Ativos sob gestão nos mercados privados deverão crescer 12% ao ano
O valor das operações de fusões e aquisições nos mercados privados passou de 13 mil milhões para 27,2 mil milhões de dólares entre 2023 e 2025. De acordo com o novo estudo The Race for Scale in Private Markets, da Oliver Wyman, as gestoras estão a acelerar as suas iniciativas para ganhar escala, reforçar capacidades e consolidar a sua posição competitiva num dos segmentos de maior crescimento da gestão de ativos.
Os ativos sob gestão nos mercados privados deverão crescer cerca de 12% ao ano nos próximos cinco anos, em comparação com os 8% previstos para os ativos cotados. Enquanto as classes de ativos tradicionais continuam sob pressão, devido à redução das comissões e a um crescimento mais lento, os mercados privados ganharam um peso estratégico crescente nas grandes gestoras, tornando-se uma das áreas mais dinâmicas para operações de fusões e aquisições.
No entanto, o mercado continua altamente fragmentado. Cerca de 97% dos gestores de private equity, 87% dos gestores de private credit e 95% dos gestores do setor imobiliário gerem menos de 5 mil milhões de dólares em ativos, embora a angariação de fundos esteja cada vez mais concentrada num número reduzido de intervenientes. De facto, os maiores gestores, com mais de 10 mil milhões de dólares em ativos sob gestão, passaram de representar 42% do capital global angariado entre 2000 e 2005 para 54% nos últimos cinco anos, refletindo um mercado que valoriza cada vez mais a dimensão das plataformas e o seu grau de institucionalização.
O relatório identifica três razões que explicam a aceleração da consolidação neste momento. A primeira é a escala, que deixou de ser uma vantagem para passar a constituir um requisito essencial. Os gestores de maior dimensão não só captam mais capital, mas também dispõem de redes mais amplas, maior capacidade para atrair e reter talento e da infraestrutura necessária em matéria de risco, conformidade regulamentar e operações de carteira, exigida pelos grandes investidores institucionais.
A segunda prende-se com a amplitude da oferta de produtos. Os 20 maiores gestores multiplicaram por seis o número médio de produtos ativos desde 2005, alargando a sua oferta para além dos fundos emblemáticos, de forma a incluir plataformas que abrangem private equity e dívida privada. Esta diversificação permite acompanhar os clientes em diferentes fases do ciclo de investimento e oferecer soluções ajustadas a diferentes perfis de risco e rentabilidade.
A terceira razão é a capacidade de avaliar e gerir investimentos de forma consistente ao longo do ciclo, uma competência que assume particular relevância à medida que as condições de crédito se tornam mais restritivas em determinados segmentos do mercado e se aproxima um volume significativo de refinanciamentos nos próximos dois ou três anos.
“Os mercados privados entraram numa nova fase de consolidação, em que a escala deixou de ser uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição indispensável ao crescimento. À medida que a angariação de fundos se concentra e os investidores exigem soluções cada vez mais abrangentes e sofisticadas, assistiremos à concentração das vantagens competitivas num número cada vez mais reduzido de plataformas capazes de combinar escala, especialização e diversificação de capacidades”, afirma Martín Sánchez, partner de Private Capital da Oliver Wyman.
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