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Grande Lisboa lidera no desenvolvimento digital mas assimetrias regionais persistem, segundo estudo do Gávea

Grande Lisboa lidera no desenvolvimento digital mas assimetrias regionais persistem, segundo estudo do Gávea

A região da Grande Lisboa continua a registar uma “enorme supremacia” no desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal, mantendo profundas e crónicas assimetrias regionais em relação ao resto do país, segundo os resultados do Índice Digital Regional (IDR) 2025, divulgado esta semana pela Universidade do Minho.
De acordo com o estudo do Gávea – Observatório da Sociedade da Informação da Universidade do Minho, a Grande Lisboa lidera destacadamente o ‘ranking’ global com uma pontuação (score) de 0,7481, num ano em que a média nacional se fixou nos 0,5039.
Segue-se a Península de Setúbal (0,5213), em segundo lugar, e a região Centro (0,5200), em terceiro. Estas três são as únicas regiões portuguesas que se encontram acima da média nacional.
A tabela do IDR 2025 é completada pelo Algarve (0,4629) na 4.ª posição, a Região Norte (0,4540) em 5.º, o Oeste e Vale do Tejo (0,3843) em 6.º e o Alentejo (0,3479) em 7.º. As regiões autónomas da Madeira (0,2998) e dos Açores (0,2571) voltam a ocupar os últimos lugares, respetivamente em 8.º e 9.º.
Em declarações sobre os resultados, o coautor do estudo Luís Miguel Ferreira destacou que a Grande Lisboa obteve a melhor pontuação em 55% dos 156 indicadores analisados nesta edição. Se somada a Península de Setúbal (melhor marca em 12% dos indicadores), verifica-se que a antiga Área Metropolitana de Lisboa obteve o score mais elevado em dois terços do total dos indicadores.
“Na edição deste ano do IDR (…) continua a verificar-se uma tendência de grande distanciamento da Grande Lisboa em relação às restantes regiões portuguesas e da média nacional, o que reforça a evidência de crónicas assimetrias regionais no desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal”, sublinhou Luís Miguel Ferreira.
O investigador lamentou ainda que, “depois de tantos anos e de muitos milhões de euros de Fundos Estruturais aplicados na coesão e na convergência territoriais”, as assimetrias na transição digital continuem a “persistir e até, em alguns casos, a agudizar-se”.
Luís Miguel Ferreira alertou também para o contexto europeu, lembrando que, entre 2021 e 2025, Portugal foi o país da União Europeia (UE27) que menos cresceu na utilização de Inteligência Artificial por parte das empresas, ocupando a 21.ª posição do bloco comunitário em 2025.
Por seu lado, o coautor Luís Amaral reforçou que “mesmo após décadas de políticas de coesão e elevados investimentos, as disparidades não só persistem como tendem a consolidar-se”, mostrando que o país ainda está longe de atingir a convergência territorial no setor digital.
Apesar do fosso regional, os dados relativos a 2025 mostram uma ligeira aproximação da generalidade das regiões à média nacional face a 2024 (com exceção da Madeira), e uma aproximação entre as regiões do topo e a média nacional. A região Centro destaca-se por ter ultrapassado a média nacional face ao ano anterior, encostando o seu desempenho ao da Península de Setúbal.
Nos quatro sub-índices analisados (Contexto, Utilização, Impacto e Infraestrutura), a Grande Lisboa dominou os três primeiros. Apenas no sub-índice Infraestrutura foi ultrapassada pelo Algarve, que assumiu a liderança nacional nesse domínio (0,7055).
O IDR é promovido pelo Observatório Gávea do Departamento de Sistemas de Informação da Universidade do Minho. Na sua 12.ª edição, o índice passou a analisar as nove regiões NUTs II (decorrente da reorganização administrativa de 2024) com base num leque reforçado de 156 indicadores.

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