CPV, Gabriel Caçoilo: A sua caminhada até agora, o balanço e os planos para o futuro
O CPV tornou-se num viveiro de jovens talentos, nacionais e internacionais, que vão dando os primeiros passos nos automóveis, muitos deles vindos de carreiras bem sucedidas nos karts. Gabriel Caçoilo é um dos que mais se tem destacado, tendo surgido no CPV no ano passado aos comandos de um Ligier da Chefo Sport, dando imediatamente nas vistas pela sua velocidade, de tal forma que se manteve em 2026 na mesma estrutura, competindo novamente nos GTX.
Com pouco mais de um ano nos automóveis, o jovem piloto tem consolidado a sua carreira nas pistas ibéricas, mas já olha para o seu futuro com um plano bem traçado. Caçoilo quer dar o salto para fora já em 2027, estando a trabalhar afincadamente para que tal aconteça. Até lá, continua focado nas competições ibéricas, sendo líder dos GTX no Campeonato de Portugal de Velocidade e no Iberian Supercars, além de estar em segundo no campeonato espanhol.
Caçoilo sentou-se com o AutoSport, por altura das Corridas de Vila Real e fez um resumo da sua carreira, o balanço da sua passagem pelo CPV/ IS e traçou-nos o seu plano de carreira
Antes de mais, vamos recuar ao início. Como começou esta paixão pelo automobilismo?
“Comecei nos karts muito novo, com 7 anos. Tive a primeira experiência em Baltar, com o meu pai, em que eu só sabia acelerar, não sabia travar — ele ia a correr atrás de mim com uma corda para puxar o kart caso eu precisasse de travar. Depois tive um mega acidente, entre aspas: estava à procura dele, não o via e fui contra os pneus, mas devagarinho. Nessa altura disse ao meu pai que não queria mais aquilo, mas ele insistiu e fui ganhando o bichinho. Foi ele que me incutiu essa paixão. Começámos com as corridas em Baltar, e ele sempre foi o meu mecânico. Fomos para os campeonatos nacionais, onde competi durante 15 anos. A partir de 2021 passámos para um estatuto mais profissional, entrando em equipas para nos ajudar a ser mais rápidos e a otimizar o processo. Em 2021 vencemos o Troféu Rotax, em 2022 fomos campeões do Rotax e em 2023 fizemos terceiro. Em 2024 ganhei a Taça de Portugal e em 2025 fui campeão nacional de karting IAME”.
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Foi também em 2025 que fizeste a transição para os automóveis. Como correu esse primeiro contacto?
“Tive um teste com a equipa [Chefo Sport]em Barcelona, em que o objetivo por volta era um 1:53 baixo — e foi o tempo que fiz logo no meu primeiro treino, na primeira vez que me sentei naquele carro. A expectativa era ir melhorando passo a passo, e fui melhorando: acabei o dia apenas 1 segundo mais lento que a pole do Campeonato Europeu de Ligier, com pneus usados e tanque cheio. A equipa olhou para mim e viu ali uma boa oportunidade. Percebeu também que eu não tinha grandes capacidades financeiras para dar o salto para os carros, e disse que me ia ajudar. A ideia era fazer o Europeu já em 2026, mas não consegui arranjar fundos para isso. Conseguimos, sim, fundos para o Campeonato Ibérico. Agora o objetivo está posto em 2027, para fazer o Europeu no JSP4″.
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Com esta progressão, já consegues olhar para o futuro e apontar a campeonatos de maior dimensão. Qual é o seu grande objetivo?
“Tenho dois objetivos, ambos nos GTs — é o que mais gosto: GT World Challenge ou GTs no WEC. Ou seja, estar nesses campeonatos grandes, no World Endurance Championship, no IMSA ou no GT World Challenge, que também é um campeonato fortíssimo. Prefiro andar mais pelos GT, é um tipo de carro que me desperta mais interesse do que um protótipo. Gostava, claro, de ser piloto profissional. Também gostava de um dia poder ensinar outros, dar as minhas dicas e opiniões. Mas, acima de tudo, tenho a vontade de poder dizer que sou pago para correr. É o meu objetivo de vida”.
Achas que o Ligier é a melhor plataforma para te lançares, ou um GT4, por exemplo, também seria uma boa opção, tendo em conta as ligações das equipas às marcas?
“Vejo que o Ligier pode ser melhor, principalmente o europeu, porque o Ligier European Series é um campeonato de lançamento para o European Le Mans Series. Tem lá equipas de grande dimensão. Têm mais retorno para os patrocinadores e abrem mais portas para oportunidades. Também acaba por ser um carro mais desafiante de conduzir, porque não tem ABS nem controlo de tração — exige que esteja mais atento e que aprenda mais a conduzir o carro. Se for à chuva, por exemplo, é preciso muito mais cuidado com o acelerador e o travão”.
Vindo dos karts, como foi a adaptação a um carro tão diferente?
“Foi um pouco diferente, mais por causa do peso que se sente. Nos kartings é tudo muito mais leve, se o kart escapa, é fácil ir buscá-lo. Aqui, se escapa, é muito mais complicado. Sente-se muito mais o peso do carro a curvar, e é preciso gerir muito melhor o travão do que nos karts. Ainda me estou a adaptar, principalmente às travagens, que continuam a ser um ponto de melhoria. Mas, com o tempo e a rodar, vou chegar lá”.
Gabriel Caçoilo é mais um jovem talento que procura o seu lugar no mundo do automobilismo. Talento não falta, basta “apenas” desbravar o caminho dos apoios necessários para poder dar nas vistas lá fora e tornar-se um potencial alvo das estruturas europeias. Para já, o trabalho tem sido feito com sucesso: bons resultados e uma boa adaptação a um mundo que é muito diferente dos karts. Mas e mantiver a velociade de adaptação e a competitividade que tem demonstrado em pista, não tardará muito a vermos este promissor talento a dar cartas em campeonatos ainda maiores.
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