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EUA tentam estancar desenvolvimento da biotecnologia chinesa

EUA tentam estancar desenvolvimento da biotecnologia chinesa

A ascensão da biotecnologia chinesa em diversas áreas da investigação científica está a apresentar resultados promissores – e, tal como sucede noutros setores, nomeadamente tecnológicos, as defesas internas dos Estados Unidos foram postas em movimento. Não por via do desenvolvimento interno do saber, mas com o recurso a sanções – uma lógica enviesada que não esconde uma derrota no campo da prática, mas que permite amortizar as suas consequências económicas.
A consultora GlobalData afirma que a China está a emergir como um polo global de inovação em biotecnologia, “mas a sua crescente influência enfrenta o escrutínio político e regulamentar dos Estados Unidos. A resposta política norte-americana reflete as preocupações com a sua competitividade e liderança tecnológica, e não apenas com a capacidade científica do país”.
E fornece um caso prático. O progresso científico da China foi exibido na ASCO 2026, feira que decorreu em Chicago de 29 de maio a 2 de junho, e onde o ivonescimab da Akeso se tornou a primeira terapia desenvolvida a partir de um ensaio clínico realizado exclusivamente na China a ser apresentada numa sessão plenária no principal congresso mundial de oncologia. O anticorpo biespecífico demonstrou uma redução significativa do risco de morte em doentes com cancro do pulmão de células escamosas, destacando a qualidade e a credibilidade global da investigação clínica chinesa.
Quase simultaneamente, a 8 de junho, o Departamento de Defesa dos EUA adicionou a organização de investigação, desenvolvimento e fabrico, a WuXi AppTec, à sua lista da Secção 1260H de “empresas militares chinesas” de 2026. Isto pode afetar a elegibilidade da empresa para futuros contratos com a administração norte-americana ao abrigo da Lei Biosecure. A WuXi AppTec rejeitou a sujeição, afirmando que é “equivocada e infundada”, enquanto procura medidas legais contra a decisão. “Embora a WuXi AppTec tenha sublinhado que não haverá uma interrupção operacional imediata, a empresa tomou medidas para reduzir qualquer impacto futuro, incluindo a venda de ativos selecionados nos Estados Unidos e no Reino Unido”, refere a GlobalData.
Edita Hamzic, analista da consultora para a área da saúde, disse que “a China foi além do seu papel tradicional como base de fabrico de medicamentos genéricos e está agora a desenvolver terapias avançadas globalmente competitivas. O mais recente sucesso do país na biotecnologia é estrategicamente importante, com implicações que vão além da inovação em saúde, incluindo a resiliência da cadeia de abastecimento farmacêutico, a competitividade económica e a segurança nacional.”
O Relatório de Outsourcing de Mercados Emergentes da GlobalData revela que as parcerias transfronteiriças continuam fortes, apesar do crescente escrutínio político. Os recentes acordos de licenciamento multimilionários entre empresas farmacêuticas americanas e empresas de biotecnologia chinesas demonstram a procura contínua de ativos inovadores. Além disso, as empresas biofarmacêuticas chinesas estão a expandir as suas capacidades de fabrico avançado em APIs de alta potência, peptídeos e pequenas moléculas. “A Crystal Pharmatech lançou um laboratório de alta potência em Suzhou para apoiar o desenvolvimento de APIs complexos, enquanto a Proton Pharma estabeleceu uma parceria com a Hubei Jianxiang Bioscience para construir uma plataforma integrada de desenvolvimento e fabrico de peptídeos. Entretanto, a Zhejiang Jiuzhou Pharmaceutical está a investir na capacidade de produção de pequenas moléculas em conformidade com as Boas Práticas de Fabrico (GMP) para reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento e a flexibilidade da produção”.
Hamzic conclui: “Os recentes desenvolvimentos destacam a forma como as tensões geopolíticas afetam o sector da biotecnologia, apesar do progresso científico contínuo e da colaboração internacional. Embora a incerteza geopolítica esteja a alterar a forma como as parcerias de inovação entre os EUA e a China estão estruturadas, é improvável que a trajetória de longo prazo da China como uma das principais fontes mundiais de inovação biofarmacêutica seja afetada.”
Recorde-se que, na passada semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um plano para os medicamentos genéricos importados que estabelece um cronograma faseado para dar tempo às empresas de construir fábricas nos Estados Unidos; depois disso, a tarifa sobre genéricos importados sobe para 100% por um período de um ano, a partir do qual, em agosto de 2029, é agravada para 200%.

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