Microsoft e Mistral anunciam nova parceria para expandir infraestrutura de IA na Europa
A tecnológica norte-americana Microsoft e a francesa Mistral, que é a startup europeia mais valiosa no setor da inteligência artificial (IA), anunciaram um novo acordo, na terça-feira, para expandir a infraestrutura de IA na Europa.
“A Microsoft irá aproveitar a infraestrutura expandida de Unidade de Processamento Gráfico (GPU) da Mistral na Europa para aumentar a capacidade de desenvolvimento de IA e para suportar a entrega dos serviços de cloud (ou nuvem) e IA da Microsoft. Isto representa um investimento bilionário da Microsoft e uma forma importante para os clientes da Microsoft beneficiarem das inovações científicas e de computação da Mistral”, adiantou a tecnológica liderada por Satya Nadella.
O Mistral Medium 3.5 e o OCR 4 passam a estar disponíveis no Microsoft Foundry, e o Mistral Medium 3.5 está agora no Microsoft Copilot Studio. “Isto traz os benefícios dos modelos de ponta, eficientes e multilingues da Mistral para os clientes da Microsoft em todo o mundo, permitindo aos programadores criar, personalizar e operar aplicações de IA”, referiu a Microsoft.
“O Mistral Medium 3.5 traz um modelo openweight para um ambiente Azure gerido, permitindo aos programadores e empresas criar, personalizar e implementar aplicações de IA com controlo, opções de implementação soberanas e escalabilidade previsível e económica”, explica a organização liderada por Satya Nadella. “O OCR 4 suporta pipelines estruturados de processamento de documentos e fluxos de trabalho com agentes, e ambos os modelos podem ser aplicados em aplicações com agentes, automação e soluções específicas de domínio, utilizando ferramentas e fluxos de trabalho já estabelecidos na plataforma Foundry. Na camada de aplicação, as empresas levaram o modelo Medium 3.5 da Mistral para o Copilot Studio, combinando a flexibilidade do modelo com a governação de nível empresarial, capacitando as equipas para escolher o melhor modelo para um determinado cenário, mantendo o controlo sobre como e onde os dados são processados”, acrescentou a tecnológica.
O Azure, que é a oferta de nuvem da Microsoft, vai permitir às organizações implementar modelos da Mistral em ambientes de cloud, ligados à cloud e totalmente desconectados, “mantendo o controlo sobre os dados, as operações e a continuidade do negócio”, explicou a tecnológica.
A Microsoft salientou que o reforço da parceria com a Mistral visa ajudar as empresas e os setores regulamentados a adotarem IA de ponta com “maior liberdade de escolha, controlo e consistência operacional”.
Modelos serão integrados na plataforma Microsoft
As duas empresas estão a integrar os modelos de ponta e eficientes da Mistral na plataforma Microsoft, incluindo o Microsoft Foundry, Copilot Studio e Azure, para que os clientes “possam criar e executar IA num amplo espectro de ambientes operacionais, desde implementações à escala da cloud até operações totalmente desconectadas e controladas” pelo cliente.
“Na Europa e noutros mercados regulamentados, as organizações desejam ter acesso à IA de ponta, mantendo o controlo sobre os seus dados, operações e cargas de trabalho críticas. Esta parceria alarga a abordagem de Nuvem Soberana da Microsoft, combinando os modelos topo de gama da Mistral com a plataforma de segurança, conformidade e cloud-to-edge da Microsoft, oferecendo aos clientes uma maior liberdade de escolha sobre como e onde implementar a IA”, sublinhou a tecnológica.
O vice-presidente chairman e presidente da Microsoft, Brad Smith, considerou que a Europa deve ter acesso à IA mais avançada do mundo “sem comprometer” o controlo sobre os seus dados, operações ou futuro digital.
“Ao integrar os modelos europeus de topo da Mistral no nosso portefólio de cloud soberana e ativá-los em ambientes de cloud pública, ligados à cloud e totalmente desconectados, estamos a honrar os Compromissos Digitais Europeus que assumimos e a oferecer aos clientes uma base fiável para a IA que podem operar nos seus próprios termos”, acrescentou Brad Smith.
Já o cofundador e CEO da Mistral, Arthur Mensch, referiu que a missão da empresa sempre foi colocar a IA de ponta nas mãos de todas as organizações, “mantendo-as no controlo” da sua tecnologia.
“Com a Microsoft como nosso parceiro, os nossos modelos chegam a empresas e instituições públicas à escala global — entregues através de uma plataforma fiável para as cargas de trabalho mais exigentes e regulamentadas, e disponível em todos os locais onde os nossos clientes operam”, disse Arthur Mensch.
Acordo multibilionário para expandir infraestrutura de IA na Europa
A tecnológica liderada por Satya Nadella acrescentou que a parceria com a Mistral é sustentada por um novo acordo multibilionário focado na expansão da infraestrutura de IA na Europa. “A Mistral está a expandir a sua capacidade de GPU, utilizando milhares das mais recentes GPU Nvidia Vera Rubin para aumentar a disponibilidade de computação de IA para os seus clientes e fornecer uma plataforma partilhada para formação, inferência e implementação em larga escala”, sublinhou.
“O acordo reforça a infraestrutura de IA na Europa e, ao mesmo tempo, ajuda a Microsoft a satisfazer a crescente procura de serviços de cloud e IA. Em linha com a abordagem flexível da Microsoft às infraestruturas globais, que combina os seus próprios centros de dados, instalações alugadas e colaborações estratégicas com fornecedores terceiros, expande a capacidade da Microsoft na Europa e apoia os Compromissos Digitais Europeus anunciados em 2025”, reforçou a Microsoft.
O vice-presidente de Hiperescala e Computação de Alto Desempenho da Nvidia, Ian Buck, disse que a IA agêntica “está a impulsionar uma procura sem precedentes” por infraestruturas de IA de alto desempenho e energeticamente eficientes.
“Ao implementar sistemas Nvidia Vera Rubin à escala, a Mistral e a Microsoft fornecerão aos clientes a base computacional necessária para construir e executar a próxima geração de IA na Europa e noutros países”, disse Ian Buck.
As duas empresas vão poder desenvolver aplicações de IA utilizando os mesmos modelos, ferramentas, Interface de Programação de Aplicações (API) e fluxos de trabalho no Microsoft Foundry e no Foundry Local. “Isto proporciona às equipas uma forma consistente de criar, personalizar e operar aplicações de IA, independentemente do local onde essas aplicações são executadas”, diz a tecnológica norte-americana. “O Microsoft Foundry fornece a plataforma de desenvolvimento para descobrir, criar e implementar modelos e agentes na nuvem. O Foundry Local estende esta experiência de desenvolvimento e execução ao Azure Local, permitindo às organizações aproximar a IA dos seus dados, utilizadores e ambientes operacionais. Juntos, ajudam a reduzir a necessidade de redesenhar as aplicações para cada cenário de implementação, ao mesmo tempo que oferecem aos clientes mais flexibilidade na forma como satisfazem os requisitos de soberania, latência e resiliência”, adiantou a mesma empresa.
A Microsoft referiu que como parte da expansão do relacionamento com a Mistral, as duas empresas “estão a alinhar” um plano conjunto de entrada no mercado e “procurarão oportunidades corporativas em conjunto” na Europa e a nível global. “A Mistral e a Microsoft estão também a expandir a parceria para acelerar a adoção pelos clientes, financiando provas de conceito (PoCs), oferecendo créditos Azure e conduzindo workshops para impulsionar a inovação em IA junto dos clientes”, explicou a tecnológica norte-americana.
“As organizações dos setores dos serviços financeiros, manufatura, saúde e outros setores regulamentados estão a executar a IA em ambientes onde o controlo e a resiliência são obrigatórios. Com esta parceria, podem criar aplicações de IA no Microsoft Foundry e executá-las no Azure ou no Azure Local, utilizando os modelos da Mistral em ambientes operacionais na nuvem, ligados à nuvem e totalmente desligados. A Microsoft e a Mistral continuarão a trabalhar para servir os clientes, à medida que inovamos nos modelos, na experiência de desenvolvimento, na plataforma de desenvolvimento e na infraestrutura de IA europeia que tornam isto possível”, conclui a empresa norte-americana.
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