Grandes tecnológicas superam expectativas de mercado
Esta semana foram publicados vários resultados trimestrais das empresas americanas, entre elas as Mag7 americanas, que estão a ter um impacto positivo nos índices globais.
Quatro grandes hiperescaladores investiram mais de 1 bilião de dólares em despesas de capital (CAPEX) desde que começou a corrida pelo IA, há três anos e meio. As despesas de capital combinadas da Google, Amazon, Microsoft e Meta, desde o início do boom da IA em 2023 até ao final de junho, atingiram 1,1 biliões de dólares, de acordo com os relatórios de resultados das quatro empresas divulgados nas últimas duas semanas e segundo os relatórios das empresas não parece haver fim à vista, pelo menos para já.
Amazon – Aposta em IA começa a dar frutos
A empresa não só correspondeu às expectativas já elevadas do mercado, como as superou significativamente nas áreas mais importantes para os investidores.
Antes da divulgação do relatório, a maior questão já não se resumia simplesmente ao crescimento das receitas ou aos níveis de lucro. O mercado queria verificar se os avultados investimentos da Amazon em centros de dados, infraestruturas de IA e chips de computação próprios estavam a começar a gerar resultados tangíveis.
O relatório de ontem mostra que é exatamente isso que está a começar a acontecer. A AWS acelerou claramente, a receita total do grupo ultrapassou a marca simbólica dos 200 mil milhões de dólares, e as iniciativas de inteligência artificial da Amazon, bem como o negócio de chips personalizados, atingiram uma escala que já não pode ser vista meramente como uma promessa a longo prazo. Por outras palavras, o CapEx da Amazon já não é visto pelo mercado apenas como uma despesa avultada que pesa sobre o fluxo de caixa livre. Está a tornar-se cada vez mais visível no crescimento da receita.
A Amazon encerrou o segundo trimestre com uma receita de 200,6 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior e um resultado bem acima das expectativas dos analistas. A escala do negócio é notável. A empresa já está a gerar níveis de vendas trimestrais que permanecem inatingíveis para a maioria das empresas mundiais, mesmo numa base anual, ao mesmo tempo que continua a crescer a um ritmo mais típico de uma empresa em forte expansão.
Meta – resultados positivos, mas ainda àquem das expectativas
Os resultados da Meta acabaram por surpreender pela positiva, embora os lucros tenham ficado abaixo do esperado. Ainda assim, os resultados mostraram métricas muito fortes referentes ao último trimestre.
Receita total: 60,80 mil milhões de USD (+28% em termos homólogos) contra os 60,24 mil milhões de USD esperados. Observamos aqui um ligeiro desempenho superior ao consenso.
● Lucro operacional: 18,78 mil milhões de dólares (uma descida de 8,2% em termos homólogos), o que constitui uma decepção dolorosa face aos 21,50 mil milhões de dólares esperados;
● Lucro por ação (EPS): 6,18 USD, em comparação com os 7,14 USD do ano anterior e com as expectativas dos analistas que se situavam entre 7,15 e 7,22 USD;
Previsões para o terceiro trimestre e para o resto do ano: CAPEX
Se o lucro dececionante no segundo trimestre fosse o único problema, o mercado poderia perdoar este contratempo. No entanto, os anúncios para os próximos meses apenas vieram deitar achas para a fogueira:
● Receitas do terceiro trimestre abaixo das expectativas: A Meta estima que as vendas do terceiro trimestre se situem na ordem dos 61/64 mil milhões de dólares. O valor médio desta previsão (62,5 mil milhões de dólares) fica claramente aquém do consenso do mercado, fixado em 63,17 mil milhões de dólares;
● Aumento do limite inferior do CapEx: A empresa não tenciona poupar na infraestrutura de IA. As despesas de capital para o ano inteiro foram revistas para 130/145 mil milhões de dólares (anteriormente, o limite inferior era de 125 mil milhões de dólares), excedendo as previsões médias dos analistas (135,8 mil milhões de dólares);
Microsoft – mostra como se gera receitas com centros de dados
Os resultados da Microsoft publicados esta semana mostram que as despesas gigantescas em centros de dados podem andar de mãos dadas com um desempenho que superou amplamente as expectativas dos analistas em todas as métricas financeiras relevantes.
● Receita total: 90,01 mil milhões de dólares (crescimento de 18% em termos homólogos), em comparação com o consenso do mercado de 87,6 a 87,72 mil milhões de dólares;
● Lucro por ação (EPS): 4,81 dólares (EPS ajustado: 4,74 dólares), o que superou de forma bastante significativa as expectativas do mercado, que se situavam na faixa de 4,24 a 4,25 dólares;
● Lucro operacional: 40,60 mil milhões de dólares, em comparação com os 39,02 mil milhões de dólares esperados pelo mercado;
● Lucro líquido: 35,8 mil milhões de dólares apenas neste trimestre;
CapEx de 41 mil milhões de dólares: Gastos que rendem dividendos
Os receios dos investidores quanto ao desperdício de dinheiro em servidores e chips não passaram ao lado da Microsoft; no entanto, neste caso, a empresa defendeu a sua estratégia com resultados comerciais concretos:
● As despesas de capital (CapEx) aumentaram 70%: os gastos com investimento só no 4.º trimestre atingiram um montante astronómico para a empresa de 41 mil milhões de dólares (aumento de 70% em relação ao ano anterior), refletindo a expansão massiva dos centros de dados para satisfazer as necessidades de inteligência artificial;
● Lucro proveniente do investimento na Anthropic: Os resultados financeiros deste trimestre foram ainda mais reforçados por 3,2 mil milhões de dólares de lucro registados com a sua participação na startup de IA Anthropic;
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