BCE mantém juros inalterados em julho com mira já apontada a setembro
O Banco Central Europeu (BCE) deixou os juros inalterados na reunião concluída esta quinta-feira, em linha com o esperado pelo mercado apesar do reacender do conflito no Médio Oriente atirar novamente a economia da zona euro para uma incerteza acrescida. Sem atualizações das projeções macro nesta reunião, o foco dos investidores estará na conferência de imprensa de Christine Lagarde à procura de sinais quanto às próximas decisões.
A taxa de referência para a moeda única mantém-se assim em 2,25% após a subida em junho, quando novo disparo na cotação internacional do petróleo precipitou uma reação no imediato da autoridade monetária europeia. À altura, a presidente do BCE rejeitou que se tivesse tratado de uma subida ‘de segurança’.
Desde então, a situação no Médio Oriente não evoluiu de forma favorável, com o memorando de entendimento entre norte-americanos e iranianos já rasgado e uma escalada na troca de fogo entre as duas partes, ainda que sem atingir o nível da primeira ronda de hostilidades.
Contudo, o preço do barril de petróleo não reagiu de forma tão exacerbada como em março, mantendo-se abaixo dos 100 dólares (87,6 euros) e sobretudo na faixa dos 80 a 90 dólares (70,1 a 78,9 euros), um cenário compatível com o baseline projetado pelo BCE na mais recente atualização das projeções macro, em junho.
Isso mesmo é reconhecido na nota de imprensa que informou da decisão, que fala em perspetivas “voláteis” para a energia, mas “próximo do cenário base das projeções de junho e bem acima dos níveis registados antes do conflito”.
Recorde-se que a leitura mais recente da inflação mostrou uma desaceleração entre os 3,2% registados em maio e os 2,8% de junho, com a componente energética a abrandar também de 10,8% para 8,5%.
Na mesma linha, também o indicador subjacente, que descarta as categorias energética e alimentar, caiu de 2,6% para 2,4% em termos homólogos, reforçando a ideia de que a tendência implícita dos preços na zona euro é de queda.
A atenção dos investidores estará assim colocada na conferência de imprensa que se segue, em busca de sinais quanto às próximas decisões. O mercado inclina-se com elevada probabilidade para nova subida em setembro, sobretudo se a tensão entre EUA e Irão continuar sem uma resolução pacífica, mas é expectável que Christine Lagarde reforce a necessidade de manter a dependência dos dados.
A nota do BCE, de resto, exclui quaisquer compromissos com trajetórias pré-definidas para os juros, reforçando a “abordagem reunião a reunião” e a “boa posição do Conselho para navegar a incerteza causada pelo conflito”.
[notícia atualizada às 13h24]
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