DBRS destaca solidez do CaixaBank no 1.º semestre com ajuda de Portugal e Espanha
Os lucros do CaixaBank mantiveram a tendência de crescimento sustentado no primeiro semestre de 2026, impulsionados pela resiliência das receitas e pela melhoria da qualidade dos ativos em Espanha e Portugal, considerou a agência de notação financeira Morningstar DBRS num comentário divulgado esta quarta-feira.
O banco espanhol apresentou “outro conjunto de resultados fortes” entre janeiro e junho, prolongando a trajetória positiva registada desde 2021, num desempenho suportado por um ambiente macroeconómico favorável na Península Ibérica, revela a agência de rating.
“A margem financeira (NII) aumentou em termos homólogos, refletindo o forte crescimento nos volumes de empréstimos e depósitos, uma maior contribuição da carteira ALCO e uma gestão ativa da margem, que compensou a descida nos rendimentos dos ativos”, apontou Maria Parra, vice-presidente para as Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS.
A agência de rating destaca que as comissões líquidas também subiram, boleadas pelo dinamismo nas áreas de gestão de fortunas, banca corporativa e de investimento (CIB) e seguros. Os resultados líquidos beneficiaram ainda de mais-valias com a venda de ativos adjudicados, num contexto de força no mercado imobiliário espanhol.
A DBRS destacou ainda que a eficiência operacional do banco permaneceu sólida, apesar do forte investimento contínuo em digitalização e inteligência artificial, enquanto o custo do risco se manteve contido devido à robustez do mercado de trabalho ibérico.
A qualidade dos ativos registou renovadas melhorias, com uma queda significativa dos créditos não produtivos (NPL) face ao final de junho de 2025, impulsionada por vendas de carteiras e por uma baixa formação de novos créditos problemáticos. A capitalização e a liquidez mantiveram-se robustas e confortavelmente acima dos requisitos regulatórios.
O banco espanhol CaixaBank teve lucros de 3.203 milhões de euros no primeiro semestre, mais 8,5% do que no mesmo período de 2025, com o português BPI a contribuir com 218 milhões de euros para o resultado.
Num comunicado desta quarta-feira sobre o primeiro semestre do grupo, o Caixabank, dono do BPI, destaca os resultados do BPI, “com um crescimento continuado do volume de negócio (mais 6,9% nos últimos 12 meses), ganhos generalizados em quotas de mercado e morosidade abaixo do setor”.
“A contribuição para o resultado do grupo da atividade bancária em Portugal alcança 218 milhões de euros no primeiro semestre”, revelou o CaixaBank.
Para o segundo semestre de 2026, a Morningstar DBRS prevê a continuidade do dinamismo operacional positivo do CaixaBank. A expetativa é que a margem financeira anual supere a de 2025, embora a agência antecipe uma desaceleração no ritmo de crescimento do crédito face ao verificado no primeiro semestre.
“Esperamos também que os resultados líquidos beneficiem de uma redução mais rápida dos ativos históricos (‘legacy assets’), com o banco a aproveitar a força do mercado imobiliário espanhol”, afirmou Parra, lembrando que a carteira de imóveis adjudicados do CaixaBank é composta maioritariamente por habitação residencial.
A agência concluiu que o CaixaBank está “bem posicionado” para cumprir os seus objetivos estratégicos para o triénio 2025–2027, não identificando riscos materiais descendentes a esta visão no imediato. No entanto, a DBRS alertou que uma deterioração inesperada do ambiente geopolítico global poderá enfraquecer o cenário macroeconómico e pressionar o desempenho do banco.
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