França e da Alemanha reuniram esta sexta-feira para conversar sobre o futuro da cooperação na área da defesa, depois do colapso de um projeto conjunto construção de aviões de guerra, considerado um dos principais investimentos dos países envolvidos e uma espécie de lançamento da estratégia europeia no setor. O projeto Future Combat Air System (FCAS) foi oficialmente abandonado no mês passado devido a divergências industriais, disputas de liderança e requisitos militares incompatíveis entre os dois países – o que mostra bem, segundo os analistas, que o envolvimento comum na defesa é pouco mais que uma quimera que, na melhor das hipóteses, demorará anos a ver a luz do dia.
Para o presidente francês Emmanuel Macron, existe uma necessidade urgente de avançar na área da defesa antes das eleições presidenciais da próxima primavera, nas quais a líder da extrema-direita Marine Le Pen é a principal candidata à sua sucessão. Para os analistas, a possibilidade de uma presidência de Le Pen aumenta ainda mais a incerteza face à defesa comum – mas o projeto FCAS dá indicações de que, mesmo querendo, os países não se entendem.
Esta segunda tentativa foi envolvida em simbolismo: os gabinetes completos de ambos os governos reuniram-se para conversações num castelo perto de Colónia, onde o presidente francês Charles de Gaulle e o chanceler alemão Konrad Adenauer se tinham encontrado e concordado com a ideia de um tratado de amizade entre os dois países em 1962, salienta a imprensa internacional. Mas o encontro tem um horizonte curto: as duas partes querem criar um “grupo de direção” conjunto para aprofundar a cooperação em sistemas de radar, capacidades de ataque de longo alcance e mísseis de defesa. Bem menos transversal que o projeto FCAS.
Na quinta-feira, Macron afirmou que desejava que os encontros dessem uma “nova dinâmica” à cooperação em matéria de defesa, como parte da criação de uma “Europa poderosa que una as nossas forças”.
O FCAS soçobrou por desentendimentos entre a Airbus e a francesa Dassault e o mesmo está prestes a suceder com o projeto conjunto Sistema de Combate Terrestre (MGCS), que visa substituir os tanques de guerra utilizados pela França e pela Alemanha, e que também tem sido assolado por tensões internas desde que a alemã Rheinmetall entrou no perímetro de interesses. A defesa aérea tem sido outro ponto de discórdia, com a Alemanha a promover a sua Iniciativa Escudo Aéreo Europeu (ESSI), que depende fortemente dos sistemas Patriot norte-americano e Arrow-3 israelo-americano. A França recusou participar neste projeto, argumentando que aumentaria a dependência da Europa em relação aos Estados Unidos e que o continente deveria, em vez disso, procurar impulsionar a sua própria indústria de defesa.
Uma área de convergência pode ser a ideia de um esquema de dissuasão nuclear liderado pela França. Macron afirmou, no início deste ano, que a Alemanha era um dos oito países que concordaram em participar nesse projeto – que Paris lançou, mas que desde então tem vindo a marcar passo. Até porque a França não abrirá mão de ter um controlo reservado sobre o nuclear – afinal, um dos temas que levou o já citado general De Gaulle a retirar (ou suspender, dependendo dos pontos de vista) a França da NATO por um alargado período de tempo.

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