Steve Eisman alerta que mercado cairia se hiperescaladoras cortassem no capex
Steve Eisman ficou conhecido por ter previsto a crise imobiliária norte-americana de 2008. Pelo meio fez fortuna com o colapso do setor e foi retratado no cinema com o filme ‘The Big Short’. Agora o investidor norte-americano deixa um alerta numa entrevista ao canal CNBC. Se as hiperescaladoras, grupo no qual se incluem cotadas em bolsa com a Alphabet, a Meta, a Microsoft, a Amazon, cortarem nas suas despesas de investimento (capex) o mercado bolsista iria cair.
Para o investidor norte-americano nesta altura as bolsas resumem-se a uma só negociação: “A da inteligência artificial (IA)”, afirmou Steve Eisman. “Ou tem sucesso ou não tem”, reforçou.
No entender do investidor a negociação da IA acabou por se refletir nos bons resultados alcançados pelos bancos neste segundo trimestre. E isso justifica-se por os bancos estarem a financiar a inteligência artificial, referiu Steve Eisman. “Por isso estão a ter sucesso”, explicou o investidor norte-americano em entrevista à CNBC.
Mas apesar deste otimismo Steve Eisman deixou alguns alertas relativamente à IA.
O investidor referiu que a negociação de IA está a ser tornar “intensiva” ao nível de capital [investido]. “É questionável se os modelos de linguagem (exemplos Gemini, que pertence à Google, e ChatGPT que pertence à OpenAI) têm algum moat (vantagem competitiva que protege um negócio da concorrência). Além disso os modelos de linguagem chineses são mais baratos. Será uma guerra de preço”, defendeu o norte-americano.
Subida do capex da Alphabet arrasta em baixa as Sete Magníficas
E chegamos à Alphabet, proprietária da Google, e aos resultados apresentados a 22 de julho. “Aumentaram o capex e as pessoas assustaram-se”, disse Steve Eisman. A empresa confirmou uma subida no seu capex para este ano. Este subiu do anterior intervalo de 180 mil milhões de dólares (157,6 mil milhões de euros) a 190 mil milhões de dólares (166,3 mil milhões de euros) para um intervalo entre os 195 mil milhões de dólares (170,7 mil milhões de euros) e os 205 mil milhões de dólares (179,5 mil milhões de euros).
E isto levou a uma descida de 6,8% no preço das ações da Google no fecho da bolsa a 23 de julho [dia seguinte à apresentação dos resultados]. E isso acabou por contagiar as Sete Magníficas (Microsoft, Alphabet (proprietária do Google), Amazon, Meta, Tesla, Apple, e Nvidia). Este grupo na sessão bolsista de 23 de julho chegou a perder 797 mil milhões de dólares (699,8 mil milhões de euros) em valor de mercado, de acordo com a agência noticiosa Bloomberg, atingindo a maior queda diária (-4,8%) desde abril de 2025. Desde o final de maio este grupo de cotadas em bolsa já perdeu dois biliões de dólares (1,7 mil milhões de euros), referiu a agência. As mais penalizadas foram a Alphabet e Tesla, ao fecharem a sessão bolsista com desvalorizações de 6,8% e de 14,5%. No caso da Tesla teve o pior dia desde março de 2025 enquanto que a Alphabet teve o pior desempenho desde maio de 2025, revela a agência noticiosa. Microsoft e Amazon desvalorizaram 2,2% e 4,5% enquanto que Meta, Apple e Nvidia caíram 3,3%, 1,3% e 1,5% no final da sessão bolsista de quinta-feira.
Mas Steve Eisman deixou um alerta na entrevista à CNBC. Se por algum motivo as hiperescaladoras cortarem o seu capex o mercado bolsista “iria cair”.
Investidor têm dúvidas sobre saúde da Anthropic e da OpenAI
Steve Eisman foi ainda questionado sobre a garantia de 250 mil milhões de dólares (219,2 mil milhões de euros) que a Nvidia deu à OpenAI, que detém o ChatGPT, para um data center no Ohio, de 10 gigawatts. O projeto seria desenvolvido por uma subsidiária de energia do SoftBank, e arrendado pela OpenAI, de acordo com o Wall Street Journal.
Esta garantia não implicaria necessariamente que a Nvidia avançasse com o dinheiro, referia a mesma publicação, transcrita pela Next Web. Serviria como um promessa de cobertura de obrigações num cenário em que a OpenAI, ou o projeto, não conseguissem concretizar os objetivos traçados.
Os 250 mil milhões de dólares (219,2 mil milhões de euros) iriam servir para cobrir o leasing do centro de dados e a dívida da construção, com um valor adicional de até 350 mil milhões de dólares (306,9 mil milhões de euros) discutido separadamente para financiar a compra de chips, o que poderia elevar o custo total do projeto para mais de 500 mil milhões de dólares (438,5 mil milhões de euros), de acordo com a mesma publicação.
“Tenho dúvidas sobre a saúde da Anthropic e da OpenAI a longo prazo. Isso é bom para Nvidia a longo prazo (devido aos chips). Os modelos de linguagem da Anthropic e da OpenAI são cinco vez mais caros do que os chineses”, referiu o investidor norte-americano.
Steve Eisman justificou este preço mais baixo dos modelos chineses por estes serem “open source (ou modelos abertos)”.
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