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Comparar a luz só com o mercado regulado esconde cinco sextos da poupança possível

Comparar a luz só com o mercado regulado esconde cinco sextos da poupança possível

Quando uma família quer saber se está a pagar demasiado pela eletricidade, o reflexo mais comum é comparar o seu contrato com o mercado regulado. É a referência conhecida, é pública e parece neutra. O problema é que essa comparação, aplicada isoladamente, subestima de forma grosseira o que está em jogo.
Os dados de simulação do ComparaJá para uma família com dois filhos, um consumo de 400 kWh mensais e potência de 6,9 kVA, ilustram-no bem. A proposta mais competitiva do mercado custa 73,33 euros por mês. Face ao mercado regulado, isso representa uma poupança de 3,81 euros mensais. Face à proposta mais cara disponível no mercado, a poupança sobe para 23,88 euros. Ou seja, comparar apenas com o regulado revela menos de um sexto do intervalo real que separa as melhores das piores condições.
A razão está na natureza da tarifa regulada. Ela não é a mais barata do mercado nem foi desenhada para o ser: é uma tarifa de referência, calculada administrativamente, que funciona como rede de segurança para quem não escolhe. Situa-se, por construção, numa zona intermédia. Uma família que a use como padrão de comparação está a medir-se contra a média, e não contra o que consegue efetivamente obter.
O mesmo conjunto de dados mostra que a tarifa indexada também não serve de referência estável. Para o mesmo perfil de família, a proposta mais competitiva ficou 11,49 euros por mês abaixo da opção indexada disponível no mercado, num mês em que os preços do mercado indexado subiram e passaram a ultrapassar o regulado para a maioria dos perfis de consumo. Consoante o mês, o indexado pode aparecer acima ou abaixo, o que o torna um mau ponto de referência para uma decisão que se toma uma vez e se mantém durante um ano ou mais.
A consequência prática é que a pergunta certa não é se se está acima ou abaixo do regulado. É qual é a diferença entre o contrato atual e a melhor proposta disponível para o consumo concreto daquela casa. Só essa comparação mede o custo real da inércia, e é a única que produz um número acionável, porque corresponde a uma proposta que pode efetivamente ser contratada.
Para fazer essa conta são precisos três elementos que constam de qualquer fatura: o consumo médio mensal em kWh, a potência contratada em kVA e o tipo de tarifa. Com esses dados é possível colocar todas as propostas do mercado na mesma base e ordenar pelo valor total mensal, que é o único critério comparável entre comercializadoras com estruturas de preço diferentes.
A comparação entre as várias referências de mercado é atualizada mensalmente pelo ComparaJá na análise de mercado de energia.

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