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CTT com lucros a caírem 41,6% no primeiro semestre apesar do aumento das receitas do Banco CTT

CTT com lucros a caírem 41,6% no primeiro semestre apesar do aumento das receitas do Banco CTT

Entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, os CTT viram a sua receita crescer (+12,9%), mas o Resultado Líquido caiu (-34,2%) e o Resultado Líquido atribuível aos acionistas (sem interesses minoritários) tombou mais de 40% (-41,6%).
Em detalhe, os CTT registaram uma quebra de 41,6% no resultado líquido atribuível aos acionistas no primeiro semestre, para 12,9 milhões de euros, penalizados pela descida da rentabilidade do negócio de comércio eletrónico devido à volatilidade regulatória na área do desalfandegamento (a nova taxa da União Europeia sobre produtos importados), pelo aumento dos custos financeiros e por despesas de reestruturação, apesar do crescimento das receitas impulsionado pelas encomendas e pelo Banco CTT.
O Resultado Líquido (Lucro Final) caiu 34,2% no semestre (de 23,5 milhões para 15,5 milhões de euros) e uma quebra ainda mais acentuada no trimestre face ao trimestre homólogo de 2025, onde a queda foi de  -41,5% (de 17,5 milhões para 10,2 milhões).
As receitas operacionais do grupo CTT aumentaram 12,9% em termos homólogos, para 674,3 milhões de euros, refletindo o crescimento das soluções de comércio eletrónico, que avançaram 29,6%, beneficiando também da consolidação da Cacesa e da DHL Parcel Portugal, enquanto as receitas do Banco CTT cresceram 8,1%. Já o segmento de Correio e Serviços recuou 2,7%, afetado pela base de comparação das eleições legislativas de 2025.
O EBIT (Lucro Operacional), e apesar do EBITDA ter subido ligeiramente no 2.º trimestre (+1,1%), registou quedas significativas de -17,2% no semestre e -27,9% no trimestre.
Embora as receitas cresçam, as despesas operacionais também sobem (EBITDA +15,6% no semestre). O verdadeiro golpe nos lucros veio do aumento das depreciações e amortizações (+8,1% no semestre) e, principalmente, do salto nos “Itens específicos” (que passaram de 1,4 milhões para 7,4 milhões no 2º trimestre deste ano). Estes itens específicos corroeram quase todo o ganho operacional. O Resultado Financeiro também penalizou os lucros, tendo um agravamento de -15,6% no semestre (-9,0 milhões para -10,4 ,ilhões).
Já o fluxo de caixa livre (Free Cash Flow) teve um comportamento misto, já que cresceu 35,1% no trimestre (31,0 milhões), mas caiu 72,8% no acumulado do semestre (25,2 milhões para 6,9 milhões), o que mostra volatilidade nas dinâmicas de capital ao longo do ano.
“A geração de caixa melhorou no 2º trimestre de 2026, com o cash flow operacional e o free cash flow a atingirem 37,5 milhões de euros e 26,5 milhões de euros, respetivamente. No primeiro semestre, assumindo o Banco CTT contabilizado pelo método da equivalência patrimonial, a dívida líquida/EBITDA situou-se em 1,8x, refletindo os investimentos (capex) e movimentos de capital circulante, as entradas de caixa das transações da joint venture com a DHL, os pagamentos de dividendos e os programas de recompra de ações”, lê-se no comunicado enviado ao mercado.
O Banco CTT continuou a crescer, com receitas de 74,1 milhões de euros, mais 8,1% do que no primeiro semestre de 2025, apoiadas pelo aumento da margem financeira e das comissões. O volume de negócios aumentou 13,9%, impulsionado pelo crescimento dos depósitos, do crédito à habitação e das poupanças fora de balanço.
A empresa diz que o banco liderado por Francisco Barbeiro registou no entanto uma queda de 3,5% da margem de EBIT recorrente – um indicador financeiro que mede a rentabilidade do negócio apenas com as suas operações recorrentes, sem extraordinários.
O EBITDA dos CTT (em termos consolidados) caiu 3%, para 84,1 milhões de euros, enquanto o EBIT recorrente diminuiu 12,5%, para 41 milhões, com a margem operacional a encolher para 6,1%, face a 7,9% um ano antes. A empresa atribui a deterioração sobretudo à pressão sobre a rentabilidade das operações da Cacesa, na sequência das alterações regulatórias no mercado europeu do desalfandegamento. As chamadas taxas das chinesas Temu e Shein.
No segmento de comércio eletrónico, os CTT alertam que a volatilidade regulatória e de mercado pressionou os resultados da Cacesa durante o semestre e antecipam um segundo semestre mais exigente, devido à introdução, a partir de 1 de julho, da taxa fixa de três euros aplicada pela União Europeia às encomendas de baixo valor provenientes de países terceiros. Segundo a empresa, a medida poderá alterar os fluxos internacionais de comércio eletrónico e obrigar a adaptações operacionais.
Apesar desse enquadramento, o tráfego de encomendas de última milha cresceu 19,4% no semestre, para 83,8 milhões de objetos, sustentando a expansão da atividade logística na Península Ibérica.
Na apresentação de resultados, os CTT indicam que a evolução do lucro foi também penalizada por resultados financeiros mais negativos, que passaram de 9 milhões para 10,4 milhões de euros negativos, refletindo maiores encargos com benefícios pós-emprego, juros associados a contratos de locação e custos de financiamento.
Face ao contexto de maior incerteza, a empresa reviu em baixa as perspetivas para 2026, citando a volatilidade regulatória e do mercado, mas decidiu aumentar o programa de recompra de ações em curso de 30 para 40 milhões de euros.
Neste contexto, os CTT revêem as suas metas para 2026. A empresa espera agora alcançar um EBIT recorrente entre 105 e 110 milhões de euros, valor que exclui as atividades não CEP do segmento de Soluções de e-commerce.
“Esta projeção assume um EBIT recorrente estável do Banco CTT e a continuidade das medidas de eficiência no segmento de Correio e Serviços e na estrutura central, com encargos de reestruturação estimados entre 10 e 12 milhões de euros. Adicionalmente, prevê-se um crescimento saudável nas áreas de Correio e Serviços e CEP”, refere a empresa liderada por Guy Pacheco. “Excluindo o Banco CTT e as atividades de e-commerce não CEP, o EBIT recorrente deverá crescer entre 12% e 18%. Este desempenho macroeconómico está condicionado a um crescimento dos volumes de CEP de, pelo menos, um dígito alto no ano de 2026”, acrescenta.
Para o restante período de 2026, os CTT antecipam um crescimento dos volumes de CEP ( Correio, Expresso e Encomendas) entre o médio e o elevado de um dígito no segundo semestre.
“Esta evolução será suportada pela tendência estrutural do comércio eletrónico na Península Ibérica e pela diversificação da carteira de clientes. Para gerir a volatilidade, a empresa continuará a implementar iniciativas operacionais, tais como a otimização das rotas de linehaul, o ajuste dos horários de operação e a preservação da produtividade na última milha”, referem os CTT.
“Os principais riscos para esta perspetiva centram-se na evolução dos volumes desalfandegados pela Cacesa e no impacto do pós-de minimis nos volumes de CEP”, acrescenta a empresa que diz ainda que “adicionalmente, identificam-se como fatores de risco a futura taxa europeia de tratamento aduaneiro, a oscilação dos custos dos combustíveis devido à instabilidade geopolítica e um maior risco de execução num ambiente de negócio volátil”.
“Apesar deste enquadramento operacional desafiante, sobretudo em torno da Cacesa, os CTT mantêm uma perspetiva positiva. A empresa espera atingir um EBIT recorrente consolidado entre 115 e 125 milhões de euros no total do ano de 2026”, concluem.
As ações dos CTT subiram hoje 0,25% para os 5,91 euros.
 

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