BPI com lucro de 239 milhões no primeiro semestre, menos 13%
O Banco BPI registou um resultado líquido de 239 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, uma diminuição de 13% em termos homólogos (menos 35 milhões de euros), segundo dados divulgados esta sexta-feira pela instituição financeira.
A quebra é explicada por dois efeitos não recorrentes: no primeiro semestre de 2025, o banco tinha registado um ganho de 18 milhões de euros com a reversão de contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios anteriores; já no primeiro semestre de 2026, uma reclassificação contabilística da participação no BCI (de 35%) teve um impacto negativo de 35 milhões de euros, “para tornar menos volátil a participação”, disse o CEO.
No fim de junho a participação do BCI foi reclassificada de “empresa associada” (reconhecida por equivalência patrimonial) para “ações ao justo valor através de outro rendimento integral.
“As operações em África não são estratégicas”, disse João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI.
A atividade em Portugal contribuiu com 221 milhões de euros para o resultado do grupo, menos 8% do que um ano antes, uma quebra que se reduz a 1% caso seja excluído o efeito extraordinário do Adicional de Solidariedade. A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) recorrente em Portugal fixou-se em 14,8% nos últimos 12 meses.
O contributo das participações do BPI no BFA e no BCI foi de 18 milhões de euros, valor que já inclui o impacto negativo da reclassificação contabilística da posição no BCI.
O produto bancário total do grupo BPI recuou 2%, para 602 milhões de euros, penalizado pela ligeira quebra da margem financeira (-2%), que se mantém estável desde o início de 2025. A instituição explica que o repricing da carteira de crédito com indexantes mais altos ainda é pouco expressivo, num contexto de subida do Euribor a 12 meses para os 3,0%.
Por outro lado, as comissões líquidas cresceram 8%, impulsionadas pelo aumento de volume do negócio. Os custos de estrutura recorrentes aumentaram 5%, para 267 milhões de euros, refletindo a aposta na renovação geracional e na contratação de talento — o número de colaboradores subiu 6,3%, para 4.630. O cost-to-income em Portugal fixou-se nos 43%, comparando mal com os concorrentes portugueses, mas está em linha com os concorrentes europeus.
Um dos pilares da estratégia do BPI mantém-se a gestão prudente do risco. O rácio de Non-Performing Exposures (NPE) ficou nos 1,3% (critérios EBA), com uma cobertura por imparidades e colaterais de 134%. O custo do risco manteve-se em níveis muito baixos: 0,08% dos créditos e garantias.
O banco do Caixabank volta a destacar a solidez do balanço é reforçada por uma capitalização confortável: o rácio CET1 situa-se nos 13,9%, o Tier 1 nos 15,2% e o capital total nos 17,2%, todos com folga significativa face aos requisitos regulamentares.
Crédito à habitação volta a ser a estrela da companhia
O destaque do semestre vai para a dinâmica de crescimento da carteira de crédito, que aumentou 8% em termos homólogos (+2,7 mil milhões de euros), atingindo os 35,1 mil milhões de euros.
O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, citado no comunicado, destacou o “forte crescimento nos volumes de negócio” registado no semestre, “com uma evolução muito positiva no crédito à habitação, no financiamento às PME e nos recursos totais”.
O crédito à habitação cresceu 11%, para 18 mil milhões de euros, dos quais oito mil contratos, no valor de 1,6 mil milhões de euros, corresponderam a operações com garantia pública destinadas ao crédito à habitação jovem.
O BPI já esgotou 52,9% da quota da garantia do Estado para o crédito à habitação própria e permanente que lhe coube e que ascende a 450 milhões de euros.
No crédito à habitação, a quota de mercado situou-se nos 13,1%, com o banco a liderar a contratação no segmento jovem com garantia do Estado (1,6 mil milhões de euros em carteira), revela o BPI.
O crescimento do crédito até junho foi particularmente expressivo nos segmentos estratégicos: o crédito à habitação subiu 11% e o crédito às PME cresceu 12% em termos homólogos, impulsionado pelo aumento do investimento empresarial numa economia portuguesa que continua a superar o ritmo da Zona Euro.
Em detalhes, o crédito a empresas aumentou 8%, para 13,3 mil milhões de euros, com as pequenas e médias empresas (PME) a impulsionar este crescimento.
A quota de mercado do BPI no crédito total estabilizou-se nos 12%, mantendo a trajetória de crescimento iniciada em 2021.
Já os recursos totais de clientes aumentaram 3,4 mil milhões de euros (mais 8%), com destaque para os fundos de investimento e seguros de capitalização, que subiram 22%.
O semestre ficou também marcado pela aceleração da transformação digital. O BPI lançou o BPI AI Dive, um programa de formação em inteligência artificial desenvolvido em parceria com a 42 Portugal, destinado a todos os colaboradores. Simultaneamente, reforçou a aposta no talento jovem com a contratação de 146 jovens (71% do total de contratações do período) e a preparação da 5.ª edição do Programa de Trainees.
“Estamos também a investir no futuro: o programa AI Dive vai capacitar os mais de 4.600 colaboradores do banco em inteligência artificial, reforçando a nossa capacidade de servir melhor os clientes”, afirmou o gestor, referindo ainda o envolvimento das equipas comerciais e de voluntários do banco no apoio às comunidades afetadas pelas tempestades.
“Estamos a construir um banco mais digital, mais sustentável e mais próximo dos portugueses e o facto de termos sido distinguidos pela Euromoney como o Melhor Banco para Particulares em Portugal é mais um sinal de que estamos no caminho certo”, acrescentou.
O BPI reforçou ainda o investimento em talento, com o número de colaboradores a aumentar para 4.630, mais 276 do que há um ano, incluindo 146 contratações no primeiro semestre. O peso dos jovens no quadro de pessoal subiu de 6% para 17% entre 2021 e o primeiro semestre de 2026.
A aplicação móvel do banco, BPI App, contava com 840 mil utilizadores ativos, mais 42 mil em termos homólogos.
A nova App BPI Empresas e o crescimento dos canais digitais — que já contam com 1 milhão de utilizadores ativos na app e uma adesão de 94% dos clientes digitais particulares — evidenciam a aposta na melhoria da experiência do cliente.
No plano social, o BPI concedeu 395 milhões de euros em apoios a famílias, empresas e comunidades afetadas pelas tempestades, entre moratórias e linhas de crédito, enquanto instituições sociais nas regiões afetadas receberam 0,4 milhões de euros através da Iniciativa Social Descentralizada. O programa BPI Voluntariado celebrou o quinto aniversário, com um balanço de mais de cinco mil voluntários envolvidos em 1.533 iniciativas que apoiaram 131 mil beneficiários em todo o país.
A Fundação la Caixa aumentou em 2026 a sua dotação orçamental para 56 milhões de euros, no âmbito da atividade que desenvolve em Portugal.
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