Tecnológicas norte-americanas cortaram 140 mil empregos apesar do investimento em IA
O setor tecnológico representa mais de um terço dos despedimentos anunciados nos EUA durante este período, segundo uma análise do Financial Times baseada em documentos das empresas e em dados da consultora Challenger, Gray & Christmas. A Amazon, Oracle, Meta e Microsoft são responsáveis por quase 50 mil desses cortes, o equivalente a cerca de 6% da força de trabalho total destas empresas.
Os despedimentos em larga escala tornaram-se uma prática comum em Silicon Valley desde a pandemia de Covid-19, quando as empresas contrataram em massa, apostando numa procura sustentada por serviços digitais. Muitas continuaram a reduzir o número de trabalhadores enquanto canalizavam grandes investimentos para infraestruturas de IA.
No entanto, vários académicos contestam esta justificação, defendendo que os despedimentos atribuídos à IA servem sobretudo para encobrir erros de gestão do passado. “A atitude típica dos executivos tecnológicos tem sido dizer que a IA lhes permite ganhar eficiência, em vez de admitirem que contrataram demasiadas pessoas”, afirmou Enrico Moretti, professor de Economia na Universidade da Califórnia em Berkeley. “É uma forma fácil de justificar a situação.”
Apesar do aumento dos despedimentos no setor tecnológico, startups focadas em IA, como a Anthropic e a OpenAI, estão a contratar rapidamente novos trabalhadores, ajudando a atenuar o impacto dos cortes no conjunto da indústria tecnológica. “O emprego na área da IA está a crescer a um ritmo muito acelerado”, afirmou Moretti. “Aquilo que as empresas tecnológicas estão a cortar é tudo o resto.”
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