Lusodescendente Carlos Cordeiro demite-se da FIFA e arrasa plano de Infantino
O lusodescendente Carlos Cordeiro demitiu-se do cargo de conselheiro sénior da FIFA esta sexta-feira e deixou sérias críticas relativamente ao plano de Gianni Infantino no sentido de criar uma empresa que explore comercialmente os Mundiais de futebol.
A FIFA Forward Enterprise deverá concentrar a gestão dos direitos comerciais e ainda a organização dos suas principais competições, entre estas as mais rentáveis: Mundial e o Mundial de Clubes. A proposta será submetida à aprovação do Conselho da FIFA e das 211 federações que compõem este órgão.
Carlos Cordeiro, que representou a FIFA na “task force” da Casa Branca no âmbito do Mundial de 2026, deixou um testemunho pouco abonatório para o responsável máximo da FIFA: “Não posso permanecer indiferente enquanto a FIFA pondera vender uma participação no Mundial”, lamentou o ex-banqueiro do Goldman Sachs em comunicado citado pela Associated Press.
Este responsável acompanhou frequentemente Gianni Infantino em visitas de trabalho à Casa Branca nos últimos anos. No entanto, parece estar agora completamente incompatibilizado com o líder máximo da FIFA: “Para ser claro. Não tive qualquer envolvimento nesta proposta e sou totalmente contra essa proposta”, disse Cordeiro, ex-presidente da Federação Norte-Americana de Futebol, classificando a subsidiária comercial de 20 mil milhões de dólares como “um mau negócio para o futebol”.
Publicamente, tem sido divulgado que a FIFA planeia vender 20% dessa nova sociedade mas não há confirmação oficial. Estima-se que a FIFA Forward Entreprise possa ser avaliada em 17,6 mil milhões de euros.
A UEFA não tardou a reagir: reuniu de emergência na terça-feira para discutir as propostas que têm vindo a ser conhecidas por parte da FIFA. Em comunicado conjunto, as 55 federações europeias decidiram-se por um boicote que poderá abranger todas as competições da FIFA, do Mundial masculino ao feminino (que é já no próximo ano mas cujos playoff jogam-se já em outubro) passando pelo Mundial de Clubes.
“Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir interesses de propriedade do Mundial e de outras competições da FIFA para investidores privados”, pode ler-se no comunicado da UEFA.
“O Mundial não pode ser tratado como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construído ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos de todos os continentes. Nenhuma fatia desses torneios deve ser entregue a investidores privados. O Mundial não está à venda”, destacou a UEFA.
Infantino escreveu às 211 associações membros da FIFA propondo que receberiam 34,7 milhões de euros se apoiassem o polémico plano controverso de vender participações nas suas principais competições. O suíço estabeleceu 19 de setembro como data-limite como prazo para as federações de futebol aceitarem os planos se quiserem aceder a um primeiro montante de 17,3 milhões de euros.
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