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ASF diz que só 26% dos prejuízos de 5,3 mil milhões provocados pelas tempestades estavam cobertas por seguros

ASF diz que só 26% dos prejuízos de 5,3 mil milhões provocados pelas tempestades estavam cobertas por seguros

Apenas 26% dos prejuízos provocados pelo “comboio de tempestades” que atingiu Portugal entre janeiro e fevereiro deste ano estavam cobertos por seguros, revelou esta terça-feira a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), que defende a criação de um sistema nacional de proteção contra catástrofes naturais.
Seis meses após a tempestade Kristin, considerada o evento mais severo deste conjunto de fenómenos meteorológicos extremos, a ASF divulgou um relatório que conclui que as tempestades provocaram perdas económicas estimadas em 5,3 mil milhões de euros, das quais apenas 1,4 mil milhões estavam protegidas por contratos de seguro.
Segundo o supervisor, o evento originou cerca de 218 mil sinistros e constituiu um dos maiores testes de sempre para o setor segurador em Portugal. Apesar da dimensão da catástrofe, mais de 99% dos sinistros já foram alvo de peritagem, cerca de 85% dos processos encontram-se encerrados e mais de 80% dos prejuízos estimados no segmento da habitação já foram indemnizados.
Citado no relatório, o presidente da ASF, Gabriel Bernardino, considera que o setor “respondeu de forma globalmente robusta ao teste mais exigente da sua história recente”, mas alerta que a reduzida cobertura seguradora constitui “uma vulnerabilidade económica e social que o país não pode ignorar”.
Como principal recomendação, a ASF propõe a criação de um Sistema Nacional de Proteção contra Catástrofes Naturais, assente numa partilha de responsabilidades entre cidadãos, empresas, seguradoras, resseguradores internacionais e Estado, com o objetivo de reduzir a atual lacuna de proteção e reforçar a resiliência do país perante fenómenos climáticos extremos.
O relatório conclui ainda que a solidez financeira das seguradoras não foi colocada em causa, uma vez que cerca de 91% das perdas seguradas foram suportadas pelo mercado internacional de resseguro, permitindo assegurar o pagamento das indemnizações.
Entre as principais lições retiradas, a ASF aponta a necessidade de reforçar a adaptação de edifícios e infraestruturas aos riscos climáticos, aumentar a capacidade de resposta a picos de sinistros, acelerar a digitalização dos processos de regularização e melhorar os mecanismos de adiantamento de indemnizações.
O supervisor identifica igualmente margem para melhorar a proteção dos consumidores, defendendo contratos de seguro mais simples e claros, uma explicação mais detalhada das coberturas e exclusões e uma maior fundamentação das decisões de regularização de sinistros. As reclamações apresentadas foram reduzidas face ao universo de participações, mas muitas estiveram relacionadas com a incompreensão das exclusões das apólices, nomeadamente em casos de infiltrações, falta de manutenção, danos em elementos exteriores dos edifícios e situações de subseguro.
A ASF conclui que fenómenos meteorológicos extremos deixaram de poder ser encarados como acontecimentos excecionais e recomenda o reforço dos planos de resposta a catástrofes, a realização de exercícios de simulação, a revisão dos modelos de avaliação do risco climático e o recurso mais intensivo a ferramentas de georreferenciação para preparar o setor para um novo perfil de risco.

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