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Mar Vermelho prestes a entrar no perímetro da guerra

Mar Vermelho prestes a entrar no perímetro da guerra

O Irão ordenou formalmente ao grupo Houthi, que controla parte do Iémen, que se prepare para bloquear a navegação e fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, a principal porta de entrada do Mar Vermelho – que dá acesso ao Canal do Suez. Se isso acontecer – e a ação anterior dos Houthis já o provou – será o regresso do caos ao setor da navegação e, por osmose, a todas as atividades, setores e níveis de vida. Com o Estreito de Ormuz fechado, se o comércio mundial deixar de poder usar o Mar Vermelho em segurança, as consequências serão um perfeito desastre. Dependendo do tempo que esta estratégia demorar, o impacto sobre a inflação será brutal.
De qualquer modo, e segundo as agências internacionais, este mecanismo de retaliação engendrado pelo regime de Teerão é condicional: foi configurado para ser executado de forma imediata caso as forças militares dos Estados Unidos decidam atacar a infraestrutura energética ou a rede elétrica do território iraniano. Pouco habituado a deixar-se pressionar pelo inimigo, o presidente dos Estados Unidos não deixará de dar uma resposta. A ver pelo que se tem passado desde o início da guerra, os analistas indicam que tudo vai piorar antes do regresso – provavelmente não muito demorado- de alguma normalidade.
 
Preço do petróleo em alta
Para todos os efeitos, o preço do petróleo aumentou fortemente nos mercados internacionais, com o barril de brent a subir quase 10% numa única sessão (esta quinta-feira) e a consolidar na barreira dos 85 dólares. “Esta reação explosiva reflete o pânico dos investidores perante a possibilidade real de um bloqueio simultâneo nos dois maiores pontos de estrangulamento energético do mundo: o Estreito de Omuz e o Mar Vermelho”, refere um analista citado pela estação televisiva CNN. O petróleo WTI (referência nos Estados Unidos) acompanhou a tendência com uma forte alta superior a 9%, fixando-se acima dos 80 dólares por barril.
“Interrupções simultâneas afetando Hormuz e Bab el-Mandeb ampliariam significativamente a pressão sobre as cadeias de fornecimento, aumentariam as restrições de disponibilidade de navios-tanque e elevariam os prémios dos seguros”, disse Wael Makarem, estratega de mercados financeiros da Exness, citado pela CNBC. O volume total de petróleo que transitou por Bab el-Mandeb atingiu 7,4 milhões de barris por dia em junho, ou cerca de 7% da produção global de petróleo, segundo dados da Kpler, um aumento muito significativo em relação aos 4,2 milhões de barris por dia registados no ano passado.
“Parece razoável que os preços continuem a subir em direção aos 90 a 95 dólares por barril e talvez até mesmo atinjam novamente os 100 dólares”, dizia por seu turno Ole Hvalbye, analista de mercado da SEB Research. Na quarta-feira, sete navios passaram pelo Estreito de Ormuz, quase metade dos que arriscaram passar no dia anterior (13) e uma parte ínfima do fluxo diário antes da guerra (entre 120 e 140).
O Mar Vermelho tem um peso vital e estratégico para a economia global, sendo responsável por canalizar entre 12% e 15% de todo o comércio mundial em termos de volume. A rota funciona como a principal artéria marítima que liga os mercados industriais da Ásia aos grandes centros de consumo da Europa e das Américas. Vale a pena lembrar que o Canal do Suez esteve fechado ao trânsito naval (por ordem do Egipto) durante oito anos (1967–1975), em resposta à Guerra dos Seis Dias (israelo-árabe).
 
Tensão entre houthis e sauditas
Entretanto, os houthis – que já disseram que acatariam a ordem de ataque de Teerão –ameaçaram um “cerco” à Arábia Saudita em retaliação a um ataque ao Aeroporto Internacional de Sanaa, no Iémen. Os houthis culparam a Arábia Saudita pelo ataque (que aconteceu na passada segunda-feira), mesmo que o governo iemenita (reconhecido internacionalmente e controlando uma pequena parte do país com o auxílio da Arábia Saudita) tenha afirmado a sua responsabilidade. O país, cujo presidente reconhecido é Rashad al-Alimi, disse que o ataque foi uma medida para impedir que um avião iraniano pousasse na capital iemenita – que é, aliás, controlada pelos houthis. Em declarações à Al Jazeera, Mohammed al-Bukhaiti, membro do gabinete político houthi, afirmou que o grupo responderia a ataques que considerassem originários da Arábia Saudita.
Para todos os efeitos, o caos continua a aumentar no Médio Oriente. Em todo o Médio Oriente: ainda esta quarta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que as tropas do Estado hebraico se preparam para, perante qualquer provocação, infligirem danos nunca vistos aos seus inimigos.

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