Gás natural fica sempre para segundo plano: só 8,5% das mudanças de energia envolvem gás isolado
Nas decisões de energia dos portugueses há um protagonista claro e um coadjuvante. Segundo a Análise de Mercado de Energia do ComparaJá, quando os consumidores mudam de contrato, a eletricidade concentra a esmagadora maioria das mudanças; os contratos que juntam luz e gás representam cerca de 21%, e o gás natural isolado fica-se por perto de 8,5%.
A explicação é sobretudo geográfica e estrutural. A eletricidade é universal, chega a todas as casas; o gás natural tem presença muito desigual pelo país, ausente em muitas zonas e substituído por outras soluções de aquecimento e cozinha. Menos casas com gás significam, naturalmente, menos decisões sobre gás.
Há também um fator de fatura. Para a maioria dos agregados, a eletricidade pesa mais no orçamento energético do que o gás, o que faz com que seja aí que a atenção, e a poupança potencial, se concentram. Mudar a tarifa da luz tem, para a maior parte, um impacto mais visível ao final do mês.
Ainda assim, para quem tem gás, o contrato dual pode fazer sentido: juntar luz e gás no mesmo fornecedor simplifica a gestão e, em alguns casos, traz condições mais vantajosas. A regra não muda, é a mesma da eletricidade: comparar antes de assumir que o que se tem é o melhor que há.
O retrato final é de um consumidor pragmático, que investe a sua atenção onde o impacto é maior. O gás não desaparece das contas, mas raramente é ele a puxar a decisão de mudar.
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