TensorOps: Primeira empresa portuguesa na rede da OpenAI
Há uma empresa portuguesa na rede de parceiros da OpenAI, a criadora do ChatGPT. É a primeira. Chama-se TensorOps, trabalha em engenharia de inteligência artificial (IA), na concretização de projetos, na transformação de ideias em aplicações concretas. E este é foco da nova fase da revolução tecnológica que estamos a viver.
“A inteligência artificial está a mudar a forma como o mundo inteiro funciona. Aconselha médicos sobre tratamentos, protege infraestruturas críticas, informa a maneira como os investidores tomam decisões. Acontece que há muito poucas empresas no mundo com o que é preciso para construir sistemas desta importância”, diz ao Jornal Económico (JE) Cláudio Lemos, cofundador e CEO da TensorOps. “A distância entre uma ideia de IA e ter IA a funcionar de verdade, todos os dias, para milhões de utilizadores é enorme. Nós somos a equipa que fecha esse gap, e rápido”, acrescenta.
Um exemplo do trabalho que desenvolvem foi o que fizeram para o Seeking Alpha, uma plataforma colaborativa global de pesquisa financeira e investimentos, que quis transformar a barra de pesquisa do seu site num assistente conversacional que responde a perguntas financeiras com fontes verificadas. “Montámos uma equipa a trabalhar lado a lado com a equipa de produto deles, e desenhámos, construímos e implementámos o sistema do zero”, diz Cláudio Lemos. “Hoje, está em produção e mudou a forma como os leitores fazem pesquisa de investimento no site deles”, diz. “No total, a IA que já colocámos em produção chega a mais de 200 milhões de utilizadores por mês”, sublinha.
Lemos olha para um mercado dividido em dois, com as grandes consultoras, fortes em estratégia, mas sem capacidade de execução, de um lado; e as software houses tradicionais, que executam, “mas não nasceram com IA no ADN”, do outro. “Nós ocupamos exatamente o espaço entre os dois”, diz.
Clientes grandes
Trabalham com empresas da Fortune 500 e com sociedades que integram o índice bolsista Nasdaq 100. Têm como clientes empresas públicas e líderes de mercado, incluindo a ServiceNow, a Notion, JFrog, Armis e KLA, abrangendo serviços financeiros, cibersegurança, saúde e tecnologia industrial.
Já faturam milhões de dólares (ou de euros, mas o mercado é predominantemente norte-americano). “Não divulgamos o número exato, preferimos seguir a norma das empresas privadas nos EUA, onde os resultados só se tornam públicos quando a empresa é cotada”, aponta Cláudio Lemos. Têm crescido 65% ao ano e são lucrativos desde o primeiro dia. “E há um indicador de que nos orgulhamos particularmente, somos uma empresa de serviços nativa de IA desde o primeiro dia: a nossa própria operação corre sobre IA, da alocação de equipas à faturação, o que nos dá custos de entrega muito abaixo do tradicional no setor de consultoria”, diz. “O resultado são margens muito acima da média da indústria e uma receita por colaborador ao nível das grandes consultoras globais”, assevera.
Uma das características que distingue a TensorOps é, exatamente, a consultoria que faz ser ela própria conduzida por IA. “Corre sobre uma plataforma proprietária desenvolvida internamente, que acompanha cada projeto e cada reunião, aprende com eles e estrutura todo esse conhecimento numa base que é totalmente nossa e soberana. Nenhuma outra empresa é dona dos nossos dados”, diz o fundador da empresa. “Onde a maioria das consultoras depende do conhecimento da pessoa que está na sala, cada engenheiro nosso tem acesso ao conhecimento acumulado da empresa inteira”, acrescenta.
Também se distingue por ser global, não se confinando a um único mercado. “Operamos mundialmente, de forma totalmente remota desde o primeiro dia”, explica Cláudio Lemos.
Rede com mais valia
Integrar a rede de parceiros da OpenAI é, para a TensorOps, “uma validação enorme da maior empresa no mercado”. É a bandeira da revolução que a inteligência artificial está a provocar, depois do lançamento do ChatGPT. É uma das maiores empresas especializadas mais valiosas. Na última ronda de financiamento, concluída em março, ficou avaliada em 852 mil milhões de dólares (748 mil milhões de euros) e o mercado espera ansiosamente que entre em bolsa.
“A OpenAI avaliou a nossa capacidade técnica, a nossa metodologia de entrega e o nosso historial em produção, e escolheu-nos para a sua rede global de parceiros”, diz Lemos. “Na prática, a parceria combina os modelos e a plataforma da OpenAI com a nossa metodologia e capacidade de entrega. A OpenAI investe na nossa equipa através de formação e de acesso à sua plataforma avançada, em alguns casos antes de estar disponível ao público o que nos permite preparar soluções com antecedência”, explica. “Em projetos mais complexos, podemos trazer diretamente especialistas da OpenAI para trabalhar par-a-par com a nossa equipa”, acrescenta. “E vamos organizar eventos em conjunto sobre inovação e uso responsável de IA”, aponta.
Estão ligados à OpenAI, mas isso não lhes limita a operação. Seguem um princípio muito claro: apaixona-te pelo problema, não pela solução. “A nossa lealdade é ao problema do cliente, e não a uma tecnologia, e desenhamos cada solução escolhendo a melhor combinação de modelos e infraestrutura para aquele caso concreto, seja ela qual for”, garante Lemos. “As nossas parcerias profundas com a OpenAI e a AWS são precisamente o que nos permite ser independentes e os clientes confiam em nós exatamente por isso”, finaliza.
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