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Resultados da Altri duplicam no segundo trimestre face ao homólogo

Resultados da Altri duplicam no segundo trimestre face ao homólogo

O resultado líquido atribuível aos acionistas da Altri foi de 12,9 milhões de euros, face aos 6,4 milhões registados no mesmo período do ano passado – um aumento de um pouco mais de 100% – e substancialmente melhor quando comparado com os resultados de 7,3 milhões negativos registados nos primeiros três meses deste ano.
As receitas totais do grupo atingiram 204,6 milhões de euros no segundo trimestre do ano (2T 2026), um aumento de 20,8% face ao período homólogo de 2025. O EBITDA situou-se em 30 milhões de euros no 2T26, valor que compara com 28,2 milhões no segundo trimestre de 2025, e com 5,4 milhões de euros no trimestre anterior, demonstrando uma recuperação face a diversos impactos, nomeadamente as tempestades que assolaram o País no início do ano.
“O 2T26 mostrou uma recuperação significativa da rentabilidade em comparação com o 1T26, ainda que o efeito das tempestades continue a impactar o acesso a madeira, quer em termos de quantidade quer em termos de preço. Acreditamos que este impacto se irá diluir nos próximos trimestres”, refere comunicado do grupo enviado à CMVM.
O investimento líquido total realizado pelo Grupo Altri no primeiro semestre de 2026 foi de 33,7 milhões de euros, o que compara com 20,9 milhões no período homólogo. “Este valor inclui 27 milhões referentes a investimentos classificados como ESG, 80% do investimento líquido total”.
A dívida líquida do Grupo Altri atingiu 397,9 milhões de euros no fim de junho de 2026, o que compara com 348,4 milhões no final de março de 2026. “A evolução no trimestre deve-se, sobretudo, à distribuição de dividendos no valor de 51,3 milhões de euros e a um aumento já expectável no nível de investimento, relacionado com os vários projetos de diversificação (conversão para DP na Biotek, recuperação e valorização de ácido acético e furfural e a unidade de scale-up industrial do filamento AeoniQ)”. Este nível de dívida, explica o comunicado, equivale a um rácio de Dívida Líquida/EBITDA LTM de 5,5x. A dívida líquida total era de cerca de 480,4 milhões no final do 2T26. “O Grupo Altri apresentava um peso de dívida remunerada a taxa fixa (incluindo contratos de swaps de taxa de juro) de 39%, no final de junho de 2026”.
Em termos de projetos em andamento, o comunicado refere que “o Projeto Gama, na Galiza, na sua configuração atual, foi arquivado pela administração autónoma devido à não inclusão no planeamento da rede elétrica nacional, apesar da sua autossuficiência energética. Com base neste desenvolvimento, o Grupo Altri continuará a monitorizar futuras opções que permitam criar as condições adequadas ao seu desenvolvimento”.
O projeto de conversão total de produção de fibra papeleira (BHKP) para fibra solúvel (DP) na Biotek “encontra-se numa fase de aceleração, com múltiplas qualificações em fase avançada”. Já o projeto de recuperação e valorização de ácido acético e furfural de base renovável, na Caima, encontra-se em fase de arranque, sendo de esperar um ramp-up progressivo até ao final do ano, altura em que deverá atingir um nível de utilização próximo de 100% da capacidade nominal. Também o processo de instalação na Caima de uma unidade pré-industrial, com vista ao scale-up do filamento AeoniQ, está a decorrer. “Prevê-se que a unidade possa iniciar produção antes do final do ano. Esta unidade vai permitir, a curto prazo, aumentar níveis de produção e acelerar processos de qualificação junto de clientes, neste novo mercado de fibras têxteis sustentáveis”.
José Soares de Pina, CEO do grupo, disse, citado pelo comunicado, que “o segundo trimestre ficou marcado por uma recuperação clara da nossa atividade. Depois de um início de ano particularmente exigente, conseguimos restabelecer a normalidade operacional e voltar a um nível de desempenho que melhor reflete a capacidade do Grupo. Os resultados deste trimestre mostram essa evolução. As receitas cresceram de forma expressiva, impulsionadas pelo aumento dos volumes vendidos e por uma melhoria gradual dos preços das fibras celulósicas. A rentabilidade recuperou significativamente face ao trimestre anterior, embora ainda tenhamos sentido alguns impactos indiretos das tempestades que afetaram Portugal no início do ano, sobretudo no abastecimento de madeira, logística de produtos acabados e respetivos custos”.
“Entramos na segunda metade do ano conscientes dos desafios que permanecem, mas também confiantes no caminho que estamos a seguir. Temos projetos estruturantes em fase de execução, um mercado que apresenta sinais de melhoria e, acima de tudo, uma equipa competente e empenhada, capaz de transformar desafios em oportunidades”, disse ainda.

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