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Campo de tiro no Alto Alentejo: Associação alerta para risco de atingir gasoduto da REN

Campo de tiro no Alto Alentejo: Associação alerta para risco de atingir gasoduto da REN

A Associação Pelo Futuro do Alto Alentejo (APFAA) exige ao Governo que não tome a decisão de transferir o campo de tiro militar de Alcochete para a região e nesse sentido, exige transparência, estudos independentes e respeito pelas populações. A APFAA manifesta assim a sua “profunda oposição” à proposta de instalação de um campo militar no concelho de Alter do Chão, Crato, Fronteira e Monforte, nos moldes em que a proposta foi fundamentada.
Recorde-se que o Governo aprovou, já este ano, uma despesa de 4,5 milhões de euros para a desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete e a sua transferência para Alter do Chão, uma solução que visava a viabilização da construção do futuro Aeroporto Luís de Camões.
A APFAA alerta as autoridades competentes que o local agora “escolhido” para a construção do campo de tiro “é atravessado por um gasoduto da REN pelo que questiona se, tendo em conta o desenvolvimento de futuras infraestruturas energéticas estratégicas nacionais e europeias, se “foram realizados estudos sobre a compatibilidade entre o campo de tiro e os investimentos estratégicos previstos. Além disso, a associação deixa a questão: “Foram analisados riscos relacionados com infraestruturas críticas?”. Este gasoduto da REN no Alentejo faz parte do eixo sul-norte da Rede Nacional de Transporte de Gás natural que é gerido pela REN Gasodutos e liga o Terminal de Sines a outras regiões do país.
Este associação pretende assim alertar para os riscos associados a esta decisão e avança que a mesma poderá “produzir impactos permanentes sobre o território, as populações e até o modelo de desenvolvimento regional”. A APFAA deixa a salvaguarda de que reconhece a importância da Defesa Nacional, o papel das Forças Armadas e os compromissos internacionais assumidos por Portugal, nomeadamente no quadro da NATO.
Denuncia a associação recém-criada que não foi tornado público qualquer estudo técnico, ambiental, agrícola, económico, social ou de ordenamento do território que “permita compreender de forma objetiva as razões que levaram à escolha de Alter do Chão, Crato, Fronteira e Monforte, para acolher uma infraestrutura desta dimensão”. E deixa o alerta: a decisão deverá afetar milhares de famílias, alterar profundamente atividades económicas consolidadas e impactar de forma permanente sobre comunidades inteiras. A associação questiona ainda os motivos pelo qual foi abandonada a possibilidade de Serpa e Mértola receberem a infraestrutura militar.
Do ponto de vista económico, a associação revela que a proposta atualmente conhecida “poderá implicar a expropriação de cerca de 7.500 hectares de terrenos de elevada aptidão agrícola, na sua maioria propriedade privada. Assim, a APFAA denuncia que “está em causa um território produtivo onde milhares de pessoas desenvolveram atividades económicas, criaram emprego e investiram no futuro”.

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