Aos 31 anos, compraram a primeira casa com 44 mil euros de entrada e um prazo de 40 anos
Quando Miguel e Sara fecharam a compra do apartamento, tinham juntado 44 mil euros ao fim de sete anos a trabalhar e com uma ajuda valiosa dos pais. Precisaram de todos. Serviram para a entrada, para o imposto municipal sobre as transmissões, para o imposto do selo, para a escritura e para pouco mais. O crédito ficou fixado em 40 anos, o prazo mais longo que conseguiram negociar, porque foi a única forma de a prestação caber no que ganham.
O perfil é representativo de um grupo inteiro. Os dados do ComparaJá mostram que os clientes com menos de 35 anos entram no processo com uma poupança média de 43.913 euros, contratam um custo total de crédito médio de 353.988 euros e pagam uma prestação mensal média de 804 euros. Compram, portanto, mais caro do que a geração anterior e com menos de metade da almofada inicial: quem tem 35 anos ou mais entra com 113.160 euros em média.
O que distingue este perfil não é estar perto de um limite. É estar perto de todos ao mesmo tempo. A entrada disponível coloca-o no máximo do rácio de financiamento permitido. A prestação necessária para acomodar o preço do imóvel coloca-o próximo do teto da taxa de esforço. E a única forma de baixar essa prestação, alongar o prazo, coloca-o no limite da maturidade. As três variáveis que normalmente se compensam entre si estão, neste caso, esgotadas em simultâneo.
É por isso que a revisão das regras que entra em vigor no início de agosto se faz sentir de forma desproporcionada neste segmento. O limite da taxa de esforço desce de 50% para 45%, os prazos máximos passam a estar fixados por escalão etário e a margem que cada instituição pode conceder fora dos limites recomendados desce de 15% para 10%. Para um agregado com folga em pelo menos uma das variáveis, o ajustamento absorve-se. Para quem já estava no limite das três, não há de onde tirar.
Miguel e Sara escaparam por pouco tempo, mas a decisão que mais os ajudou não teve nada que ver com o calendário. Meses antes de dar entrada no processo, liquidaram um crédito pessoal de 118 euros mensais que ainda tinha 14 prestações por pagar. Foi um esforço de poupança que quase adiou a compra e que, no cálculo do banco, libertou quase todo o espaço de que precisavam. É a lição que a regra nova torna mais importante: as prestações de créditos que já existem entram integralmente no limite, e são a única parte da equação que o consumidor pode alterar sozinho antes de se sentar à mesa.
O caso descrito é um perfil compósito, construído a partir de características comuns aos clientes com menos de 35 anos que chegam ao ComparaJá. Os indicadores médios por grupo etário constam da análise de mercado de crédito habitação, e a plataforma disponibiliza um simulador de taxa de esforço para fazer esta conta antes de avançar.
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