Famílias ultrapassam orçamento para garantir vaga em lares e pressão agrava-se abaixo dos 1.500 euros
Mais de metade das famílias com orçamentos até 1500 euros para uma residência sénior acabam por pagar mais do que planeavam. A conclusão é do primeiro Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal, divulgado esta sexta-feira, que traça um retrato de urgência, pressão financeira e decisões tomadas em poucas semanas quando o cuidado em casa deixa de ser opção.
Segundo o estudo, desenvolvido pela Via Senior em parceria com a BA&N Research Unit, 52% das famílias neste escalão acabam por ultrapassar o limite definido. Apenas 48% conseguem encontrar solução dentro do orçamento. A pressão alivia à medida que a capacidade financeira aumenta: entre os 1501 e os 2000 euros, 32% ainda excedem o valor previsto, descendo para 12% nos orçamentos entre 2501 e 3000 euros. Acima dos 3000 euros, praticamente todas as colocações (98%) são feitas dentro do montante inicial.
O dado ganha maior relevância quando se percebe que nove em cada dez pedidos têm um teto máximo de 2000 euros mensais. Ou seja, a maioria das famílias procura soluções num mercado onde os preços frequentemente ultrapassam a sua capacidade.
A urgência marca todo o processo. Metade das colocações acontece em até 15 dias e 87% são concluídas no prazo de um mês. “A procura inicia-se quando já existe uma necessidade imediata”, refere o barómetro, apontando para situações de agravamento do estado de saúde, perda de autonomia ou impossibilidade de manter o idoso no domicílio.
Em 78% dos casos, os idosos já apresentam algum grau de dependência: 17% são totalmente dependentes e 61% semi-dependentes, necessitando de apoio em tarefas quotidianas, medicação ou mobilidade.
A decisão recai, sobretudo, sobre os filhos. São responsáveis por 60% dos contactos para encontrar uma residência, aos quais se somam genros e noras (10%). Apenas 4% dos pedidos são iniciados pelos próprios idosos, evidenciando que esta é uma decisão essencialmente familiar.
A procura é, na esmagadora maioria, definitiva. Cerca de 88% dos pedidos destinam-se a soluções permanentes, refletindo a necessidade de respostas de longo prazo e não apenas transitórias.
Lisboa concentra quase metade da procura (49%), seguida do Porto (14%) e de Setúbal (12%). Em conjunto, estes três distritos representam cerca de três quartos dos pedidos, acompanhando a concentração populacional e a maior oferta nestas regiões.
O perfil dos utentes é também claro: 86% têm 75 ou mais anos, com destaque para a faixa entre os 85 e os 94 anos (44%). As mulheres representam 63% dos casos.
Para Nuno Saraiva de Ponte, CEO da Via Senior, os dados confirmam uma tendência já perceptível no setor: “A procura de uma residência para um familiar idoso é cada vez mais marcada pela urgência, pela perda de autonomia e pela capacidade financeira limitada das famílias.”
“Os resultados agora obtidos neste barómetro revelam que a procura de uma residência para um familiar idoso é cada vez mais marcada por três fatores: a urgência, a perda de autonomia e a capacidade financeira limitada das famílias”, afirma Nuno Saraiva de Ponte.
Perante este cenário de famílias em dificuldades, com orçamentos limitados, e de um Estado sem resposta pública imediata, Nuno Saraiva de Ponte reforça a urgência de Portugal adotar um sistema de apoio direto aos agregados familiares semelhante ao já testado e em funcionamento em Espanha, a ‘Prestación Económica Vinculada al Servicio’ (PEVS), integrada na Lei da Dependência.
O valor deste ‘Cheque Sénior’ varia em função dos rendimentos do agregado familiar, do grau de dependência física ou cognitiva do idoso e do custo da resposta necessária. Isto significa que as famílias de menores rendimentos recebem comparticipações mais elevadas e que os idosos com maior dependência (física ou psicológica) têm apoio reforçado. Desta forma, muitos agregados, atualmente excluídos de apoios sociais, mas incapazes de suportar, integralmente, as mensalidades das Residências, poderiam finalmente aceder a soluções dignas e seguras.
O Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal foi elaborado com base na análise dos pedidos de procura e das colocações registados pela Via Senior ao longo de 2025, a partir da informação disponível na respetiva base de dados interna. Os dados foram tratados pela BA&N Research Unit de forma agregada e anonimizada, com o objetivo de identificar tendências, perfis predominantes e padrões de procura por estruturas residenciais para pessoas idosas em Portugal.
Sobre a Via Senior
A Via Senior foi constituída com o objetivo de dotar as famílias da informação necessária para as suas decisões de vida sénior, adequadas ao seu perfil e necessidades clínicas, e para apoiá-las nesse processo, muitas vezes moroso e difícil. A atividade da Via Senior está concentrada numa plataforma digital onde é possível de forma simples e rápida obter informação sobre a oferta disponível de alojamento para seniores em todo o País. Destaca-se pela clareza na informação apresentada, não só pelo nível de detalhe do alojamento, como por permitir, à partida, saber os preços praticados. Adicionalmente, e como característica diferenciadora, faz o acompanhamento personalizado do processo de seleção, o que inclui a definição do perfil e necessidades, da lista de ofertas compatíveis, e o agendamento das visitas às residências. Trata-se de um serviço premium disponível para a população portuguesa e, recentemente, também a espanhola, que tem a particularidade de não ter qualquer custo para o utilizador.
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