Fórum para a Competitividade: Segundo trimestre acima do esperado ajuda a manter projeção de crescimento entre 1,7% e 1,9%
O Fórum para a Competitividade alerta para dois efeitos de sinal contrário a afetarem a economia portuguesa atualmente, que cresceu acima do esperado no segundo trimestre, mas enfrenta um enquadramento externo cada vez mais desafiante. Ainda assim, mantém a expectativa de crescimento para este ano entre 1,7% e 1,9%.
Na nota de conjuntura de julho, o Fórum destaca o resultado acima do esperado no segundo trimestre, quando a economia nacional avançou 0,8% em cadeia depois de uns desapontantes 0,1% nos primeiros três meses do ano (um crescimento revisto em alta após a divulgação inicial apontar para um trimestre de estagnação). Esta performance deveu-se em parte à componente externa, cuja melhoria ajudou a compensar a deterioração da procura interna.
No segundo trimestre, tanto exportações, como importações registaram uma aceleração em termos nominais e homólogos, com as exportações a subirem 10% face a 8,2% nas importações.
Ainda assim, o panorama para a segunda metade do ano é consideravelmente menos otimista. O reacender do conflito no Golfo Pérsico trouxo novo disparo dos preços da energia e as perspetivas animadoras que existiam para o segundo semestre foram “substituídas por nova incerteza”, lê-se no documento divulgado esta sexta-feira.
Além das perturbações na energia agravarem custos para as empresas, a subida da inflação pode levar o Banco Central Europeu (BCE) a aumentar novamente as taxas diretoras da zona euro, “com implicações subsequentes no investimento e no consumo das famílias”.
Olhando também para indicadores de atividade e de confiança, verifica-se “que o terceiro trimestre se iniciou a fraquejar, embora também tenha que se reconhecer que o segundo trimestre foi mais forte do que o antecipado”. Assim, o Fórum fala em “dois efeitos de sinal contrário” a atuarem sob a economia portuguesa.
“Por um lado, o segundo trimestre foi melhor do que o esperado e, por outro, a conjuntura externa apresenta-se agora menos favorável. O primeiro efeito beneficiará o valor anual, quanto mais não seja por um efeito base”, explicam, pelo que se mantém a projeção de um crescimento entre 1,7% e 1,9% este ano.
Outro efeito a contribuir para esta expectativa é que “a reconstrução das zonas mais afetadas pelas tempestades deverá ajudar a compensar, ainda que parcialmente, os efeitos negativos do início do ano”. A isto junta-se a revisão em alta do primeiro trimestre, ainda que marginal, para 0,1%.
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